Se o produtor vacilar, o exército das formigas 
invade a lavoura

As formigas cortadeiras, especialmente as saúvas, 
causam grande transtornos à agricultura, constituindo-se em sério problema para culturas como a cana-de-açúcar, florestas de pinus e pastagens. 
Além dos danos em si, há os gastos do agricultor na compra 
de inseticidas e outros produtos para controlar e eliminar os ninhos dos insetos. Estima-se que os prejuízos causados por essas 
formigas só no Brasil seriam da ordem de US$ 100 milhões por ano

Apesar de 95% das 10 mil espécies de formigas existentes na região tropical serem consideradas benéficas ao homem e à natureza, os 5% restantes, as cortadeiras, são responsáveis por vultuosas perdas. Ao contrário do que se pensa comumente, elas não comem as plantas, mas cortam os vegetais e transportam os pedaços para o formigueiro onde, em câmaras especiais, esse material é utilizado como substrato para o cultivo de um fungo do qual se alimentam (uma espécie de cogumelo).

As formigas cortadeiras pertencem a dois gêneros de formigas cultivadoras de fungos: as do gênero Atta, conhecidas popularmente como saúvas, e as do gênero Acromyrmex, como quenquéns. Há 50 milhões de anos, elas vivem no continente americano, desde o sul dos Estados Unidos até o centro da Argentina. No Brasil, que possui o maior número delas, há 10 espécies de saúvas e 20 espécies de quenquéns.

Das 10 espécies de saúvas existentes no Brasil, apenas 5 possuem grande importância econômica para as atividades agropecuárias: saúva-limão (Atta sexdens), que ataca florestas de eucalipto e pinus e plantas em geral; saúva-cabeça-de-vidro (Atta laevigata), que ataca pastagens florestas cultivadas, cana-de-açúcar e plantas em geral; saúva parda (Atta capiguara), que ataca pastagens e cana-de-açúcar; saúva mata-pasto (Atta bisphaerica), que, da mesma forma, ataca pastagens e canaviais; e saúva-da-mata (Atta cephalotes), que corta plantas de folhas largas, principalmente a mandioca e o cacau.

Das espécies de quenquéns, o número das que causam prejuízos para a agricultura nacional é maior. Vale citar a quenquém-de-cisco (Acromyrmex crassispinus), que ataca principalmente pinus e eucalipto; formiga-de-monte-vermelha (Acromyrmex heyri), que corta gramíneas; formiga-mineira (Acromyrmex laticeps), cortadeira de plantas em geral; quenquém-de-monte-preta (Acromyrmex lobicornis), que corta tanto gramíneas quanto plantas de folhas largas; quenquém mineira-preta (Acromyrmex lundi), que ataca plantas em florestas cultivadas e também na agricultura em geral.

São também prejudiciais a quenquém mineira-da-amazônia (Acromyrmex octospinosus), cortadeira de plantas de folhas largas e plantas em florestas cultivadas; formiga-quiçaçá (Acromyrmex rugosus), ataca plantas de eucalipto e plantas de folhas largas; formiga-de-rodeio (Acromyrmex striatus), que corta folhas largas, podendo cortar também plantas de eucalipto; e quenquém-de-cisco-graúda (Acromyrmex subterraneus), que corta plantas de folhas largas, mas também é importante para a cultura de eucalipto e pinus.

Desfolha – As formigas cortadeiras, tanto saúvas quanto quenquéns, são insetos desfolhadores. Sua ação provoca diminuição da fotossíntese do vegetal e pode ser tão drástica, com o corte contínuo de folhas e ramos tenros, a ponto de as plantas sucumbirem em razão da intensa desfolha.

Nas culturas de pinus e eucalipto, que têm como principais pragas a saúva-limão e a saúva-cabeça-de-vidro, a falta de controle dos formigueiros pode trazer perdas significativas. Pesquisadores estimam que são necessárias 86 árvores de eucalipto e 161 árvores de pinus para abastecer, com substrato, um sauveiro durante um ano, num total de uma tonelada de vegetais. Levando-se em conta uma média de quatro sauveiros adultos por hectare, tem-se um consumo estimado de 4 toneladas de folhas, o que corresponde à perdas entre 14% e 14,5% da produção de madeira por hectare. Em florestas implantadas de Pinus e de Eucaliptos, as formigas cortadeiras destacam-se como as principais pragas, especialmente nas fases de pré-corte (áreas de reforma ou condução da floresta) e imediatamente após o plantio ou no início da condução de brotação.

