Cultura do Gladíolo

Gladiolus x grandiflorus L.

1 - INTRODUÇÃO

            O gladíolo, comumente conhecido como palma-de-santa rita e palma-holandesa, é uma planta originária de clima tropical, sendo que, das 150 espécies existentes, 100 são nativas da África do Sul e Equa­torial. As variedades atuais diferem muito das espécies nativas devi­do aos trabalhos de melhoramento realizados, por longo tempo, principalmente na Europa.

            É uma planta da família Iridaceae gênero Gladiolus. As primeiras referências sobre a espécie datam dos anos 50 A.C.

            Com a expansão do comércio de flores no Brasil, o gladíolo tornou-se uma cultura de grande importância, levando vantagem sobre as outras (rosas e crisântemos, principalmente) devido a seu ciclo cur­to, fácil cultivo, baixo custo de implantação e rápido retorno, além da produção comercial de bulbos e flores para consumo interno e exportação.

FISIOLOGIA DA PLANTA

Fenologia / ciclo

As variedades de gladíolo podem ser de ciclo curto, médio e longo, com a floração ocorrendo entre 65 até 120 dias após o plantio.

De modo geral, o desenvolvimento do gladíolo ocorre da seguinte forma:

a) 3-5 semanas após o plantio: surgimento de raízes e início de emissão das folhas;

b) 7-9 semanas após o plantio: desenvolvimento vegetativo;

c) 12-14 semanas após o plantio: lançamento de espiga floral e abertura das flores;

d) 16-18 semanas após o plantio: senescência das folhas, formação de novo bulbo e bulbilhos.

 

 

            Figura 1. - Desenvolvimento dos bulbos de gladíolo. (Adaptado de Tanaka, sd).

 

2 - EXIGIÊNCIAS DA CULTURA

2.1. Solo

O solo areno-argiloso, com boa drenagem e permeabilidade, permite melhor desenvolvimento da planta, principalmente dos bulbos. So­los mais argilosos podem ser utilizados, desde que não haja problema de encharcamento. O pH ideal fica na faixa de 5,5 a 6,5.

 

2.2. Água

É necessário manter bom teor de umidade. A freqüência de irrigação vai depender das condições locais.

 

2.3. Temperatura

Em torno de 22-26o C. É bastante sensível a geadas.

 

2.4. Luz

É uma planta de plena insolação, não respondendo a fotoperíodo para a indução floral. Porém, em dias mais longos, maior será o seu crescimento e desenvolvimento.

 

Quando a produção de flores visa a uma data definida (fina­dos, dia das mães etc.), é importante atentar, principalmente, para os efeitos da temperatura e do comprimento do dia no ciclo da planta. Embora as variedades, dentro de cada grupo, tenham ciclos de floração bem uniformes, temperaturas elevadas e dias longos tendem a tornar a produção precoce, enquanto o inverso - baixas temperaturas e dias curtos - tendem a retardar a mesma.

 

 

3 - PLANTIO

 

3.1. Época

Em locais onde a temperatura média não fica muito abaixo da exigida pela cultura e não haja geadas, o gladíolo pode ser cultivado o ano inteiro. Entretanto, o plantio vai depender diretamente da épo­ca de comercialização das flores.

 

 

3.2. Variedades

As variedades cultivadas não apresentam muita diferença com relação ao porte das plantas, número de flores e tamanho da espiga e se distribuem, de acordo com o ciclo de floração, em:

a) Variedades precoces - Florescem em 60 dias, aproximadamente, após o plantio.

b) Variedades de ciclo médio - Florescem, em 80 dias, após o plantio.

c) Variedades tardias - Florescem em 120 dias, após o plantio.

 

O ciclo vegetativo (amadurecimento completo do bulbo) é 150 a 210 dias do plantio à colheita.

As variedades mais cultivadas e disponíveis para o produtor são:

 

"Peter Pears" (ciclo curto) - Flores dobradas, comumente chamadas de coral, devido à cor alaranjada das pétalas.

"Nova Lux" (ciclo médio) - Flores dobradas; pétalas de cor amarela.

"Gold Field" (ciclo médio) - Flores dobradas, pétalas de cor amarela.

"White Friendship" (ciclo curto) - Flores dobradas, de cor branca.

"Traderhorn" (ciclo curto) - Flores dobradas, de cor vermelha.

