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15/9/2017
 Com Paralisia Cerebral, aluno se forma em Cinema na UESB
por Gisele Almeida


A cada ano, a Uesb se orgulha em formar diversos profissionais bacharéis em Cinema e Audiovisual, contribuindo para o desenvolvimento das aptidões de cada um e respeitando as suas particularidades. Foi assim com Ricardo Evandro Souza Ribeiro, 42 anos, que, em agosto deste ano, concluiu sua graduação. A trajetória do ex-aluno dentro do curso, como a de todos os seus colegas, foi influenciada por suas individualidades, dentre as quais está a Paralisia Cerebral.

Apesar de nascer com essa condição, a Paralisia não afetou a parte cognitiva de Ricardo e suas limitações físicas nunca foram um impedimento para desempenhar, com talento e primazia, todas as atividades que envolvem uma graduação em Cinema.  A escolha por essa área veio de uma influência familiar, já que ele vivia rodeado de arte, tanto por parte do seu pai, artista plástico e amante da fotografia, quanto por suas tias, que também eram artistas plásticas.

A principal dificuldade encontrada pelo bacharel em Cinema e Audiovisual foi anterior ao seu ingresso no curso. Como pré-requisito para ocupar uma das vagas destinadas às pessoas com deficiência, era necessário apresentar uma documentação que comprovasse os seus estudos, por pelo menos sete anos, em uma instituição pública de ensino. Porém, Ricardo foi alfabetizado em casa e na época, não havia, em Salvador, sua cidade de origem, escolas públicas especializadas no atendimento de alunos com deficiência. Com muita persistência, em 2011, ele conseguiu comprovar sua situação e ingressar no curso que tanto desejava. A partir daí, com a ajuda dos seus colegas e professores, sempre buscou encarar a sua deficiência como uma simples característica particular.

Ricardo afirma que a razão dessa atitude positiva está na criação que recebeu dos seus pais. “Fui criado com o mesmo tratamento dado aos meus irmãos. Se eu fizesse algo de errado, não passavam a mão na minha cabeça. Me criaram de forma justa e inclusiva”, explica.  Ainda segundo o bacharel em Cinema e Audiovisual, a sociedade, por ignorância, costuma olhar com um sentimento de pena para as pessoas que possuem algum tipo de deficiência. “Este estigma diminui e até mesmo desaparece quando existem muitas oportunidades de convívio de pessoas com e sem deficiência”, completa o ex-aluno da Uesb.

De acordo com o professor Márcio Antonio Sales Venancio, coordenador do curso de Cinema e Audiovisual, Ricardo sempre foi um aluno inteligente, aplicado e com ótimas avaliações em suas disciplinas. “Ele sempre desenvolveu suas atividades como qualquer aluno faria, com especial destaque às aulas práticas e laboratoriais, quando normalmente se sobressaia pela facilidade com que assimilava os conteúdos e os transpunha-os para prática.”, completa. Ainda segundo o docente, assim como Ricardo, todos os alunos possuem diferenças e cada um deles precisa de uma ajuda ou assistência específica. “Uns têm dificuldades de aprender alguns conceitos teóricos, outros têm dificuldades nas aulas práticas. Nisso não há diferença”, explica o professor.

Fotos: Acervo pessoal



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