Colônias de formigas adultas são as que têm a partir de três anos de idade. A estimativa sobre a população de cada colônia é muito variável, mas pode chegar a até sete milhões de indivíduos.

Os produtores de cana-de-açúcar também deveriam estar mais atentos para o surgimento de formigas em suas plantações. Segundo o pesquisador Luiz Carlos Forti, professor de Entomologia Agrícola da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, campus de Botucatu/SP, há dados de que uma única colônia da saúva mata-pasto ocasiona perdas médias de 3,2 toneladas de cana por hectare, considerando uma produtividade de 60 toneladas/ha. "É comum haver até quatro colônias por hectare no canavial, o que demonstra que os prejuízos são importantes", diz ele.

Em pastagens, os pequenos insetos também são capazes de causar estragos intensos. Estimativa feita por alguns autores dão conta de que as saúvas reduzem a capacidade dos pastos em até 50%. "Já visitei pastos nos quais o pecuarista não conseguia engordar os bovinos que fossem colocados lá", atesta Forti. Na opinião do pesquisador, entretanto, a maioria dos criadores não parece se incomodar com as formigas cortadeiras, até que verifiquem os prejuízos na ponta do lápis.

"Nosso pecuarista, em geral, trabalha ainda no sistema extrativista: tem grandes extensões de terra cultivadas com os capins, coloca lá seu gado e o que tirar é lucro", comenta o entomologista. "Não se incomoda muito com reforma dos pastos, com a erosão provocada pela intensa lotação pelos bovinos e também não dá muita importância para as pragas, com exceção talvez da cigarrinha-das-pastagens", considera. "Quando se dão conta, o problema com as formigas está tão grande que fica difícil e caro controlar", comenta.

Os prejuízos provocados na cultura de citros ainda não foram quantificados no Brasil, mas na América Central plantas adultas morrem após repetidos ataques da saúva-da-mata. Culturas anuais freqüentemente são atacadas por formigas cortadeiras, mas não se sabe exatamente o quanto é perdido. Conforme Luiz Carlos Forti, para todas as culturas, embora não existam dados conclusivos sobre as perdas, pode-se afirmar que quando as plantas são novas os danos podem chegar a 100%.

Diferenças morfológicas – As formigas saúvas diferenciam-se em vários aspectos das quenquéns, embora na maioria das vezes essas diferenças passem desapercebidas dos agricultores. As formigas cortadeiras do gênero Atta (saúvas) são maiores e possuem três pares de espinhos no dorso do tórax, enquanto as do gênero Acromyrmex (quenquéns) possuem quatro ou cinco pares.

Segundo trabalho publicado pelo professor Luiz Carlos Forti, em parceria com a também professora de Entomologia Maria Castellani Boaretto, nas colônias de saúvas podem ser encontradas formigas operárias muito pequenas, com menos de2 mm de comprimento de corpo, até operárias grandes, com 1,5cm. Essas operárias grandes são chamadas soldados e estão ausentes nas colônias de quenquéns. Ainda segundo os pesquisadores, a rainha de quenquém é 10 vezes mais pesada que uma operária média, enquanto entre as saúvas a rainha é 50 vezes mais pesada que uma operária de sua colônia.

Outra diferença mais facilmente perceptível é que os ninhos de saúva, vistos externamente, possuem grande quantidade de terra solta, comumente mais de 50 metros quadrados, enquanto que os ninhos de quenquéns não ultrapassam 5 metros quadrados de superfície de terra solta. A terra na superfície forma o murundun, que caracteriza os formigueiros. Internamente, os ninhos de saúvas podem ter até 8 mil câmaras de cultivo de fungo, com profundidade de até 8 metros. Já os ninhos de quenquéns são bem menores, com 5 câmaras no máximo e podem atingir 2 metros de profundidade. Os ninhos de quenquéns podem abrigar populações de até 175 mil formigas, enquanto os ninhos de saúvas podem ter de 3,5 a 7 milhões de indivíduos.