 

3.3. Escolha dos Bulbos

            Os bulbos devem ser uniformes em tamanho e em quebra de dor­mência, para permitir também uma colheita uniforme de flores. As fir­mas produtoras vendem os bulbos classificados e com dormência quebra­da. O primeiro lote de bulbos a ser adquirido deve ser, preferivelmente, de bulbos de segunda geração (peso, altura e diâmetro em torno de 33 g, 2,4 cm e 3,2-3,8 cm de diâmetro, respectivamente), o que permi­te maior número de ciclos antes do descarte do lote. Este descarte o­corre porque gerações sucessivas tender a achatar o bulbo, aumentan­do-lhe o diâmetro e o ciclo vegetativo e onerando a produção. Existe uma relação direta entre tamanho de bulbo e qualidade da espiga flo­ral e produção e qualidade de bulbos-filhos.

O controle da brotação dos bulbos para a programação da flo­rada pode ser feito, armazenando os bulbos em câmaras frias, à tempe­ratura de 5° C, e com baixa umidade (70-80% u.r.), isto quando se quer atrasar o plantio, ou colocando-os em condições de temperatura e in­tensidade favoráveis (25°C - 90% u.r.) quando se quer apressar o mesmo.

Figura -2 – Classificação dos bulbos de gladíolo: A – em formação; B – bulbo “velho”; C – bulbilhos em formação; D – bulbo grande; E – bulbo médio; F – bulbilho.

 

3.4. Preparo do Solo e Adubação                                                                       

Deve ser feito preparo em nível, se a topografia do terreno assim o exigir. Arar o terreno a uma profundidade de 25-30 cm e gra­dar.

Deve aplicar-se 20 litros/m2 de esterco bem curtido e 50-100 g da fórmula 4-14-8/m2, bem incorporados ao solo. São necessárias três adubações em cobertura com 10-30 g de sulfato de amônia/m2: a primei­ra aos 30 dias após o plantio, a segunda aos 60 dias e a terceira aos 90 dias, para uma boa produção de flores e bulbos. Em solos com com­provada deficiência de micronutrientes (B, Mo e outros), fazer aplicações de adubos foliares que tenham micronutrientes na sua formulação, na concentração recomendada pelo fabricante.

 

 

3.5. Sistemas de Plantio

 

3.5.1. Fileiras duplas

Podem ser utilizadas sem prejuízo para a cultura, já que as folhas são eretas e a maioria do sistema radicular situa-se num raio de, aproximadamente, 10 cm da planta. Neste caso, o espaçamento seria de 7x15x40 cm ou de 7x15x100 cm.

Para ambos os casos, uma variação no espaçamento dentro da linha vai depender diretamente do diâmetro do bulbo, variedade e con­trole fitossanitário podendo até dobrar a população quando forem usa_ dos bulbos pequenos.

Os bulbos devem ser plantados com as gemas voltadas para ci­ma, embora estas possam ser voltadas para qualquer posição. Podem ser também plantados a lanço, porém os tratos culturais ficam dificulta­dos.

O plantio de lotes de bulbos a cada 15 dias permite uma pro­dução continua de flores.

 

 

4 - TRATOS CULTURAIS

 

4.1. Capinas

Devem ser feitas quando necessário. No caso de produção de bulbos, a cultura deve ser mantida sem plantas daninhas até o fim do ciclo.

 

4.2. Irrigação

Manter uma freqüência de irrigação que evite o ressecamento do solo, até o inicio do amarelecimento das folhas. Condições desfavoráveis de umidade podem causar queima na ponta das espigas e apressar o ciclo, enquanto o excesso de água pode causar retardamento no ciclo até o apodrecimento dos bulbos caso esse excesso perdure por períodos longos.

 

Tutoramento

É uma das práticas mais importantes na cultura do gladíolo, cujas plantas apresentam grande tendência de tombamento, ocorrendo, em conseqüência, o desenvolvimento de inflorescências com haste deformada, sem valor comercial.

Através do tutoramento, é possível manter as plantas com crescimento vertical, com produção de flores em hastes eretas para o tutoramento, utilizam-se ripas de madeira ou bambu e fitas plásticas ou fitilhos. Barbantes não são recomendados, Pois rompem-se com facilidade. Arames também não são utilizados pela dificuldade de se trabalhar com esses materiais. O sistema de tutoramento deve ser implantado logo no início da cultura, ou seja, de 15 a 20 dias após o plantio. O primeiro fio é instalado a 30 cm do solo, sendo ainda colocadas mais 2 a 3 fiadas, de acordo com o crescimento da planta, também espaçados de 30 cm.

