O Teatro Glauber Rocha, que fica no campus da Uesb, em Vitória da Conquista, esteve praticamente lotado na noite dessa quarta-feira, 18. Professores, estudantes, tutores e coordenadores de pólo de Educação a Distância (EAD) de todas as regiões da Bahia vieram prestigiar a abertura do I Simpósio de Educação Superior Virtual realizado no Estado, uma iniciativa da Uesb e do Instituto Anísio Teixeira (IAT).
O tema central do Simpósio, que se estende até a sexta-feira, 20, é “Educação Virtual: desafios e perspectivas”. O professor Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, proferiu a palestra de abertura do evento. Em sua abordagem, Litto ressaltou os entraves ainda existentes para a consolidação da EAD e destacou a importância dessa modalidade de ensino para a ampliação de vagas na graduação. “Há uma demanda reprimida na sociedade brasileira. Apenas 13% dos jovens brasileiros estão frequentando a universidade. Por isso, a educação a distância vai abrir um novo capítulo para o ensino superior no Brasil”, sublinhou o palestrante.
Quem também participou da abertura do Simpósio foi a professora Denise Martins de Abreu Lima, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), presidente do Fórum Nacional de Coordenadores da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Para Denise, a UAB, enquanto iniciativa que pretende difundir o ensino a distância em todo o país, “é um marco, um divisor de águas na oferta e na ampliação de vagas para o ensino superior público, na medida em que a população vai ter muito mais acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, como lhe é de direito”.
Ambos os conferencistas concordam que, até pelo desconhecimento e ignorância, ainda existe preconceito em relação ao ensino a distância no Brasil. E este é um dos principais desafios a serem vencidos por essa modalidade de ensino. “Eu acho que essa percepção de que a modalidade a distância é um ensino aligeirado e raso, já está mudando e, com certeza, com a inserção das universidades públicas, que já demonstram sua qualidade de ensino há muito tempo, isso vai se consolidar ao longo do tempo. Não é uma coisa que você mude de uma hora para outra”, analisa Denise Lima. “Todo mundo deve lembrar que a educação a distância não é necessariamente mais fácil do que a presencial. Às vezes, dependendo da seriedade da instituição, é mais rigorosa do que o ensino presencial. O aluno tem que ter motivação, seriedade, autodisciplina e proatividade. O aluno imaturo não sobrevive ao ensino a distância”, complementa Fredric Litto.
Na Uesb, a EAD está presente desde 2005. O reitor da Universidade, Paulo Roberto P. Santos, considera que o I Simpósio Estadual de Educação Superior Virtual é um momento oportuno para se conhecer melhor a sistemática da educação a distância e identificar métodos e caminhos para aperfeiçoá-la. “Para se fazer a verdadeira inclusão social, dando oportunidade ao maior número de pessoas de poder fazer um curso superior, é fundamental o desenvolvimento do ensino a distância, com o auxílio da tecnologia e dos modelos pedagógicos hoje existentes, até porque a modalidade presencial não tem a capacidade de atender a toda demanda da sociedade”, enfatiza o reitor. Para o coordenador da EAD na Uesb, Paulo Sérgio Cavalcanti Costa, o fato de a Universidade já promover cursos de extensão, graduação e pós-graduação virtuais a credencia para ampliar o leque do ensino a distância no Estado. “A EAD vem ganhando cada vez mais corpo na Uesb, estamos formando a nossa primeira turma no curso de Física e pretendemos ampliar a oferta de cursos e de vagas, essa é uma determinação, inclusive, da administração da Universidade”, reforça.
Clique aqui para ver a programação completa do Simpósio, que inclui minicursos, palestras e apresentação de trabalhos.
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