
Ricardo A. L. Brito
Embrapa Milho e Sorgo / Sete Lagoas/MG
Tradicionalmente, a
aplicação de agroquímicos (fertilizantes e defensivos) na agricultura tem sido
feita com o uso de pulverizadores costais ou mecanizados. Esse processo tem
alguns inconvenientes, tais como: o contato do produtor rural com o defensivo
aplicado e a baixa uniformidade de aplicação, principalmente no caso manual.
Outra característica da operação através de pulverizadores é a dificuldade de
se efetuar várias aplicações, em função do custo da operação e da mão-de-obra
necessária, sem falar da necessidade de transitar com máquinas e implementos no
meio da lavoura, aumentando os riscos de danos à cultura e de compactação do
solo.Como alternativa para a aplicação de produtos na lavoura, nos Estados
Unidos, na década de 50, começou-se a utilizar os sistemas de irrigação por
aspersão para aplicar fertilizantes, o que se chamou de "fertigação".
Com a popularização dessa prática e a evolução nos sistemas de irrigação e na
formulação dos agroquímicos, foram sendo incorporados novos produtos no
processo e, na década de 70, iniciou-se a prática de aplicar também herbicidas,
fungicidas, inseticidas e nematicidas. Isto deu origem ao termo
"quimigação", referindo-se aos agroquímicos, em geral, e não mais restrito
aos fertilizantes.Apesar de existirem casos em que se faz quimigação usando a
irrigação por gravidade (sulcos, bordas, bacias em nível etc.), são os métodos
pressurizados (aspersão e localizada) os que melhor se adaptam ao processo.
Atualmente, os sistemas por aspersão convencional, pivô central, microaspersão
e gotejamento são os mais usados para aplicação de agroquímicos.
Paulo Afonso Viana /
Embrapa Milho e Sorgo
Na insetigação, o sistema
de irrigação por aspersão tem sido o método mais utilizado para a aplicação dos
inseticidas. A técnica iniciou-se na América do Norte, na década de 60, visando
o controle de pragas foliares, com a utilização dos inseticidas azinphos-methyl
e carbaryl. Na década seguinte, foi desenvolvida uma série de testes em sistema
por aspersão, obtendo-se excelente controle da primeira e segunda gerações de
brocas que atacam a cultura do milho.
No Brasil, a insetigação
começou a ser utilizada na década de 80, havendo grande escassez de informações
técnicas para as nossas condições. Atualmente, com a expansão de áreas
agrícolas irrigadas, têm-se utilizado aplicações de inseticidas via irrigação
por aspersão, muitas vezes, sem se conhecerem parâmetros técnicos necessários
para se obter a melhor eficiência e redução de riscos oriundos de qualquer
utilização de defensivos agrícolas.A insetigação tem sido utilizada com sucesso
para o controle de diversas pragas, em várias culturas. Entretanto, existem
exemplos de insucessos, indicando que o método não se aplica para todas as
condições.
Fatores que
influenciam a insetigação - As condições ambientais são preponderantes para o sucesso da
insetigação. A velocidade do vento influi na distribuição do inseticida,
através de derivas, e aumenta a evaporação, causando a perda de inseticidas mais
voláteis. Os defensivos agrícolas não devem ser aplicados em sistemas móveis de
irrigação, com velocidade de vento superior a 16km por hora, e em sistema
convencional (lateral portátil), com velocidade superior a 10,5km por hora. A
umidade relativa do ar e a temperatura afetam também a evaporação. Se a umidade
é baixa durante a aplicação, a evaporação ocorre rapidamente. Temperatura alta
aumenta a perda de água, impedindo que o inseticida atinja a praga quando essa
se localiza mais profundamente no solo. A eficiência dos inseticidas dependerá
da ocorrência de chuvas após a aplicação, sendo influenciada pelo volume,
intensidade e distribuição. Esses fatores irão determinar quanto do inseticida
irá permanecer na folhagem das plantas e penetrar no solo.
A textura e a umidade do
solo afetam o desempenho dos inseticidas que visam controlar as pragas
subterrâneas. Geralmente, os inseticidas movimentam-se melhor em solos
arenosos, com baixo teor de matéria orgânica. Em solos com alto teor de matéria
orgânica, os inseticidas tendem a ser absorvidos, retardando o seu movimento. A
umidade do solo durante a aplicação influencia a penetração do inseticida no
solo. Em solo mais seco, a penetração da água e do inseticida é menor do que
num mais úmido.