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Figura 4. Esquema de tutoramento das plantas de gladíolo. UFLA, Lavras/MG, 1999.

 

4.3. Amontoa

Como o espigamento pode causar o tombamento da planta por excesso de peso, recomenda-se fazer amontoa quando as plantas atingirem 40 cm de altura. Se mesmo após a amontoa as hastes florais começarem a tombar, faz-se necessário o tutoramento das mesmas. Isto pode ser feito, colocando um arame ou mesmo bambu ao longo da linha de plantio.

 

4.4. Cobertura Morta

Favorece o controle de umidade, temperatura e plantas dani­nhas, além de permitir melhor estruturação do solo. Se o material utilizado for de alta relação C/N (ex.: bagaço de cana), deve-se aumen­tar a adubação nitrogenada.

 

4.5. Doenças e Pragas

4.5.1. Doenças

            Até bem pouco tempo (1980), as doenças de maior importância no Brasil, para a cultura, restringiam-se ao bulbo. Porém, com o surgimento da ferrugem (Uromyces transversalis), que ataca toda a parte aérea da planta, passou-se a exigir um controle sistemático dessa doen­ça sob pena de perder a produção de flores e bulbos. Deve-se também dedicar especial atenção à podridão-de-fusario (Fusarium oxisporum), que ataca o bulbo no solo e durante o armazenamento, acarretando enormes prejuízos.

 

a) Podridão-dura (Septoria gladioli) - Mancha irregular no bulbo, de cor marrom-escura, sob as folhas envolventes. O tecido doente torna-se duro, até a mumificação completa do bulbo. Durante o crescimento, as plantas crescem pouco, não florescem e podem morrer prematuramente. Pode atacar folhas próximas da base, formando manchas de cor marrom-acinzentada, com margens claras. A infecção se dá no campo e dificilmente no armazenamento. No solo, o fungo permanece pelo me­nos por quatro anos.

b) Podridão-seca (Septoria gladioli) - O bulbo fica com man­chas vermelho-marrom escuras, de forma circular, ligeiramente deprimida, atingindo também as folhas protetoras. Vegetando, as folhas começam a amarelar, secam e podem apresentar na sua parte basal e naque­las de revestimento, vários escleródios.

c) Podridãode-penicilium (Penicillium gladioli)- Doença muito comum no armazenamento. Bulbos com manchas deprimidas, cor verme­lho-marrom, firmes, porém não como na podridão-dura, com dobras con­cêntricas, algumas vezes com uma cor amarelo-enxofre. Sob alta umida­de, desenvolve-se um mofo cinza-esverdeado. A infestação ocorre pelas lesões causadas durante o arranquio e o manuseio posterior. Manchas pequenas não impedem que se plante o bulbo, uma vez que não passa pa­ra os bulbos-filhos.

         d) Podridão-de-fusario (Fusarium oxysporum pv. gladioli) - A infecção ocorre no solo e prolifera durante o armazenamento. Quando da colheita, as lesões aparecem como pequenas manchas d'água, mar­rom-escuras. As folhas protetoras se descolorem e se tornam quebradi­ças. No armazenamento, as manchas crescem. São irregulares, tendendo a circulares, deprimidas pela rápida secagem e pelo enrugamento do tecido; bordos definidos, comum pequeno halo aquoso. Ocorrem manchas com anéis ligeiramente concêntricos. O fungo permanece no solo por, pelo menos, cinco anos. Controle: imersão, durante 30 minutos, em solução de Manzate ou Benlate, ou Tecto 60 na concentração de 3 g do produto comercial por litro d'água.

e) Amarelecimento (Fusarium sp.) - Descoloração e amareleci­mento da folhagem, devido á infecção dos feixes vasculares pelo fusa­rium. Podridão-marrom, começando pela cicatriz da base do bulbo, que penetra no seu interior e cresce também na superfície. Muitos bulbos morrem no campo e outros secam no armazenamento.

f) Podridão-de-botritis (Botrytis gladiolorum) - Pode atacar a folhagem, causando-lhe manchas claras e foscas, às vezes com cor marrom-avermelhada. Ocorre também no bulbo, durante o armazenamento de bulbos malcurados. Alta umidade relativa e temperatura entre 28 e 36o C constituem condição ideal para a infecção das folhas. Controle: pulverizações semanais com Benlate, Maneb ou similar e Zineb, na con­centração de 2 g/l do produto comercial.

