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  comunicação

27/4/2017
 Abertura do Seminário "Greve dos Catadores do Café"
por Queila Chaves


O Seminário "Greve dos Catadores do Café: o despertar das consciências oprimidas" teve sua abertura na noite dessa quarta-feira, 26, com a exposição documental e fotográfica do período no qual os trabalhadores de Barra do Choça e Vitória da Conquista iniciaram esse movimento. Além da mostra, o evento contou ainda com a mesa de abertura coordenada pela professora da Uesb, Rita de Cássia Pereira, e a palestra ministrada pelo professor Ruy Medeiros.

Na mesa de abertura, pessoas como o professor Antônio Dias, o fotógrafo Melquíades Oliveira e um dos líderes do movimento grevista Noeci Salgado relembraram os momentos de tensão e as conquistas obtidas com aquela greve, ocorrida há 37 anos. “Pra mim, é um sonho está revivendo e mostrando à sociedade a importância que foi aquele momento, eu que fui um dos que coordenaram a plenária do dia 28 de abril de 1980, que num dia chuvoso conseguimos reunir, no Estádio Edvaldo Flores, cerca de cinco mil catadores de café”, disse Noeci muito emocionado.

O professor Ruy Medeiros foi advogado dos catadores de café na época. Na abertura do Seminário, Medeiros palestrou sobre a realidade rural e a greve dos trabalhadores rurais de Conquista e Barra do Choça em 1980. Segundo o professor, a greve ocorreu justamente no período em que o país estava dando passos para redemocratização. “Hoje, estamos lembrando essa greve e é um momento de comemoração, de memória social e discutimos não só a greve, mas a realidade rural de Conquista naquela década com a introdução da lavoura cafeeira e suas consequências”.

Algumas pessoas que estiveram naqueles atos, também participaram da abertura do evento. Entre elas, a professora Maria da Conceição Nascimento, que ensinava na comunidade de Saquinho. “Eu já fui catar café com a comunidade e o pessoal do movimento, pois a gente, pra defender uma causa, tem que sentir na pele, como diz o ditado. Naquela época mudava até o calendário escolar para os alunos trabalhar e eles eram bem explorados. A gente viu bem de perto a doença, a desnutrição. Marcou muito minha vida essa experiência como pessoa e como funcionária pública”, disse aposentada.

O Seminário foi iniciativa de um coletivo que vivenciou a greve e contou com o apoio do Laboratório de História Social do Trabalho (Lhist), da Uesb. “Esse grupo de pessoas sentiu a necessidade de retomar essa discussão, de rememorar este importante ato político que aconteceu naquele momento. Fomos convidados e como é uma temática que envolve o mundo do trabalho - nosso objeto de pesquisa - estamos colaborando com o evento”, declarou o coordenador do Lhist, professor Adilson Amorim.

O seminário continua nesta tarde, 27, com duas mesas e encerra-se com a exibição de um documentário e atividades culturais, a partir das 19h30. Veja aqui a programação.



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