A eficiência da insetigação
depende da seleção correta do inseticida. As pragas das culturas alimentam-se
de diferentes regiões das plantas, como: folhas, colmo, espigas, panícula,
raízes e frutos. O ataque em cada uma dessas regiões pode requerer uma
determinada formulação do inseticida, visando maior eficiência de controle. A
aplicação de inseticidas visando o controle de pragas da parte aérea da planta
tem sido a mais estudada para insetigação. Entretanto, resultados de pesquisa
indicam que algumas formulações utilizadas para pragas da parte aérea também
controlam as de solo. A formulação para o controle efetivo de pragas
subterrâneas geralmente requer as mesmas características de determinados
herbicidas quanto à solubilidade em água, umidade do solo precedendo a
aplicação, quantidade da água aplicada, tipo de solo e química do inseticida
propriamente dita.
A solubilidade do
inseticida em água é um aspecto preponderante a ser observado. No início de
trabalhos com insetigação, observou-se que inseticidas insolúveis em água eram
os mais eficientes no controle de pragas e que a eficácia de alguns produtos
poderia aumentar com a adição de um óleo não-emulsificante. Constatou-se que os
inseticidas solúveis em água eram lavados da folhagem durante a irrigação e
caíam no solo, reduzindo a eficiência do controle das pragas da parte aérea da
planta. Já os inseticidas insolúveis em água e solúveis em óleo ficavam
encapsulados em gotículas de água, sem perder a sua identidade no sistema de
irrigação. Na aplicação, aderiam às partes aéreas das plantas e nos corpos
(cutícula) do inseto, aumentando a sua eficiência. Vários estudos foram
conduzidos e confirmaram o aumento da eficiência dos inseticidas misturados ao
óleo vegetal bruto ou óleo mineral. Pesquisas realizadas na Geórgia, EUA,
sugeriam que o óleo reduz a lavagem do inseticida da planta. Entretanto,
estudos posteriores mostram que para alguns inseticidas como os piretróides e
chlorpyryphos a adição de óleo não é sempre necessária. Recentemente, tem-se
verificado que nem sempre a mistura de óleo na insetigação aumenta a eficiência
de controle da praga.
As doses dos inseticidas
aplicadas na insetigação são, na maioria das vezes, as mesmas utilizadas em
pulverizações pelos métodos convencionais (tratorizada ou costal). Na evolução
da insetigação, observa-se que as primeiras avaliações de inseticidas para esse
emprego basearam-se em produtos que apresentavam eficiência comprovada através
de pulverização para o controle de determinada praga. Para a insetigação, a
concentração do inseticida é drasticamente reduzida, em comparação com uma
pulverização convencional. Enquanto que na pulverização utiliza-se, em termos
médios, um volume entre 200 e 300 litros de calda por hectare, na insetigação o
volume tem variado de 25.000 a 100.000 litros/ha. Embora isso possa aparentar
uma desvantagem da insetigação com relação à pulverização convencional, na
prática, em alguns casos, torna-se uma vantagem. Ou seja, embora menos
concentrada, a insetigação atinge o local onde a praga está localizada, sendo
que a pulverização às vezes não consegue este objetivo. Isso explica que os
maiores sucessos da insetigação tenham ocorrido em plantas com arquitetura
parecida com a do milho, semelhante a um cálice, favorecendo a captação da
calda inseticida no cartucho e nas bainhas das folhas.
A seleção da quantidade
de água a ser aplicada na insetigação depende de vários fatores. Entre os
limitantes, destacam-se aspectos relacionados à biologia da praga a ser controlada.
Para o controle de pragas subterrâneas, o inseticida é conduzido através do
solo pela água de irrigação até atingir a praga. São fatores de grande
importância para a quimigação a avaliação da umidade do solo e a estimativa da
distância que o químico percorre no solo durante a irrigação. Os inseticidas e
outros pesticidas movem-se somente uma porção da distância que a água percorre
no solo. Se a quantidade de água é aplicada em excesso, o inseticida pode ficar
abaixo da região do ataque da praga. Em caso contrário, pode ficar
superficialmente e ser decomposto por raios ultravioleta ou perdido por
volatilização.
