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27/11/2017
 Simpósio de Geografia foca a apropriação do espaço geográfico
por Emanuela Lisboa


Promovido pelo Laboratório de Ensino de Geografia, acontece nesta segunda, 27, no auditório 1 do módulo Antônio Luis Santos (Luisão), campus de Vitória da Conquista, o 6º Simpósio de Ensino e Aprendizagem de Geografia, que faz parte do projeto de extensão Assessoria Permanente aos Professores de Geografia do Ensino Fundamental e Médio.

O evento tem atividades nos períodos matutino e noturno, e é coordenado pela professora Cláudia Cruz, que explica o objetivo da programação. “O sexto Simpósio busca trazer discussões acerca de metodologias, de práticas, que valorizem tanto a apropriação material como simbólica do espaço geográfico”. Ainda segundo a docente, as oficinas pedagógicas e palestras objetivam também socializar experiências e discussões e trazer reflexões para os professores e discentes do Curso.

Convidada para ministrar duas palestras, a professora Sônia de Souza Menezes (de blusa rosa - foto 2), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), é uma parceira do Simpósio. Ela fez um resumo da sua fala no turno da manhã: “Vou tratar da apropriação material e simbólica do espaço no ensino de Geografia, abordar como no ensino a leitura do espaço deve ser feita. Deve ser feita na perceptiva material e também simbólica. Acreditamos que seja importante para o ensino inserir a pesquisa na educação básica para que o aluno comece a fazer essa leitura espacial, percebendo o saber-fazer e os saberes que existem no seu espaço, quer seja num bairro, num povoado ou no espaço urbano e também as relações que existem para além do econômico, as relações simbólicas que existem no espaço”.

Segundo Menezes, quando se discute a apropriação material do espaço, também se discute as atividades econômicas existentes e dominantes e como as relações local e global se dão naquele determinado contexto. “Eu posso analisar, por exemplo, o que existe do espaço global no meu povoado, no meu bairro. Eu vou encontrar produtos do espaço global dentro da minha casa, na roça, no sítio, nas mercearias, nas bodegas, e vou também encontrar elementos locais,” ressaltou.

A docente citou como exemplo a produção de biscoito em Conquista, um aspecto importante e peculiar da economia do município. “A produção de biscoito e da goma, além de gerar renda, postos de trabalho, também tem um simbolismo. Ela está enraizada na dimensão imaterial das comunidades aqui do local, e foi ressignificada. Ela foi apropriada e há uma ressignificação, uma mudança. Tem aqui na cidade muitas casas de biscoito, todas arrumadas, então, veja como o simbólico e o material foram apropriados, foram modernizados, ressignificados, e hoje têm uma outra dimensão, mas convivem os dois: aquele tradicional, que não foi mudado, lá das comunidades rurais, e o todo ressignificado, modificado, que atrai visitantes, turistas, etc.”

Para a professora Talamira Taita Rodrigues Brito, o Simpósio acontece como uma forma de refletir sobre o processo ensinar e aprender, a relação professor e estudante, a relação escola pública e sua função, e esses vínculos com a própria Instituição, enquanto formadora do licenciado que acompanhará a realidade da escola pública. “A relevância de um simpósio como esse é de justamente se manter como um espaço de resistência para refletir sobre as questões do cotidiano, que interferem na condição de ser um bom professor, sobre as questões que estão postas nesse processo de redimensionamento do que é vida cidadã, do que é estado de direito, estado democrático, do que é a relação governo, relação estado, e como isso afeta a escola, os autores que fazem a escola acontecer”. Ainda segundo Brito, o Simpósio é um momento em que essas questões podem ser postas para um amplo e frutífero debate. “Sempre na expectativa de que nosso estudante de graduação se constitua como de fato um expediente crítico de pensar sobre si, sobre a realidade local, sobre a implicação dele como futuro profissional e como a profissão dele frutifica, na medida em que ele assume o professor como seu ponto de referência pra viver profissionalmente”, concluiu.

A programação do Simpósio continua à noite, a partir das 18h30. Dentre as atividades haverá a palestra “O saber-fazer nas feiras e bairros da cidade e o ensino de Geografia”, também a ser proferida pela professora Sônia de Souza Menezes. Outras informações podem ser obtidas com o Laboratório de Geografia pelo telefone (77) 3425-9346.



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