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  comunicação

27/10/2011
 Jorge Amado é discutido em Jequié
por Iulo Almeida


Organizado pelo projeto de extensão Papo Lírico e pela área de Literatura do Departamento de Ciências Humanas e Letras do campus de Jequié, o I Ciclo de Eventos Linguísticos, Literários e Culturais teve sua primeira programação no dia 26 de outubro. A discussão da obra de Jorge Amado em comemoração ao seu centenário se deu numa linha multidisciplinar, reunindo áreas que perpassam a linguística e a literatura, trazendo a questão dos Estudos Culturais para entendimento da obra do autor baiano.

Segundo o professor Marcos Aurélio Santos, coordenador do evento “Jorge Amado, quase 100” que aconteceu no Auditório Waly Salomão, “é difícil dimensionar a importância de Jorge Amado, pois é um escritor que praticamente viveu o século XX inteiro; a gente o chama de ‘intérprete do Brasil’”. Em suas obras, o autor tematiza a questão do hibridismo cultural, a questão da mulher, de consumismo, moda, cinema. “Têm importância, além de literária, sociológica, antropológica”, diz Santos.

Sobre o mito da baianidade – conceito que representa uma imagem do Estado, dos baianos e suas especificidades, notoriamente praieira e bucólica, folclorizada através da preguiça e malemolência do regional - comumente remetido à obra amadiana, Santos diz que o escritor esteve obviamente ligado a ele, mas não somente como a tradição da crítica literária insiste em explicitar. O professor explica que, apesar de ambientado na Bahia, “Jorge Amado fez uma literatura universal; falou sobre São Paulo, sobre imigrantes sírio-libaneses, sobre esse trânsito de chegada e saída da Bahia. Ele não é um escritor baiano-local, é um escritor universal”.

Caracterizado, entre tantos aspectos, pelo caráter marcadamente social, Jorge foi considerado “antropólogo estragado na ficção” por um historiador. É o que conta o professor Gildeci Leite da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que participou da mesa-redonda de encerramento do Ciclo ao lado da professora Adriana Barbosa e do professor Braulino de Santana. Nas discussões, Santana trouxe a questão da linguagem amadiana (um pouco gregoriana, um pouco castroalvina) que alcançava diversos públicos e foi criticada por linguistas.

Ao revelar aspectos do povo em sua obra - não como tutor, mas como parte dele -, Amado levou consigo a representação da cultura negra e foi questionado devido ao tom de sua pele e do pertencimento ao grupo afro. “A literatura negra não tem de ser necessariamente feita por alguém de epiderme negra”, diz categoricamente Leite. De todo modo, caso ainda haja necessidade da comprovação do pertencimento racial-epidérmico, o docente explica que “a bisavó de Jorge Amado alforriou um homem negro e teve filhos com ele”.



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