Fundação da colônia — Segundo o professor Luiz Carlos Forti, as colônias de formigas cortadeiras maduras, após o terceiro ano de idade, produzem anualmente formigas aladas, machos (bitus) e fêmeas (içás ou tanajuras), que abandonam o ninho onde foram gerados para fundarem novas colônias e perpetuar a espécie. Comumente, a dispersão em vôo nupcial se dá, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, de setembro a dezembro, e no Sul do Brasil de junho a dezembro, períodos que coincidem com o início das chuvas e também com a época mais quente do ano. "O pico do vôo nupcial se dá no final de outubro", comenta Forti. O número de içás e bitus envolvido em uma revoada é grande e, dependendo da espécie, pode alcançar cerca de 3.000 içás e 20.000 bitus.

A rainha da saúva, depois de fecundada em vôo nupcial por três a oito machos, desce ao solo e retira suas asas. Depois do acasalamento, o macho morre, e a rainha começa a perfurar o solo para construir uma câmara inicial, hemisférica, cujo canal situa-se a uma profundidade que varia de 8cm a 25cm. Esse canal, conforme relatam Forti e Maria Boaretto, é vedado com terra escavada pela própria rainha. A fundação dessa câmara, onde a rainha fica enclausurada entre 80 e 100 dias, dura cerca de 10 horas.

Antes de sair da "colônia-mãe" para o vôo nupcial, a içá aloja uma pelota de fungo em uma cavidade dentro da boca. Logo depois que se enclausura na câmara inicial, ela regurgita esse fungo no chão da nova colônia e começa a cultivá-lo com suas próprias fezes e secreções. Durante o tempo de clausura, a rainha coloca ovos grandes de alimentação, que servirão de nutrição das larvas, e ovos pequenos, que dão origem a operárias. Essas operárias cuidam do fungo, das larvas e promovem a limpeza mútua e a da rainha. Segundo Luiz Forti, as rainhas podem viver por até 22 anos em condições de laboratório e 15 anos em condições de campo. Já a vida das operárias tem a duração de poucos meses.

Embora esteja sendo estudado intensamente nesta última década, pouco se sabe sobre o fungo do qual se alimentam as cortadeiras. "Sabemos que o fungo de algumas espécies de saúvas e quenquéns é o mesmo, e que dentro das colônias existem fungos parasitos desse fungo", declara Forti. "Quando a colônia sofre qualquer desequilíbrio, os fungos parasitos podem matar a colônia", explica.

Cerca de três meses depois da fundação da câmara inicial, a colônia é reaberta e as formigas começam, então, a trazer folhas para dentro, para servir de substrato ao fungo. "É quando começam os prejuízos", observa Forti. O segundo orifício (olheiro) é aberto depois de aproximadamente 421 dias, a partir de quando o sauveiro expande-se rapidamente.

Nos ninhos adultos, conforme Forti, a população é composta de indivíduos morfologicamente diferentes. As operárias constituem a grande maioria no sauveiro e são responsáveis pela alimentação. De acordo com o seu tamanho, dividem-se em quatro categorias: soldados, as maiores, relacionadas com a defesa; cortadeiras, de tamanho médio, que

cortam e transportam os fragmentos de folhas; as generalistas, um pouco menores; e as jardineiras, mais diminutas ainda, estão envolvidas com o cultivo e inoculação do fungo, alimentação das larvas e da rainha e retirada de material que não é aproveitado, que é levado para uma câmara de lixo.

Formas de controle — Um conceito muito importante em Entomologia Agrícola diz respeito à determinação de quando um inseto é considerado praga. Quando ocorre em uma cultura sem causar dano econômico, não é visto como tal. Mas quando o homem limpa um campo para o plantio causa um desequilíbrio que, juntamente com a fartura de alimento proveniente da plantação, pode favorecer o aumento populacional de insetos fitófagos, causadores de danos à cultura. Neste caso, há uma queda na produção agrícola e, conseqüentemente, um prejuízo. Considera-se então este inseto como praga, sendo recomendado o controle.

Vários métodos mecânicos, culturais, biológicos e químicos têm sido estudado para o controle das formigas cortadeiras. Segundo Luiz Carlos Forti, desde os anos 50, com o desenvolvimento dos inseticidas sintéticos, os métodos químicos têm sido utilizados com eficácia no combate de saúvas e quenquéns.

O controle mecânico consiste, conforme o pesquisador, na escavação do ninho para a retirada da rainha. Essa técnica não é recomendável para colônias de saúvas com mais de quatro meses de idade, pois, a partir daí, a rainha encontra-se alojada a uma profundidade superior a 1,5 metro, tornando-se impraticável sua retirada. "Na prática, o controle mecânico é inviável em áreas de plantios comerciais, em reflorestamentos e sistemas de pastagens", assegura Forti.