Em determinadas condições
climáticas, torna-se necessário irrigar a cultura em espaço relativamente curto
após a insetigação. Neste caso, a persistência do inseticida dependerá da
formulação, que será afetada pela ação da luz, água e metabolismo da planta.
Trabalhos mostrando o efeito da lavagem dos inseticidas toxaphene, parathion
metílico, EPN e fenvalerate, por precipitação ocorrida duas horas após a
aplicação, concluíram que somente 5 a 10% do toxaphene foi lavado, sendo que os
demais inseticidas foram de 40 a 90% lavados.
Em outra situação,
lâminas de 2,5 e 12,7mm de água após a insetigação não mostraram diferença
sobre o resíduo do inseticida chlorpyriphos nas folhas de milho e no solo.
A qualidade da água
também pode afetar a eficiência da insetigação. Isso é particularmente
importante para grandes áreas insetigadas ou quando enormes volumes de água são
aplicados e a calda inseticida permanece no tanque por vários dias até que a
aplicação termine. Certos inseticidas, particularmente alguns organofosforados,
podem perder a sua atividade por hidrólise alcalina. Em regiões onde a água é
alcalina, deve-se observar o rótulo para selecionar o inseticida correto. Caso
contrário, recomenda-se utilizar aditivos durante a insetigação.

Cientistas do
Agricultural Research Service, em Tifton, naGeorgia, Estados Unidos: simulação
de chuva química em futuros plots de milho.
Entre os fatores
descritos que afetam a distribuição de químicos, detacam-se o tipo de injeção
da calda, tipo de aspersores e a velocidade da água dentro da tubulação de
irrigação. Para o controle de algumas pragas como brocas do colmo do milho,
estudos mostram melhor eficiência para inseticidas aplicados com aspersores de
alta pressão, enquanto que para pragas de folhas, como a lagarta-do-cartucho e
a lagarta-da-espiga, não foi encontrada diferença no desempenho do inseticida,
para tipo de aspersores e sistema de pressão utilizado. Usualmente,
recomenda-se avaliar a pressão operacional, o tipo e a taxa de injeção do
químico no sistema de irrigação, para cada caso de quimigação.
A pressão de operação e o
diâmetro do bico do aspersor podem mudar significativamente o diâmetro da gota
na insetigação. O tamanho da gota que cai sobre a planta influencia a
quantidade e a distribuição do inseticida retido nas folhas, resultando no
efetivo controle da praga. O efeito do tamanho das gotas na eficiência do
inseticida varia com a formulação, sendo importante principalmente para a
mistura inseticida/óleo vegetal.
A velocidade do fluxo de
água dentro da tubulação também afeta a eficiência da insetigação. O controle
da lagarta-do-cartucho em milho foi mais eficiente com o inseticida
chlorpyriphos quando a velocidade da água na tubulação foi de 2,7m/s, do que a
0,9m/s, indiferentemente do tipo de aspersor utilizado. A velocidade do fluxo
de água tem pouca influência sobre formulações solúveis em água e muita sobre
formulações solúveis em óleo. A explicação mais aceita é que a velocidade do
fluxo decresce com o aumento da distância do ponto de injeção, reduzindo a
distribuição homogênea do químico na tubulação. Velocidade de água inferior a
1,1m/s no ponto de injeção pode não ser suficiente para "quebrar" as
gotículas de óleo com inseticida, permitindo que gotas maiores flutuem na água
e saiam pelos aspersores mais próximos à base do pivô. Em insetigação realizada
sobre milho-doce, com a velocidade da água de 1,1m/s utilizando um pivô com
torre de 48m e aspersores de impacto, mais inseticida foi colocado próximo à
base do que ao longo da torre, resultando em um controle desuniforme da
lagarta-da-espiga.
Em um sistema de
produção, é comum coincidir a época de aplicar o fertilizante e a necessidade
de realizar o controle de uma praga. Observações indicam que os inseticidas
chlorpyriphos, permethrin e fenvalerate podem ser aplicados com fertilizantes
nitrogenados na mesma água de irrigação, desde que sejam injetados
independentemente. Alguns trabalhos mostram excelente controle das
lagartas-do-cartucho e da espiga em milho, misturando o inseticida
chlorpyriphos com um dos piretróides, permethrin, fenvalerate ou cypermethrin.