 

g) Ferrugem (Uromyces transversalis) - Caracteriza-se pelas pústulas transversais que ocorrem nas folhas e hastes florais. Os sintomas iniciam-se por manchas descoloridas, pequenas, que se tornam salientes, em forma de pústulas de cor amarelo-alaranjada, formando posteriormente pústulas maiores, que tomam toda a área da folha. O pedúnculo floral e as sépalas também são afetados. Com o desenvolvimen­to, as pústulas tomam coloração pardo-ferruginosa. As flores produzi­das por plantas doentes são de qualidade e sanidade inferiores, e os bulbos-filhos não chegam à maturação. Se não for feito um controle intensivo, a produção de flores e bulbos fica totalmente comprometi­da. Controle: pulverizações semanais com Bayleton, Saprol ou Plantvax, na concentração de 2 g/l do produto comercial. O uso de fungicidas cúpricos é eficiente no controle da ferrugem e não causa danos às has­tes florais e aos bulbos, embora haja referência ao efeito tóxico do cobre sobre a planta.

h) Queima-de-curvulária (Curvularia trifolii) - Ataca qual­quer parte da planta, com mais intensidade as folhagens e inflorescências.

No bulbo causa lesões deprimidas, enegrecidas, que não proliferam no armazenamento.

i) Podridão-de-estromatinia (Stromatinia gladioli) - Ataca os bulbos, raízes e região do coleto. A região atacada apresenta grande abundancia de escleródios negros. Em geral, o fungo não apresenta crescimento durante o armazenamento. O fungo permanece no solo por três anos ou mais.

j) Queima-das-folhas ou Podridão-do-pescoço (Bacterium mar­ingatum) - Doença das mais comuns no gladíolo.

k) Mosaico (Doença virosa) - Causa manchas com coloração mais clara nas pétalas e também nas folhas. A transmissão dá-se por inse­tos sugadores.

Algumas medidas para evitar o aparecimento e disseminação de doenças podem ser tomadas, como segue:

 

- Durante o cultivo, as plantas doentes devem ser arrancadas e destruídas (bulbilhos também) e o solo, removido ou desinfetado.

- Rotação de culturas. Não repetir o plantio, no mesmo solo, pelo me­nos por quatro ou cinco anos.

- Manuseio apropriado e cuidadoso dos bulbos desde a colheita, limpeza e armazenamento. Evitar injúrias.

- Bulbos contaminados devem ser separados e destruídos, bem como os bulbilhos e os restos culturais.

- A boa cura é imprescindível à sanidade. Armazenar em galpão, 30° C, por 2-4 semanas.

-Termoterapia – Imersão em água, a 40°C, por 30 minutos ou, a 53°C, por 15 minutos.

 

-Armazenamento, em camadas pouco espessas, em bandeja com fundo telado, prateleiras etc., permitindo não só a temperatura adequada, co­mo também bom arejamento.

 

4.5.2. Pragas

 

a) "Trips" - Nada menos que 12 espécies de "trips" têm sido encontradas causando danos ao gladíolo. Dentre elas, a Taeniotrips simplex (Morison) é a principal.

Os "trips" atacam os bulbos, folhas, botões florais e flores do gladíolo. No seu ciclo de vida, o "trips" causa danos ao gladíolo, tanto na fase de larva quanto na adulta.

Nos bulbos, o ataque se verifica durante o armazenamento, e a região atacada apresenta um tecido de aparência corticosa, marrom.

No campo, atacam também as brotações novas, folhas e inflo­rescências, onde se reproduzem. As folhas atacadas tomam uma colora­ção prateada, tornando-se cor de palha, e os botões atingidos não se abrem normalmente. O "trips" não é facilmente visto nas plantas no campo.

O controle preventivo envolve boa limpeza e desinfecção dos bulbos na colheita e destruição dos restos culturais. Os bulbos arma­zenados devem ser tratados com naftalina, que deve ser colocada entre e sobre os bulbos recém-limpos, em ambiente com certo controle de arejamento (galpões, caixas cobertas ou mesmo sacos, não completamente herméticos), na quantidade de 500 g para 3.000 bulbos. O tratamento deve durar cerca de quatro semanas.

