“Brasil, me olhe de frente e venha pra rua, me inclua nos seus ideais”. Os versos são da música “Nada impede que eu seja feliz”, da cantora e compositora Leci Brandão, cantada pelo coral da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Vitória da Conquista, na abertura do Seminário de Inclusão Escolar, realizada na noite dessa quinta-feira, 9. O auditório do módulo 4 de salas de aula da Uesb ficou completamente lotado para ver essa turma, que tem deficiências múltiplas, olhar a plateia de frente e demonstrar como se faz um verdadeiro processo de inclusão. A noite teve, ainda, uma mesa temática com o tema “Demandas Recorrentes da Inclusão Escolar e Atuação Profissional em Educação Especial”, debatido pela professora Selma Norberto Matos e pela coordenadora do Núcleo de Inclusão da Prefeitura de Vitória da Conquista, Valéria Alves de Brito. O coral da Apae é regido pela professora de música Dulciane Figueira, que há 10 anos trabalha na instituição. De acordo a professora, a inclusão escolar dos alunos com necessidades educacionais especiais já é feita, mas ainda de forma tímida. “Há uma necessidade de que os alunos participem verdadeiramente de tudo que é feito. Muitos deles ficam ainda um pouco isolados dentro das salas de aula nas escolas regulares”, observa. Em parte, o problema é que, se por um lado, as escolas regulares estão se abrindo para receber esse público, por outro ainda falta preparo aos professores para lidar com essa nova realidade.
A capacitação docente é um dos indicativos da pesquisa de mestrado da professora Selma Norberto Matos (foto 3), cujos resultados foram apresentados no seminário. “A inserção de alunos com necessidades educacionais especiais na rede municipal de ensino, nas salas comuns, é uma realidade. E os professores têm se deparado com esse desafio, que é a conquista de um direito desses sujeitos, mas não se sentem na maior parte das vezes preparados para lidar com isso”, analisa. A solução para esse aparente entrave à efetivação do processo inclusivo, considera Dulciane Figueira, é a realização de mais cursos de formação. “É extremamente necessário para que esses profissionais se sintam seguros em trabalhar com a nossa clientela. Daí a importância de seminários como esse e de cursos preparatórios”.
Que tal, então, ouvir mais quem deve ser o foco principal de qualquer ação inclusiva, antes de se implementar uma determinada ação nesse aspecto? Alex Antônio da Silva, de 36 anos, aluno da Apae desde os sete, define com extrema riqueza e simplicidade o que o atrai e o motiva no ambiente escolar: “Gosto muito da aula de música, é uma diversão para mim”. A satisfação de Alex e dos demais integrantes do coral, somada ao resultado constatado no dia-a-dia, é também o combustível da professora Dulciane. “A música é uma linguagem universal e a gente entende que através dela a gente consegue atingir sentimentos profundos. Nossos meninos têm melhorado muito na qualidade de vida, a questão emocional, o imaginário e a criatividade a partir da música”, atesta. O seminário tem continuidade ao lono de todo o dia de hoje. Confira a programação e as fotos do evento.
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