Entretanto, devido ao grande número de inseticidas existentes no mercado e à
quase inexistência de trabalhos de compatibilidade de inseticidas com outros
químicos quando injetados simultaneamente ou realizada a mistura no tanque,
tem-se evitado esse tipo de aplicação.
|
Aplicações(a) |
Custo fixo (b) |
Custo variável(c) |
Custo total |
Convencional / custo total (d) |
Economia da quimigação |
|
1F |
8,56 |
4,50 |
13,06 |
6,20 |
-6,86 |
|
1F.1H |
4,28 |
9,30 |
13,28 |
20,20 |
6,92 |
|
2F.1F |
2,85 |
13,50 |
16,35 |
26,40 |
10,05 |
|
2F.1H.1I |
2,14 |
14,78 |
16,92 |
32,00 |
15,08 |
|
2.F.1H.1I.1Fg |
1,71 |
16,06 |
17,77 |
37,60 |
19,83 |
|
2F.1H.2I.1Fg |
1,43 |
17,34 |
18,77 |
43,20 |
24,43 |
|
2F.1H.4I |
1,22 |
18,62 |
19,84 |
48,80 |
28,96 |
|
3F.1H.4I |
1,07 |
23,12 |
24,19 |
55,00 |
30,81 |
|
3F.2H.4Fg |
0,95 |
27,62 |
28,57 |
69,00 |
40,43 |
|
3F.2H.5I |
0,86 |
29,90 |
29,76 |
74,60 |
44,84 |
(a) Número de aplicações/ano
e tipo de produto: F=fertilizante; H= herbicida; Fg= fungicida .
(b) Assumiu-se custo fixo do sistema de quimigação de US$ 4.000,00, mais US$
2,00/ha custo de manutenção.
(c) Baseado no custo operacional de um pivô de 61 hectares / (d) Assumiu-se
custo trator = custo avião .
Fonte: Johnson.
A. W. et al., Plant diease, 1986 (70), pg. 998-1004 Fone: (051) 225-0933
Nicésio de Almeida Pinto
/ Embrapa Milho e Sorgo
Em países de agricultura
irrigada altamente tecnificada, o controle de doenças fúngicas em plantas,
freqüentemente, é feito mediante aplicações de fungicidas em sistemas de
irrigação por aspersão convencional, pivô central, gotejamento, autopropelido
etc. Essa prática tem mostrado, na maioria dos casos, eficiência e segurança. No
Brasil, porém, tem sido adotada sem um adequado embasamento científico,
principalmente por agricultores que possuem pivôs centrais.
Vantagens e
desvantagens -
Diversos fatores que retardam as aplicações de fungicidas em pulverizações
convencionais ou aéreas não interferem na fungigação, como a alta umidade do
solo, que impede a pulverização tratorizada. Via pivô central, o fungicida pode
ser aplicado em estágio de desenvolvimento mais adiantado da cultura do que com
equipamentos de pulverização convencional. Isso é importante para o controle de
doenças como o mofo-branco, que ataca o feijoeiro. A fungigação também pode ser
realizada durante os períodos de nevoeiro, neblina e noturno, enquanto que
essas condições impedem a aplicação aérea.
São vantagens da fungigação:
economia de mão-de-obra, boa uniformidade de aplicação, pouco contato do
operador com os defensivos, possibilidades de aplicação em qualquer fase do
ciclo da cultura, menor dano físico ao solo (não-compactação) e à cultura,
maximização do uso dos equipamentos de irrigação, redução dos custos, melhor
cobertura da superfície da planta e do solo.
Algumas desvantagens da
fungigação devem ser mencionadas: possibilidade de distribuição irregular da
lâmina de água ao longo dos aspersores, corrosão dos equipamentos promovida por
alguns fungicidas, possibilidade de contaminação dos mananciais hídricos,
altíssima diluição dos produtos, baixa retenção de fungicida pelas folhas,
possibilidade de contaminação do lençol freático e de águas subterrâneas.
Maximizando a
eficiência da fungigação - Para se obter maior uniformidade de distribuição dos fungicidas
aplicados via água, deve-se selecionar as formulações de baixíssima
solubilidade em água, pois isso evitará a rápida injeção do produto na
tubulação de recalque e de aspersão e auxiliará a uniformidade de distribuição
do produto nos aspersores e gotejadores. Os fungicidas devem ser usados,
preferencialmente, na mesma dose recomendada para a aplicação convencional.