No campo, deve-se controlar, preventivamente, o "trips" com o uso de inseticidas sistêmicos (Phosdrin, na concentração de 2 ml/l do produto comercial), a fim de evitar que a floração fique comprome­tida.

b) Pulgão lanígero (Pseudococcus maritimus (Ehrt)) - Ataca especialmente bulbos armazenados, preferindo á porção basal do prato do bulbo e primórdios de raízes. Bulbos atacados murcham e originam plantas fracas. No campo, o inseto causa redução no crescimento da planta. A termoterapia50 C, por 15 minutos) elimina os Pseudococ­cus existentes. No campo, o ataque pode ser controlado com insetici­das sistêmicos ou com o uso de inseticidas no sulco de plantio.

c) Pulgões (Myzus sp.) - Sugam as brotações dos bulbos, tan­to no armazenamento quanto nos plantios de campo. São bastante preju­diciais às plantas em formação. O controle no armazenamento é o mes­mo usado para o "Trips". No campo, o uso de piretróides, ou outros inseticidas de contato, dá bom controle.

d) Nematóides (Meloidogyne incognita) - As plantas atacadas param de crescer, murcham e mostram galhas no sistema radicular e no bulbo.

Outros insetos mastigadores causam danos ao gladíolo, sendo necessário acurada observação das plantas durante o ciclo de cresci­mento.

 

5 -  COLHEITA, CLASSIFICAÇÃO, EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO DAS ESPIGAS FLORAIS

 

5.1. Colheita

            As espigas devem ser colhidas, preferivelmente, de manhã ou à tarde, quando a temperatura é mais favorável. Para o mercado inter­no, a espiga deve ser colhida quando surgir a coloração do botão. Pa­ra a exportação, a colheita deve ser feita quando a espiga apresentar o máximo de desenvolvimento, porém sem o surgimento de coloração do botão.

            O corte deve ser feito bem na base da planta, evitando-se ao máximo a retirada de folhas, pois a planta continuará vegetando até o final do ciclo, quando os bulbos serão colhidos.

            A abertura das flores após a colheita vai depender, princi­palmente, da temperatura ambiente e da variedade. Variedades de cores mais claras tendem a entrar em senescência mais rapidamente. A duração da florada de uma espiga é 10-15 dias, uma vez que as flores abertas podem ser eliminadas, enquanto outras novas se abrem.

 

5.2. Classificação    

               A Sociedade Americana e Inglesa de Gladíolos classifica as espigas de acordo com      a forma, tamanho e número de flores/espiga.

               A Cooperativa Agropecuária "Holambra" classifica as espigas de acordo com o seu comprimento e número de botões em:

Extra - espiga com mais de 120 cm - acima de 16 botões

I - espiga com 100 - 120 cm -    12 a 16 botões

lI - espiga com 80 - 100 cm - 8 a 12 botões

III - espiga com     60 - 80 cm - menos de 8 botões

 

A qualidade das espigas é afetada pela distância entre as flores e a distância entre a base da espiga e a inserção da primeira flor. As flores quando abertas não devem ter espaços livres entre si, e a parte da espiga (sem flores) não deve ter mais de 50 cm de comprimento.

 

5.3. Embalagem

São feitos feixes de 1-2 dúzias, que são acondicionados em caixas de papelão ou engradados de alumínio. Em ambos os casos, as espigas devem ser colocadas de pé, devido ao geotropismo negativo das mesmas (quando colocadas deitadas, as hastes começam a curvar a ponta em direção oposta ao solo, afetando sua qualidade).

 

5.4. Armazenamento

Após a colheita, as espigas devem ser imersas em água para evitar a murcha e a conseqüente redução na vida da flor.

As espigas devem ser armazenadas em câmaras frias (3-5°C e 95% U.R.) para melhor conservação. A manutenção da U.R. pode ser fei­ta, mantendo-se uma lamina de água de 5-10 cm no piso da câmara. Um bom sistema de ventilação garante a homogeneização dessa umidade.

Para armazenamento em curto prazo, a base das espigas pode ser colocada em água, em local de temperatura amena. Pode-se usar um dos produtos germicidas (AgNO3, 30 ppm ou Al2(SO4)3, 500 ppm ou Citrato de 8-Hidroxiquinoleina, 200 ppm) mais a sacarose, na concentração de 5%, para aumentar a duração da espiga.

