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15/3/2017
 Diálogos de indígenas da Bahia e do Amazonas na Uesb
por Queila Chaves


O Laboratório de Difusão de Repertórios, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagens, realizou na noite dessa terça-feira, 14, a mesa “Diálogos indígenas: preconceitos do contato interétnico”. A discussão contou com a participação de Maurício Iximaweteri Yanomami, agente indígena de Saúde e liderança Yanomami do Rio Marauiá, em Santa Isabel do Rio Negro (AM), de Gilvandro Oliveira, licenciado em História pela Uesb e liderança indígena da Batalha, em Vitória da Conquista (BA).

O professor do Departamento de Estudos Literário e Linguísticos (Dell), Ricardo Martins Vale, realiza um projeto de educação multidisciplinar com os Yanomamis da região do Rio Marauiá, no norte do Estado do Amazonas. “Aproveitando a visita de um amigo Yanomami que acompanha nosso trabalho lá, promovemos esse evento para mostrar o que fazemos e para abrir o debate sobre a questão indígena e os preconceitos”, declarou o docente.

Para o professor Orlando José Ribeiro de Oliveira, do Departamento de História (DH), no Brasil houve uma transfiguração e não uma assimilação ou integração dos índios. Nesse sentido, ele falou sobre a relativização: “Na história brasileira, ficou evidente o preconceito aos índios. Precisamos entender que cada cultura tem sua própria lente e ver o mundo por ela. Não devemos oprimir o outro e nem deixar-se oprimir”.

Diálogos - Maurício Iximaweteri Yanomami tem 29 anos e saiu pela primeira vez do Amazonas. Ele falou que veio a Bahia e vai ao Distrito Federal saber sobre a sociedade do branco para alertar sua comunidade sobre os novos costumes adquiridos recentemente a partir do contato com os não-indígenas: “minha preocupação é com nossa floresta, nossa saúde, nossa cultura pra que não se acabe como aconteceu com nações irmãs após esse contato”.

Gilvandro Oliveira, descendente de pataxós, nasceu na Zona Rural de Conquista e veio para cidade, mas, a partir do preconceito sofrido, começou buscar suas origens. “Aqui, a cultura indígena foi fragmentada e esquecida. Encontrei na arte uma forma de expressar o que está em mim. Não faço a arte conceitual ou para comercialização, eu faço parte da arte”, relatou o artista plástico, que faz esculturas em cerâmica e na madeira.

A estudante de Filosofia, Márcia da Cruz Batista, é de uma comunidade quilombola de Piripá que também teve indígenas. “Achei interessante o debate pois enquanto moradora residente em uma comunidade tradicional, eu também tenho preocupações com esse modo como a sociedade nos ver e com esses problemas que a gente convive no dia a dia”, disse a aluna.

 



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