A adição de óleos
não-emulsionáveis (derivados de petróleo e vegetais) às formulações comerciais
de fungicidas aumenta a sua retenção e redistribuição na cobertura foliar
(folhas do ápice, medianas e baixeiras). A relação do fungicida/óleo mais usada
é de 1:1,8. Mais recentemente, alguns fungicidas têm sido formulados em óleo.
Se a água apresentar boa qualidade para irrigação, ela também se prestará à
fungigação. Recomenda-se uma análise prévia de sua qualidade, no tocante à
concentração de sais solúveis, porcentagem de sódio, concentração de boro e concentração
de cloro e deve-se evitar as faixas extremas de acidez e alcalinidade.
A uniformidade de
distribuição do fungicida é sempre proporcional à uniformidade da distribuição
da água pelo sistema de irrigação. Em aplicações aéreas de fungicidas e por aspersão
convencional, obtêm-se coeficientes de uniformidade de 70% e 85%,
respectivamente. Quando adequadamente calibradas e operadas, aplicações via
pivô central e autopropelido podem atingir coeficientes de uniformidade de 90 e
80%, respectivamente.
Os fungicidas sistêmicos
de translocação ascendente na planta apresentam melhor eficiência em fungigação
do que os fungicidas de contato (sem mobilidade na planta), pois parte do
produto que atinge o solo pode ser absorvido pelas raízes, translocando-se para
a parte aérea. O mesmo processo não é observado quando se utilizam fungicidas
de contato. Por outro lado, a fração do fungicida de contato que atinge o solo
pode controlar os patógenos que aí vivem, como os fungos causadores de
podridões em sementes e raízes, e de tombamento de plântulas.
Manejo - Os equipamentos mais utilizados
para a injeção de fungicidas são: as bombas dosadoras, que operam por gravidade
ou sucção; os tanques de solução de agroquímicos, que operam por pressão
negativa; e o aplicador portátil de produtos químicos, que transforma a energia
de velocidade em energia de pressão. Este último só funciona como equipamento
de injeção quando se utiliza a aspersão convencional.
Para que haja sucesso na
fungigação, alguns cuidados devem ser tomados, como o horário e o tempo de
aplicação, a velocidade do vento, a manutenção da cultura limpa, o coeficiente
de uniformidade da lâmina de água, a limpeza do sistema de irrigação após a
aplicação dos defensivos agrícolas etc.
Para fungicidas que visam
o controle de fungos do solo, recomenda-se usar lâminas de água de 10 a 25mm, o
que promove a incorporação desses produtos ao perfil do solo, podendo a
aplicação ser realizada desde o início da irrigação por aspersão. Para os
fungicidas que visam controlar as doenças da parte aérea das plantas,
recomendam-se lâminas de água de 3 a 6mm.
Em pivô central, o tempo
de aplicação é função direta do tempo gasto para dar uma volta completa,
devendo sempre operar a 100% de sua velocidade. Deve-se usar,
preferencialmente, a bomba dosadora, cujo acoplamento se dá num dispositivo
apropriado existente na estrutura do pivô central. Não raro, também nesse
sistema de irrigação, tem-se verificado a injeção de produtos através do tanque
de solução.
No sistema de
gotejamento, o tempo de aplicação pode ser longo, pois o processo de injeção do
produto deve ter baixa vazão, mas com alta freqüência da aplicação.
Recomenda-se usar a bomba dosadora acoplada ao sistema logo após a válvula de
segurança. Os fatores que determinam o sucesso da aplicação por gotejamento, no
que concerne ao movimento do produto no solo, são a superfície molhada e a
profundidade de molhamento.
É conveniente salientar
que os sistemas de fungigação nunca devem operar sem a válvula de segurança,
pois com queda de energia no sistema não haverá riscos de refluxo de fungicidas
dissolvidos na água.
Eficácia - Para o controle de fungos no
solo, a quantidade de água aplicada em irrigação por aspersão para incorporação
do fungicida no perfil do solo deve ser de 1mm de lâmina d'água para cada
centímetro da profundidade desejada.