 

6 - PRODUÇÃO DE BULBOS COMERCIAIS

Podem ser produzidos através de sementes, bulbilhos ou, mes­mo, bulbos comerciais. O bulbo comercial é aquele que tem reservas suficientes para produzir uma espiga de qualidade. Um bulbo com pelo me nos 2,5 cm de diâmetro (± 25 g) satisfaz essa condição.

 

6.1. Sementes e Bulbilhos

O uso de sementes e inviável, pois se a variedade for heterozigota ocorre segregação, formando uma população de plantas desuniformes quanto a ciclo, cor, produção de flores, bulbos e bulbilhos e dormência de bulbos e bulbilhos, dificultando a comercialização de flo­res e bulbos. Para se obter bulbo comercial a partir de sementes, são necessárias pelo menos três gerações de plantio. O plantio deve ser feito em sementeiras, onde se tem melhor controle de temperatura umidade.

Os bulbilhos (estruturas reprodutivas produzidas por estolões de reserva entre o bulbo-mãe e o bulbo-filho), quando cultivados por 2-3 gerações, podas originar um bulbo comercial. São pobres em reservas, exigindo, como as sementes, local mais controlado para o cul­tivo.

A adubação de plantio, tanto para sementes quanto para bulbilhos, é de 50-100 g da mistura 4-14-8/m2, seguida de 3-5 adubações irrigadas (1 g da mistura 10-10-10/litro de água), com intervalos de 15 dias. O espaçamento é de 10 cm entre linhas e de 1-3 cm dentro da linha. Assim, podem-se obter de 300-1.000 plantas/m2 na primeira geração. O espaçamento de plantio das gerações seguintes vai depender do tamanho do bulbo produzido. As espigas que forem produzidas devem ser eliminadas, pois são de baixa qualidade e a finalidade especifica é a produção de bulbos. O ciclo de cultivo varja de 150:210 dias.

 

6.2. Bulbo Comercial

O bulbo comercial produz a espiga floral, além de possibili­tar a produção de 1-2 bulbos e bulbilhos. O número de bulbos produzi­dos depende do número de gemas que quebram a dormência. A produção de bulbilhos varia com a variedade (Quadro 1) e o solo. Solos de textura mais leve possibilitam maior produção de bulbilhos e melhor qualidade de bulbos e bulbilhos. O número de dias do plantio à colheita varia de 150-210 dias.

Com a finalidade de estudar o comportamento de quatro varie­dades quanto à produção de bulbos e bulbilhos, nas condições de Viço­sa, foi feito um plantio em 1984. O Quadro 1 mostra algumas caracte­rísticas anotadas em um ciclo de produção.

 

QUADRO 1 - Produção de bulbos e bulbilhos em quatro variedades de gladíolo cultivadas no Setor de Jardinocultura da Universida­de Federal de Viçosa (UFV), em 1984, em viçosa-MG

Variedades

N° de Dias do Plantio

- de Bulbos-Filhos

Colhidos

Peso Médio do

Bulbo-Filho

- de Bulbilhos

1ª Colheita

de Flores

Arranquio do Bulbo-Filho

"Peter Pears"

62

149

995

50 g

5.200

"Cold Field"

90

169

1.560

-

6.500

"White Friendship"

63

154

777

71 g

6.700

"Traderhorn"

83

149

1.104

40 g

40.000

"White Friendship" - 850 bulbos (Diâmetro médio = 5 cm) plantados em

04/04/84.

"Fèter Pears", "Cold Field" e "Traderhorn" - 1.000 bulbos (Diâmetro médio = 5 cm) plantados em 08/05/84.

Observa-se que as variedades se comportam diferentemente quanto ao ciclo e à produção de bulbos e bulbilhos.

 

7 - COLHEITA, CURA, CLASSIFICAÇÃO, TRATAMENTO E QUEBRA DE DORMÊNCIA DOS BULBOS E BULBILHOS

 

7.1. Colheita

Os bulbos devem ser colhidos quando as folhas começarem o pro cesso de senescência, o que coincide com o amadurecimento total do bulbo e bulbilhos. A irrigação deve ser suspensa para facilitar a co­lheita e evitar o apodrecimento dos bulbos.

            É possível a colheita antes da maturação total dos bulbos, mas bulbos colhidos prematuramente apresentam maior dormência e os bulbilhos são perdidos, pois estão imaturos (coloração creme-clara) ou ainda não foram produzidos. Porém, a redução do ciclo traria vanta­gens, como melhor qualidade no aspecto fitossanitário, menor custo de produção e melhor utilização do solo.

