assessoria de
  comunicação

8/11/2017
 UESB integra programa da Oferta Nacional de Telediagnůstico
por Emanuela Lisboa


Na manhã dessa segunda, 6, foi lançada em Vitória da Conquista, a Oferta Nacional de Telediagnóstico, do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes do Ministério da Saúde. O município foi escolhido para receber a implantação do serviço na Bahia, que será expandido para todo o estado. O objetivo do programa é facilitar a realização de exames de eletrocardiograma (ECG) e a disponibilidade de laudos a distância no âmbito da Atenção Básica, especialmente em cidades pequenas, carentes e onde não há um cardiologista. O evento, que envolveu profissionais da saúde e prefeituras da região, aconteceu no auditório da Universidade Federal da Bahia (Ufba), uma das instituições parceiras. A Uesb também atuará no programa, por meio do Centro Universitário de Atenção à Saúde (Ceuas) e do Curso de Medicina em Conquista. Nessa terça, 7, as atividades de treinamento do Telediagnóstico (foto 3) foram realizadas na Universidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Oferta Nacional de Telediagnóstico será inserida em todos os estados brasileiros. O primeiro a receber o serviço foi o Acre e, nesta semana, a Bahia, aqui em Conquista. Segundo a representante do Ministério, Kátia Wanessa Alves Silva, a proposta do programa é posteriormente incluir outras especialidades, como Dermatologia, Oftalmologia e Pneumologia. “O intuito dessa oferta é trazer aos municípios carentes o serviço e reduzir custo, o deslocamento do paciente sem necessidade e está ofertando esse serviço de forma rápida”, afirmou Silva. O programa de Telessaúde Brasil Redes foi inspirado em um sistema semelhante que surgiu em Minas Gerais há 12 anos, fruto de um projeto de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esse projeto funciona no Centro de Telessaúde de Minas Gerais, do Hospital das Clínicas da UFMG. O Centro será a instituição responsável pela emissão dos laudos médicos, referentes à tele-eletrocardiografia, que as unidades de saúde dos municípios encaminharão.

O professor Renato Minelli Figueira, membro do telessaúde mineiro, falou sobre como tudo começou há mais de uma década, quando foi implantado um eletrocardiógrafo conectado à internet em 82 municípios de Minas. Os municípios foram escolhidos pela distância dos grandes centros e por serem considerados pobres. Um dos critérios era ter uma população menor que 10 mil habitantes e um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De acordo com o professor, o paciente ia ao posto de saúde, um profissional treinado fazia o eletrocardiograma e enviava o sinal digital pela internet ao Hospital das Clínicas. “Então, o cardiologista analisava esses sinais e emitia um laudo sobre o diagnóstico do paciente e esse laudo era enviado de volta para cidade”, explicou Figueira. Segundo o professor, esse procedimento evitou o transporte do paciente de municípios distantes, especialmente de pessoas idosas com dificuldade de locomoção, além de reduzir o custo de transporte de paciente e auxiliar em outro aspecto: diminuir a fila de espera pelo exame. “Às vezes o paciente esperava meses pra poder fazer esse exame e com esse projeto ele podia fazer o exame na cidade dele, no momento que fosse necessário, e ter a resposta do diagnóstico quase que de imediato”, ressaltou. Figueira relatou os desdobramentos da iniciativa: “Esse projeto foi tão bem aceito, teve um impacto tão grande que o Governo do Estado de Minas resolveu expandir. Hoje, cobrimos praticamente quase todas as cidades. Minas Gerais tem 843 municípios, estamos presentes em 780, e fazemos uma média de 40 a 50 mil eletros por mês. Em função desse sucesso, o Ministério da Saúde decidiu expandir essa oferta do ECG pra todo o Brasil”.

Jose Cristiano Soster, representante da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), falou sobre o sistema de Telessaúde no estado, que já trabalha com webpalestras e teleconsultorias. “Hoje a gente está iniciando um outro caminho, que é trabalhar com telediagnóstico, inicialmente com o eletrocardiograma. Depois, a gente busca ampliar para outros exames. Isso é uma forma da gente descentralizar esses exames pra que não fique concentrado apenas nas grandes cidades. Todo município que tiver um equipamento, que pode ser laudado a distância, a gente vai estar viabilizando, junto com o Ministério da Saúde, e com custo zero para esses municípios. Isso é importante num momento de crise e facilita também que Atenção Básica seja mais resolutiva”, afirmou. Soster ainda destacou o apoio das Universidades Uesb e Ufba nesse projeto. “É fundamental, pelo conhecimento que elas agregam, pela legitimidade que dão para um projeto como esse, e também porque elas possibilitam realizar alguns estudos necessários, inclusive pra estabelecer novos direcionamentos, protocolos, e também fazer análise da eficácia desse tipo de serviço para Atenção Básica”. Ainda segundo Soster, também é possível agregar a esse serviço alguns projetos em desenvolvimento nas universidades, no sentido de levar conhecimento à rede de básica de saúde, estruturá-la, e com isso, beneficiar todo o usuário do Sistema Único de Saúde.

Para a pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da Uesb, professora Maria Madalena Souza dos Anjos Neta, o serviço em Telediagnóstico agrega mais aspectos positivos para o desenvolvimento da Universidade, do ambulatório do Ceuas e do curso de Medicina, beneficiando a comunidade. Ela destacou ainda outras ações da Instituição no contexto da Saúde. “Hoje, a gente já faz o acompanhamento dos pacientes diabéticos e hipertensos na nossa cidade, temos também implantado, fruto da proposta do Telessaúde, o prontuário eletrônico. Então, são diversas ações que estão sendo desdobradas num grande projeto. É importante pra todos nós, cresce a Universidade e a sociedade também”, salientou.

Fases de execução

Nessa primeira etapa, a Oferta do Telediagnóstico contempla 43 municípios baianos, sendo esperada a realização de 8 mil laudos de ECG por mês. Na Região Sudoeste são nove cidades participantes. A segunda fase envolverá 52 municípios e, na terceira etapa, 91 serão beneficiados. De acordo com a Sesab, a implementação das atividades de telediagnóstico serão promovidas em regiões prioritárias, definidas a partir de características sociodemográficas e epidemiológicas. Ainda segundo a Secretaria, com base na avaliação de indicadores de saúde no estado, relacionados às doenças crônicas, a taxa de internação por diabetes mellitus e suas complicações em 2015 foi alta, com índice acima da média estadual em cinco das nove Regiões de Saúde da Bahia. Já em relação à taxa de internações por acidente vascular cerebral (AVC), foi observado um aumento considerável nesse indicador entre 2008 e 2015, com destaque para a Região de Saúde do Sudoeste.



Assessoria de Comunicação
indique essa matéria para um amigo
Versão para impressão