A diluição dos
fungicidas, mesmo em altos volumes de água, comumente não tem afetado a sua
eficiência no controle de doenças da parte aérea, exceto nas epidemias. Para
exemplificar: visando controlar a doença denominada cercosporiose-da-folha do
amendoim, foi utilizado o fungicida clorotalonil em aplicações via pivô central
ou em pulverização convencional, diluído em aproximadamente 40.000 e 100 litros
de água, respectivamente. Apesar disso, a cercosporiose foi significativamente
reduzida em todas as parcelas tratadas com fungicida, independente do método de
aplicação.

Cultura do feijão:
fungigação oferece ótima alternativa para tratamento de doenças.
Devido ao total
molhamento das plantas, a fungigação faz uma melhor deposição do fungicida na
superfície das folhas, o que, de certo modo, pode compensar a baixa quantidade
do fungicida retida pela folhagem. Ademais, não há diferença no perfil da
cobertura foliar (folhas do topo, medianas e baixeiras) quando as plantas
recebem fungicidas via pivô central.
No Brasil, em estudo
comparativo da eficiência da fungigação realizada via pivô central e o método convencional
de aplicação de fungicidas no controle de oídio e mancha-foliar em feijoeiro
comum, a fungigação mostrou-se melhor que o método convencional, com maior
produtividade e maior peso de sementes, além de menos oídio nas plantas e menos
sementes manchadas. De forma similar, no controle de mofo-branco do feijoeiro,
os fungicidas utilizados apresentaram mais eficiência no controle desta doença
quando aplicados via água de irrigação.
Dow aposta na técnica desde 1985
Eng. agr. Wulf Schmidt A quimigação, sem
dúvida, é uma ferramenta de trabalho excelente. No entanto, é importante
ressaltar que a eficácia de uma aplicação por quimigação está diretamente
relacionada com a uniformidade de distribuição da água. Esta é a primeira
razão para que o produtor irrigante mantenha seu equipamento sempre
calibrado, bem-dimensionado e com as manutenções feitas de acordo com as
recomendações do fabricante, e constantes no projeto de irrigação. É preciso,
portanto, respeitar as limitações do método e, sobretudo, utilizar os
equipamentos de segurança imprescindíveis, a fim de diminuir o risco de
contaminação do meio ambiente, notadamente os mananciais aqüíferos. Esta é, hoje, a
principal preocupação da Dow AgroSciences, que desde 1985 vem apostando no
desenvolvimento da quimigação no Brasil. Deste investimento, consiste
trabalhos de pesquisa a campo, treinamento da equipe de vendas, produtores
influenciadores, extensionistas e consultores, participação em eventos,
coordenação de seminários etc. Com toda esta experiência, podemos afirmar que
o principal e mais comum erro praticado no País é a aplicação de produtos
através de pressão negativa; ou seja: junto à bomba d'água. Esta forma de
injeção de produto, também conhecida como sucção ou gambiarra, está presente na
média de 60% dos pivôs brasileiros que usam quimigação, chegando a 90% em
algumas regiões. Vantagem deste método: baixo custo de implantação.
Desvantagens: baixa precisão na dosagem; aumento da corrosão no conjunto
motobomba; altíssimo risco de contaminação da água, porque o agricultor opera
a poucos metros da fonte d'água. Qualquer rompimento do sistema, como uma
queda de energia, fará a água, que está no cano, refluir para a fonte d'água.
Ocorre que esta "água" já está misturada ao produto. A Dow AgroSciences
é totalmente contrária a esta forma de injeção do produto. Outro risco poucas
vezes lembrado é o de uma explosão. É que muitos produtos utilizados em
agricultura são inflamáveis e combustíveis, e a casa de bombas, na prática,
acaba se transformando num depósito destes, junto com o painel de controle
elétrico do pivô e a própria motobomba. Assim, a posição da Dow AgroSciences,
da ABNT e de várias outras empresas e profissionais da área é a de dizer
"não" ao uso da pressão negativa e incentivar a utilização de uma
bomba injetora, injetando produtos na base do pivô, bem distante da fonte
d'água. A bomba dosadora intertravada é apenas um dos itens de segurança que
se deveria instalar e usar em quimigação. O cuidado com os
aspectos de segurança, é bom repisar, fará com que a quimigação se torne uma
grande oportunidade de ganhos, e não num problema, como aconteceu
recentemente em Goiás, quando o uso de pressão negativa para aplicação em
pivô resultou em grande mortandade de peixes. |
Revista A Granja Maio de 1998