            O arranquio pode ser feito com enxadão ou cultivador.

 

 

7.2. Cura e Classificação

 

         A cura consiste em deixar os bulbos secarem, á sombra (se não poderá haver queima dos mesmos, principalmente de bulbos colhidos prematuramente), por 48-72 horas, após o que serão limpos e classifica­dos.        

         A classificação dos bulbos é feita com base no diâmetro dos mesmos, como segue:

Grande (jumbo)                         diâmetro ≥     5 cm

Numero 1                                   diâmetro 3,8 - 5 cm

Número 2                                   diâmetro 3,2 - 3,8 cm

Número 3                                   diâmetro 2,5 -. 3,2 cm

Número 4                                   diâmetro 1,9 - 2,5 cm

Número 5                                   diâmetro 1,2 - 1,9 cm

 

Os bulbos com diâmetro ≥ 2,5 cm são utilizados para produ­ção de flores e bulbos e os demais, juntamente com os bulbilhos, para produção de bulbos apenas.

 

7.3. Tratamento

Devido ao grande número de pragas e doenças que atacam os bulbos, torna-se necessário o tratamento preventivo dos mesmos. Podem ser imersos em soluções fungicidas, utilizando-se um dos seguintes produtos: Manzate, Benlate, Cercoran, 3 g/l ou Tecto-60 e 4 g/l do produto comercial. Também podem ser submetidos à termoterapia (40 C por 30' ou 50º C por 15 minutos). A termoterapia a 50º C é mais eficiente, porém causa a morte de, aproximadamente, 30% dos bulbos.

 

7.4. Quebra de Dormência

            A dormência é um período de repouso vegetativo, causado por indutores como ácido abscisico e outros, que levam á interrupção do crescimento e possibilitam a sobrevivência em condições adversas, em            estado de dormência.          Quando o meio se torna favorável, a quebrada dormência ocorre pela redução da concentração desses inibidores ou pelo aumento de substância, que os antagonizam, como a giberelina. A produção de giberelina ou a menor concentração de inibidores podem ser in­duzidas por baixa temperatura ou luminosidade. A quebra da dormência pode ser induzida artificialmente.

 

A temperatura do solo no estádio final da cultura afeta a dormência, sendo que temperatura baixa apressa a quebra da mesma. Quanto maior o número de dias de armazenamento, mais rápida será a quebra da dormência dos bulbos. 0 grau de dormência varia com o cultivar, e os bulbilhos têm maior dormência que os bulbos.

É possível medir a profundidade da dormência dos bulbos de gladíolo através do método do tetrazólio (T.T.C.), no qual ocorre uma correlação negativa entre profundidade de dormência e a taxa de redu­ção do T.T.C.

Para quebra de dormência os bulbos devem ser armazenados em câmaras frias por 20-30 dias, a 5º C, dispostos em camadas que favore­çam a ventilação, evitando a formação de microclimas, o que possibi­lita maior controle de doenças.

Os bulbilhos perdem água facilmente e apresentam maior intensidade de dormência, devendo ser armazenados por maior período (4-6 meses, a 2-7º C). Durante o armazenamento, a umidade deve ser controla da, acondicionando os bulbilhos em areia, vermiculita ou em saco de plástico.

Após o armazenamento, os bulbos e bulbilhos devem ser expos­tos à temperatura ambiente, a fim de induzi-los à brotação para, pos­teriormente, serem plantados.

No Quadro 2, observa-se o efeito do número de dias de armazenamento, a 8oC, sobre a quebra de dormência de bulbos de gladíolo.

O aumento do número de dias de armazenamento causou redução do número de dias para a brotação, mas o número de dias do armazena­mento à brotação foi pouco alterado.

A uniformidade de quebra de dormência e, conseqüentemente, da brotação vai influenciar diretamente na uniformidade da cultura no campo.

 

QUADRO 2 - Influência do número de dias de armazenamento na quebra de dormência de bulbos de gladíolo, cv. White Frienship. Viçosa, 1984.

 

Data do armazenamento

de dias de armazenamento na câmara

de dias para brotação

de dias do armazenamento à brotação

14/09/84

21

34

55

14/09/84

24

31

55

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8 - LITERATURA CONSULTADA

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