O CULTIVO DE ANTÚRIOS

1. INTRODUÇÃO

Sob este nome são conhecidas várias espécies de plantas que pertencem ao gênero Anthurium, um dos mais de 100 gêneros da família Araceae, tipicamente tropical, tendo as Américas do Sul e Central, como principal centro de origem.

São plantas perenes, de caule herbáceo consistente, ascendente, existindo também os tipos acaules. Entre as espécies, há grande variação na forma, tamanho de folhas e inflorescências.

Seu valor ornamental é grande, sendo muito usado como planta de vaso, para jardins interiores e locais pouco insolados. Como flor cortada, seu uso cresce dia a dia por causa da sua durabilidade e conformação típica, sendo comercializada em sua cor original ou artificialmente pintada.

 

2. CLASSIFICAÇÃO

Basicamente, os antúrios podem ser estudados em dois grandes grupos:

1. De folhagem atrativa - aqueles que, mesmo apresentando inflorescência, elas são pouco atraentes, constituindo a folhagem o principal atrativo.

Anthurium crystalinum - folhas cordiformes, cor verde-oliva, aveludadas; nervuras claras e salientes, lobos arredondados, pecíolo cilíndrico ou anguloso e imperfeito; espata oblongo-linear, acuminada e verde.

Anthurium warocqueanum - folhas estreitas, alongadas e pontiagudas, atingindo até 1,20 m de comprimento. Cor verde-escura, aveludada, nervuras marfim, espata pequena, coloração verde-amarelada.

A. magnificum - folhas cordiformes, compridas e vistosas, de coloração verde-oliva, aveludadas, nervuras brancas salientes, pecíolo quadrangular, espata pequena, oblonga e verde. Espádice verde.

A. acaule - haste curta, formando roseta livres; folhas oblongo-lanceoladas, espessas, coriáceas, coloração verde-escura; espata linear, avermelhada no seu interior.

  1. cordatum - folhas sagitadas com amplas cavidades, de coloração verde oliva e áreas verde-pálidas, ao longo das nervuras; pecíolo acanalado. Espata verde, espádice verde-pardo.

2. De florada - aqueles que são cultivados pela beleza de sua flor, que pode ser cortada ou mantida na própria planta.

A. andreanum - o mais comum e de maior valor comercial. Planta ereta, folhas cordiformes, verdes, com espata de tamanho, forma e cor bastante variadas.

Principais variedades:

Var. album - espata branca, espádice branco

Var. amoenum - espata róseo-carmim, espádice branco e amarelo-claro. Var. closoniae - espata grande (20 cm de comprimento por 10 cm de largura) de colorido variado, ápice branco.

Var. gameri - espata vermelho-brilhante.

Var. grandiflorum - espata de colorido variado, com comprimento maior que 20 cm e cerca de 15 cm de largura.

Var. laurenciae - espata vermelha e larga.

Var. lucens - espata vermelho-sangue, muito longa.

Var. giganteum - apresenta espata vermelho-salmão, espádice não muito proeminente, recurvado, branco-amarelado.

Var. rhodochlorum - plantas vigorosas. Espata rosa-clara, espádice branco com amarelo.

Var. roseum - espata cor-de-rosa brilhante.

Var. rubrum - espata vermelho-escura.

Var. salmoneum - espata de coloração salmão.

Var. sanguineum - espata vermelho-sangue.

A. scherzerianum - Porte baixo, folhas alongadas lanceoladas, espessas, espata ovado-oblonga geralmente vermelha, aberta ou recurvada, espádice delgado, enrolado, de coloração amarela. Apresenta diversas variedades caracterizadas pela variação do colorido da espata e pelo seu tamanho.

Esta espécie apresenta mais de 20 variedades catalogadas.

 

3. PRODUÇÃO DE MUDAS

Pode ser conseguida de sementes, rebentos (brotações enraizadas, da porção basilar da planta) e de estacas.

