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18/9/2017
 Suicídio foi tema de audiência pública em Conquista
por Afonso Ribas


O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios, o que coloca o tema como uma grande questão de saúde pública nacional. Entretanto, o assunto ainda é cercado de mitos e preconceitos, sendo, recorrentemente, tratado em segredo ou com temor, e é justamente por isso, que se torna ainda mais importante e pertinente que ele seja debatido pelos diversos setores da sociedade. Nesse sentido, o Centro Universitário de Atenção à Saúde (Ceuas), com o apoio da vereadora Nildma Ribeiro, promoveu na última sexta-feira, 15, na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, uma audiência pública sobre o Setembro Amarelo, campanha internacional de prevenção ao suicídio que vem sendo realizada durante todo este mês.

Com o tema “Falar sobre a morte para valorizar a vida”, o evento é parte do conjunto anual de ações em saúde realizado pelo Ceuas, de acordo ao cronograma de campanhas proposto pelo Ministério da Saúde. “A gente sabe, reconhecidamente, que a questão do suicídio é muito velada pela sociedade e pelas famílias que já lidaram com isso. Falando sobre o assunto, procurando desmistificar os preconceitos que o envolve, nós poderemos ampliar as ideias e fortalecer os setores que têm a competência de trabalhar na sua prevenção. Ao fazer isso, também estaremos atraindo as pessoas para uma reflexão mais ampla e é importante que essa reflexão se faça presente no nosso dia a dia”, disse a coordenadora do Centro, Paty Luz.

Em Vitória da Conquista, a taxa de suicídio é alta. Só este ano, segundo a coordenação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foram registradas 78 tentativas e 42 execuções. Representantes de diversos setores do município e da Universidade estiveram presentes na audiência para discutir as diferentes perspectivas de abordagem do assunto. “Há um momento em que a questão do suicídio tem se tornado mais comum, então é preciso que as pessoas falem sobre isso, sobretudo porque ele pode ser prevenido e porque existe uma série de falácias e mitos sobre ele que precisam ser quebrados”, comentou a professora dos cursos de Psicologia e Medicina da Uesb, Monalisa Barros, que abordou a relação entre transtornos mentais e o suicídio durante o encontro.

A psicóloga Carla Eloá de Oliveira Ferraz, que presta atendimento no Ceuas, destacou a importância de se reconhecer os sinais que caracterizam o comportamento suicida e saber as formas de abordagem às pessoas vulneráveis. “A gente tem que observar mais o outro ou, de uma forma geral, estar mais atento ao próximo. Muitas vezes a pessoa sinaliza e você não percebe, porque está centrado só nos seus problemas. Se você percebe que alguém está passando por dificuldades ou até se a pessoa verbalizar que tem uma ideação suicida, seja um familiar, seja um colega, você pode e deve encaminhar para um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, porque conversar é importante, mas não é só isso. A pessoa precisa ser notada e cuidada e o familiar, muitas vezes, não dá conta de escutar”, afirmou Ferraz.

A estudante de Psicologia Ivana Gusmão Ribeiro, que participou da audiência, ressaltou a importância do evento no sentido de trazer informações pertinentes para a comunidade e que auxiliem famílias e indivíduos a lidarem de uma maneira adequada com as pessoas vulneráveis. “Eu, particularmente, já tive um primo que cometeu suicídio e a falta de informação sobre a situação e a forma com que se deve lidar com isso acabou interferindo de forma bastante negativa no caso”, lembrou.

A pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex), Maria Madalena dos Anjos, que esteve presente no evento, falou da importância do papel da Universidade em não deixar que discussões importantes como a questão do suicídio fiquem restritas apenas ao ambiente acadêmico. “Nós não podemos ficar com essa discussão somente na academia. Precisamos trazer para a comunidade também e participar, porque nós temos, inclusive, um curso de Psicologia na Uesb e é de fundamental importância, portanto, discutir as políticas de saúde mental”, disse.



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