Mar de rosas
Produtores de Pernambuco lucram ao trocar
antigos canaviais pelo cultivo de flores
Dina Duarte
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Geyson
Magno/Lumiar

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Alex
Belem/Lumiar

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A usina Nossa
Senhora do Carmo e os crisântemos
de Arnaldo Serpa: uma nova paisagem no agreste
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Há uma transformação surpreendente em curso na
paisagem da Zona da Mata pernambucana. As plantações de cana-de-açúcar estão
perdendo espaço para, vejam só, belos campos floridos. Fazendas que no
passado foram grandes produtoras de cana agora parecem imensos jardins de
rosas, margaridas, violetas, lírios e cravos. No município de Chã Grande, em
terras antes ocupadas pelos canaviais da usina Nossa Senhora do Carmo, uma
das maiores do Estado em décadas passadas, florescem gladíolos. Em Paulista,
na região metropolitana do Recife, os campos estão cobertos por
coloridíssimas flores tropicais, como a helicônia e o bastão-do-imperador. O principal
produtor é Gravatá, a 83 quilômetros do Recife. Quem conheceu a região na
época da monocultura e chega ao município hoje dificilmente deixa de se
emocionar. A paisagem árida e monótona, identificada com o que há de mais
atrasado na agricultura do Nordeste, em alguns trechos lembra campos
holandeses. A profusão de cores ocupa cerca de 40 hectares, fazendo de
Gravatá o maior pólo de flores do Nordeste e o primeiro na produção de
gladíolos.
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Geyson Magno/Lumiar

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Jovino Neri entre flores
tropicais: livre da "escravidão"
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Além da revolução visual, a novidade está mexendo com a economia. Só na zona
da mata, a floricultura emprega 1.800
agricultores, boa parte oriunda dos canaviais. Com crescimento de 20% ao ano,
Pernambuco responderá por 150 milhões de dólares do bilhão que esse setor vai
faturar em 1999 no Brasil. O plantio de flores nessa região começou a tomar
impulso há cinco anos. Com a falência das usinas, a terra ficou barata,
atraindo uma categoria de produtores muito diferente dos usineiros. É gente
de classe média, com formação superior, como o agrônomo Arnaldo Serpa, que
comprou parte das terras da usina Nossa Senhora do Carmo e começou a produzir
flores. "Fiz a escolha certa. Em um ano, produzo 1.000 pacotes de crisântemos e 10.000 hastes de gladíolos, o que me garante um
faturamento de 9.000 reais mensais",
contabiliza Serpa.
Para fazer florir a árida terra nordestina os
produtores contaram com a ajuda da tecnologia. Os terrenos usados para essas
plantações são irrigados. Mudas melhoradas geneticamente são cultivadas em
estufas modernas, onde é possível controlar a temperatura, a luminosidade e a
umidade do ar. Uma das principais vantagens para quem investe em flores está
na capacidade de obter grande produtividade usando pequenas áreas. Cada
hectare de canavial dá um lucro médio de 2 mil reais por ano. A mesma área,
se utilizada para plantio de violetas, gera 120 mil reais. "Começamos a
nos livrar da escravidão dos canaviais. Comparado ao que se emprega nas
usinas, o investimento na floricultura é baixíssimo. Temos um mercado imenso
para conquistar", diz o produtor Jovino Correia Neri. O faturamento dos
floricultores poderia ser maior. Por enquanto, a produção é quase toda
voltada para o mercado doméstico. Na hora de brigar pelo mercado
internacional, a flor brasileira sofre a concorrência da colombiana, que tem
excelente qualidade e a vantagem de entrar nos Estados Unidos sem pagar
impostos, como parte de um programa de combate à produção de cocaína.
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