O controle biológico por meio de inimigos naturais também é muito importante na regulação das populações de formigas cortadeiras. As aves exercem um controle significativo, principalmente na fase da revoada, alimentando-se das içás e bitus. Algumas espécies de aranhas, besouros, ácaros e várias espécies de formigas predadoras também se destacam.

Já o controle químico, apesar de suas várias restrições, é o único que, segundo Forti, apresenta tecnologia disponível para utilização prática no controle das formigas cortadeiras. Ele pode ser realizado por meio de pós secos, gases liquefeitos, líquidos termonebulizáveis e iscas granuladas.

Os pós secos são formicidas formulados em veículos sólidos, como o talco, para serem aplicados com bombas manuais insufladoras de pó denominados polvilhadeiras. A morte das formigas ocorre pelo contato direto com o produto, que é injetado nos olheiros por meio de uma mangueira, visando atingir o interior do formigueiro. A utilização de formicidas pós apresenta fortes limitações, como a impossibilidade de penetração do produto nas câmaras de ninhos adultos, dada a sua complexidade estrutural. Outro fator limitante é que o solo úmido dificulta a penetração do pó. "Além disso, há a necessidade de remoção da terra solta entre 24 e 48 horas antes da aplicação, o que torna a técnica trabalhosa e onerosa", comenta Forti.

Os formicidas líquidos, largamente utilizados no passado, foram rapidamente substituídos por iscas tóxicas ou líquidos termonebulizáveis. Isso porque os produtos testados apresentavam baixa eficiência, decorrente da necessidade dos líquidos entrarem em contato com as formigas, além do dispendioso trabalho de perfuração do ninho e perdas pela absorção do solo.

Outra forma de controle é o emprego de gases tóxicos fumigantes, um dos métodos pioneiros de combate a esses insetos. De acordo com Luiz Carlos Forti, o brometo de metila é o único produto fumigante permitido para esse fim. "No entanto, apesar de altamente eficaz, apresenta elevado custo, exige mão-de-obra especializada para sua aplicação, sendo de alta periculosidade para o aplicador", destaca. O produto, segundo o pesquisador, é comercializado sob a forma líquida em embalagens de pronto uso, dispensando o emprego de equipamentos. Sua utilização está prevista para até o ano 2005.

Um processo de controle também muito eficiente, que pode ser aliado à isca tóxica, conforme Forti, é a termonebulização. Consiste na produção de uma "fumaça" tóxica (gotas em torno de 50 micras), a partir de um formicida veiculado em óleo mineral ou diesel sob a ação do calor, aplicado diretamente nos orifícios sobre o monte de terra solta, com os termonebulizadores. A "fumaça" é injetada por meio de uma mangueira. Destaca-se como um método eficiente para combate de grandes ninhos e em áreas extensas, como canaviais. Mas apresenta desvantagens operacional e econômica, especialmente com a manutenção dos equipamentos. "O termonebulizador tem um custo relativamente alto, entre R$ 1.200,00 e R$ 2.800,00", comenta o pesquisador.

Iscas tóxicas — O método de controle com iscas tóxicas é defendido por Luiz Carlos Forti como o mais eficiente e o menos oneroso entre todos os outros. As iscas são formadas por uma mistura de um substrato atrativo com um princípio ativo tóxico, na forma de pellets. Esses pellets são distribuídos nas trilhas, próximas à colônia, e transportados ao interior do ninho pelas próprias formigas. É a técnica mais comum de controle de formigas cortadeiras. "Trata-se de método eficiente, prático e econômico, embora apresente limitações como a impossibilidade de utilização em períodos chuvosos e em áreas muito extensas", declara.

O substrato ativo é a polpa cítrica desidratada, embora outros materiais já tenham sido utilizados, como o milho, folha de eucalipto, farinha de mandioca, farelo de soja, bagaço e melaço de cana. O inseticida geralmente é dissolvido em óleo de soja refinado e, posteriormente, incorporado ao substrato. O inseticida formulado em isca tóxica deve agir por ingestão e apresentar algumas características, dentre elas a ação tóxica retardada, com mortalidade menor de 15% após o primeiro dia e maior que 85% após o décimo-quarto dia a partir do oferecimento das iscas.