1. Sementes - A produção das mudas é demorada, levando de 4 a 6 anos para florescimento.

O uso da semente é o único meio que se tem, usualmente, para a obtenção de novas variedades, tornando-se, por isto, atrativo. Deve-se, contudo, Ter em mente que pela heterogeneidade genética, a maioria das plantas obtidas não terá valor.

A flor comercial do antúrio é composta pela espata colorida e o espádice, aquela porção cilíndrica que se projeta da espata. O espádice é, na realidade, a inflorescência do antúrio. Ali estão situadas as flores, nuas (sem cálice e sem corola), constituídas apenas dos órgãos sexuais. Ao se observar o espádice, percebe-se que ele é todo constituído de pequenos losangos: os ovários (partes feminina da flor, uma para cada flor, e que são dispostos espiraladamente). No centro de cada losango, existe uma pequena protuberância, o estigma, aparentemente seco e duro, que, na época oportuna, estará apto a receber o pólen. A parte masculina é representada pelos estames, que se desenvolvem entre os ovários na proporção de 4 estames por ovário.

No antúrio, não há coincidência na época de maturação dos órgãos sexuais da mesma flor. O estigma está receptivo (maduro) antes que os grão de pólen sejam liberados das anteras, nos estames. Este fenômeno é chamado protoginia e permite-nos, mais facilmente, controlar a polinização.

A maturação das flores ocorre da base para o ápice do espádice e, em algumas espécies, é indicada também, pela alteração da coloração do espádice.

Para se efetuar a polinização temos, em primeiro lugar, que coletar os grão de pólen. Para tal, devemos preparar um pequeno pincel, macio e seco e um pequeno frasco de vidro ou plástico, com tampa. Com o pincel, recolhemos ao frasco, a massa branca, pulverulenta, que fica visível sobre os espádice, cujos estames estão maduro. O pólen poderá ser usado, imediatamente, ou guardado no frasco, fechado, em geladeira a 5 0C, por alguns dias. Deve-se anotar a data da coleta.

O estigma estará apto para receber o pólen quando se apresentar umedecido com uma gotícula, na superfície. É mais visível pela manhã. O líquido aí contido fixa o grão de pólen e permite sua germinação e crescimento. Cada estigma permanece receptivo, por até 3 dias, dependendo das condições locais. Neste estádio, devemos aplicar sobre o espádice os grão de pólen recolhidos anteriormente. A aplicação deve ser feita com auxílio do pincel macio. Sempre que possível, devemos fazer a polinização pela manhã. Deve-se anotar o nome da variedade que forneceu o pólen e o da variedade polinizada, bem como a data da polinização.

Passados alguns dias, os ovários cujos óvulos foram fecundados, começam a entumescer, originando estão os frutos tipo "baga". Inicialmente verdes, à medida que amadurecem os furtos tomam a cor marro-avermelhada, translúcida. Em face da pressão que as bagas exercem, uma sobre as outras, a baga madura é expulsa, soltando-se do espádice. Da polinização até este estádio podem decorrer até 180 dias.

As bagas maduras devem ser recolhidas, espremidas e lavadas, para se retirar as sementes que estão envoltas pelo endocarpo bastante viscoso. As semente limpas podem ser imediatamente semeadas ou então armazenadas em meio úmido. Em geladeira, por até 20 dias. As semente são esverdeadas e bastante tenras, não devendo ser deixadas secar ao sol.

Deve-se semear em caixas ou mesmo vasos, em meio rico em matéria orgânica. Pode-se usar como substrato uma mistura artificial como: uma parte de areia para uma parte de solo, e para uma parte de esterco curtido (pó-de-xaxim ou mesmo "esfagno").

Deve-se colocar as sementes deitadas, em pequenas covas ou mesmo sulcos, em linhas paralelas, distanciadas de 7 cm entre si. Nas linhas, as sementes devem ficar distanciadas cerca de um centímetro entre si. Cobrem-se as sementes com o mesmos substrato, com uma camada de 5 mm.

Procede-se à irrigação e pode-se cobrir a sementeira com plástico ou mesmo com vidro. De modo que se mantenha a umidade. Dentro de 15 a 18 dias, as sementes estarão germinando.

Quando as plântulas atingirem 3 a 5 cm de altura, faz-se a repicagem para outro recipiente (individual ou coletivo), com substrato que contenha mais solo (talvez duas partes de solo).

2. Rebentos - Quando as plantas apresentam de 3 a 4 anos de idade, começam a emitir brotações nas porções subterrâneas, tendendo a formar touceiras. Estas, quando enraizadas, constituem boas mudas. O principal problema deste sistema é a pequena quantidade de mudas obtidas. Pode-se induzir a produção de maior número de rebentos, podando-se as plantas logo acima do nível do chão.

3. Enraizamento de Estacas - Plantas velhas de 6 a 7 anos, com haste alongadas, podem ser seccionadas em pedaços maiores que 5 cm. As estacas são postas a enraizar, deitadas em sulcos, e cobertas com uma camada de terriço de 5 cm de espessura, aproximadamente. O leito de enraizamento deve ser constituído de uma mistura de terra ( terriço) areia e esterco.

Cobre-se o leito e deve-se manter o teor de umidade bastante uniforme, evitando-se tanto o encharcamento como o ressecamento do leito.

Quando a brotação apresentar de 4 a 5 folhas, destaca-se a muda, com canivete afiado. Novas brotações podem surgir da mesma estaca, após o arrancamento das mudas formadas.

 

RECOMENDAÇÕES SOBRE A CULTURA

Típicos de florestas tropicais, são de fácil cultivo, desde que as condições lhes sejam propícias.

1. Solo - A rigor, o antúrio cresce numa ampla faixa de solos, porém, de preferência, nos porosos, com alto teor de matéria orgânica. Melhores resultados são, contudo, obtidos quando se prepara artificialmente o solo, sendo recomendada a mistura: 6 partes de solo, 6 de palha de arroz e 6 de serragem, uma parte de esterco de galinha e uma parte de carvão vegetal. Com esta mistura, garante-se boa densidade de solo e boa porosidade, com alta retenção de água

A reação do solo deve ser da ordem pH 5-6.

2. Luminosidade - Afeta diretamente o tipo e qualidade destes recomendados. Maior luminosidade leva à queima da folhagem e florada, caracterizada pela perda da cor verde e aparecimento da cor amarelo-palha, nas regiões expostas. Muito baixa luminosidade, ao contrário, leva a cores mais profundas e brilhantes, porém a planta mostra crescimento deficiente, caules compridos e fracos.

Nos dois extremos de luminosidade, há redução na floração.

Pode-se usar:

    1. Sombreamento, utilizando-se plantas de maior porte (samambaia-assu, ficus, ligustrum e outras), com espaçamentos que permitam o sombreamento desejado .
    2. Ripados, com armações de madeira ou concreto, cobertas por ripas de madeiras, de bambu, esteiras, folhas de palmeiras etc. A largura das ripas e o espaçamento entre elas permitem alterar o sombreamento.
    3. Telados, de uso mais recomendado hoje em dia, em virtude da durabilidade das telas existentes e por causa de sua leveza, a estrutura pode ser bastante simplificada, barateando em muito seu custo. Existem telas que dão diferentes intensidades de sombreamento: 25-30% e 70-80%.

3. Temperatura - Adaptam-se a grande faixa de temperatura, porém, em explorações mais intensivas, convém a faixa de 180C (noturna) e 300C (diurna). Temperatura abaixo de 150C são prejudiciais.

4. Sistema de plantio - Recomenda-se o plantio em canteiros, elevados de 20 a 30 cm acima do solo, comprimento variável e largura de 100 cm a 120 cm. O espaçamento deve ser de 25 x 25 cm ou 50 x 50 cm, dependendo da idade das mudas, utilizando-se menores espaçamentos para plantios mais novos.

5. Podas - A intervalos de 4-5 anos, devem-se fazer podas de limpeza, removendo-se algumas folhas, e deixando-se de 4 a 5 folhas por planta.

6. Irrigação - Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. Pode ser feita por aspersão ou mesmo por infiltração.