Deve ainda ser letal em baixas concentrações, inodoro, não repelente e não causar danos ambientais. Até 1992, só havia um ingrediente ativo no mercado, o dodecacloro, um produto do grupo dos organoclorados, portanto, persistente no solo e bioacumulativo e sob suspeitas de provocar câncer. Atualmente, dois princípios ativos de ação lenta e de ingestão estão sendo utilizados com sucesso em iscas tóxicas: a sulfluramida e o fipronil. O princípio ativo deve atuar lentamente, para que seja distribuído em todas as panelas de fungo, onde será mastigado e repassado entre as formigas, atingindo todas as castas do formigueiro. Atualmente, são comercializadas no Brasil cerca de 12 mil toneladas de iscas formicidas por ano.

Segundo Forti, há alguns equívocos populares em relação às iscas tóxicas. "Muitas pessoas dizem que as iscas matam porque exalam gás, o que não é verdade. Se exalasse gás, as formigas nem a levariam para os ninhos", esclarece. Quando transportam as iscas, as formigas "lambem" os pellets e ingerem pequenas quantidades de partículas com inseticida, ocorrendo a intoxicação por ingestão e, provavelmente, por pequena ação de contato.

Os pellets, depois de hidratados dentro do ninho, se fragmentam, possibilitando às operárias incorporarem esses pedaços seis horas depois de oferecidos. Comprovou-se que 50% a 70% das operárias da colônia ficam contaminadas com o inseticida num período de 24 horas. Com a mortalidade das operárias, há uma desorganização geral na cultura de fungo, possibilitando o crescimento de fungos parasitos contaminantes, levando o formigueiro à morte em poucos dias.

Os meses mais indicados para a colocação das iscas, conforme Luiz Forti, são entre abril e setembro, embora possam ser utilizados em outras épocas do ano. "Como é um material muito desidratado, se for aplicado em solo úmido vai hidratar, se desfazer e as formigas não vão levá-lo", explica o pesquisador. "Mas, dias após uma chuva intensa, sem que haja previsão de mais precipitações, ela pode ser aplicada e também funciona. Tudo é questão de planejamento", declara.

O cálculo da área para saber o volume de formicida a ser aplicado também é muito importante. De modo geral, a área é calculada medindo-se a maior largura pelo maior comprimento do murundum e, em seguida, multiplicando as duas medidas. Uma colônia de saúva com 10 metros de comprimento e 5 metros de largura tem uma área de 50 metros quadrados. Se o fabricante recomenda 10 gramas de isca formicida para cada metro quadrado, a quantidade de isca a ser colocada é de 500 gramas. "As iscas nunca devem ser aplicadas em dose menor que as recomendadas e devem ser colocadas ao lado das trilhas ativas, sem interromper o fluxo das formigas", ensina Forti. "Elas devem ser carregadas pelas formigas, nunca colocadas diretamente nos olheiros", complementa.

A isca formicida não deve ser armazenada junto com outros produtos químicos para não prejudicar sua atratividade. Sua aplicação, como qualquer outro inseticida , requer cuidados no manuseio. O aplicador deve usar botas ou botinas, luvas de PVC, calça e camisa compridas e máscaras para pó.

Controle preventivo – O velho chavão de que é melhor prevenir que remediar também serve para o controle de cortadeiras nas lavouras. "Quando se faz agricultura é preciso planejar as ações", defende Forti. "Assim como o agricultor planeja a aração, gradeação, tem de planejar o controle das formigas também", ressalta. "O produtor rural tem de ter em mente que precisa, antes de mais nada, matar a formiga na época certa, aplicar o inseticida correto e só depois fazer as operações de movimentação do solo", ensina. Se colocar máquinas pesadas para trabalhar a terra antes de liquidar as formigas, podem sobrevir alguns dissabores.

Com a cana-de-açúcar, por exemplo, cujo método de controle mais comum é a termonebulização, há uma dificuldade a mais no combate das formigas pela própria mecanização. "As máquinas pesadas e a própria desestruturação do solo descaracterizam os ninhos, destruindo parte deles", explica Forti. "Se os canais do ninho não estiverem perfeitos, a fumaça tóxica não vai circular adequadamente e dificilmente vai atingir as câmaras de fungo", observa. "Daí a necessidade de planejar. Se todos tivessem planejamento, não teríamos grandes problemas com formigas", completa.

Revista A GRANJA junho/2000