7. Adubação - para bom crescimento da planta, recomenda-se a aplicação da mistura fertilizante 10 - 10- 10, 100 g por m2 por ano, parcelando-se em 4 ou 5 aplicações em superfície.

Paralelamente, deve-se adicionar anualmente, de 10 a 15 Kg/m2 de esterco ou composto bem curtidos. Deve-se também parcelar a aplicação, em 5 ou 6 aplicações, sobre os canteiros.

8. Controle de plantas daninhas - Pode ser feito tanto a enxada como por herbicidas. O importante é manter a cultura livre de competição. Os herbicidas como Diuron, Simazin têm se mostrado eficientes em plantios de antúrio.

9. Doenças - São poucas as doenças descritas nos cultivos de antúrio, contudo, há necessidade de se executar bom controle sanitário.

  1. Manchas da folhagem - causadas por antracnose, promovendo a seca total ou parcial das áreas atacadas, que se tornam cor de palha.
  2. Usar Maneb, Copratol, Manzate M 45.

  3. Podridão do espádice - Causada também por antracnose.
  4. Usar Maneb ou similar.

  5. Podridão de raízes - Causada por Pitium. Recomenda-se a desinfecção do solo, o melhor controle da fonte de água para irrigação e a desinfecção das mudas, utilizando-se Captan ou similar.
  6. Mosaico - Doença virótica, que causa o aparecimento de estrias claras nas folhas, resultando em seu total amarelecimento.
  7. Arrancar e queimar as plantas atacadas.

  8. Bacterioses - Os sintomas são vários, dependendo do agente. Manchas angulares na folhagem e podridões são os mais comuns.

Arrancar e queimar as plantas atacadas.

10 . Pragas

  1. Ácaros - Alimentam-se da página inferior (dorso) das folhas novas. Causam o aparecimento de pontuações claras nas folhas, quando olhadas contra luz; as folhas encurvam-se e caem precocemente. Há grande redução no crescimento.
  2. Controle: Pulverização com Kelthane, Clorobenzilado ou similares.

  3. Cochonilhas - Há grande diversidade de tipos. Caracterizam-se pela escama que as protegem. Variam em forma, cor, tamanho e causam redução no crescimento.
  4. Controle: pulverização com Malatol, Paration, Folidol ou similares, sob formulação oleosa, ou usando-se também óleo mineral.

  5. Lesmas e Caracóis - Causam danos à folhagem. Deve-se combater com iscas comerciais, à base de metaldeído.
  6. Pulgões - Atacam as partes tenras da planta, como folhas novas, flores, e causam sério prejuízos ao produtor. Danificam as partes atacadas e reduzem o crescimento. São vários os tipos, sendo alguns verdes outros marrons.
  7. Controle: Usar Disiston, Malatol, Metasiztox ou similares.

  8. Trips - Sugam as partes bem novas, causando-lhes deformações.
  9. Controle: Usar Malatol, Paration ou similares.

  10. Vaquinhas - São vários tipos de insetos que "comem" os tecidos da página inferior (dorsal) da folha. Danificam as folhas, originando manchas claras e depois secas, correspondendo às regiões atacadas.

Controle: Usar Malatol, Paration ou similares.

  1. Produção e Colheita de Flores - Em culturas conduzidas segundo as

recomendações. Podem-se obter de 6 a 8 flores, por planta e por ano.

As flores devem ser colhidas quando a espata estiver toda aberta e o

espádice apresentar-se com metade a três quartos do seu tamanho, com coloração modificada. Flores colhidas, antes ou depois, tendem a durar menos.

12. Conservação da Flores - Em média, a durabilidade da flor de antúrio, cortada, é de 2 a 3 semanas, dependendo de:

  1. Estádio de colheita.
  2. Sombreamento da cultura, cerca de 75% de sombra permitem flores de maior durabilidade.
  3. Flores de menor tamanho duram menos que as maiores.
  4. Temperatura ambiente de 15-160C permite maior duração.
  5. Cuidado diário de troca de água do vaso e corte de meio a um centímetro da base da haste flora contribuem para maior durabilidade.