PRODUÇÃO DE MUDAS

EM RECIPIENTES

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A produção de mudas de hortaliças é feita, geralmente, pelo próprio produtor, isto é, ela é pane do sistema que ele adota, da semeadura em sementeiras ou recipientes até a colheita e comercialização.

Esta forma de produção de mudas tem seus inconvenientes, que sempre se traduzem em perda de eficiência do sistema. Algumas dessas inconveniências são:

 

1. Nem sempre o agricultor é um bom produtor de mudas.

2. A produção de mudas quase sempre é relegada a segundo plano e o produtor nem sempre dá aquela atenção necessária às mudas. Ele prefere cuidar mais da parte de campo, onde se dedica com mais esmero e atenção. Enquanto isso, as mudas ficam à espera de crescimento para serem somente transplantadas.

3. O local reservado ao viveiro de mudas, ou à sementeira, nem sempre é adequado. Afinal, o período para produção de mu­das é muito pequeno. como é também a área necessária. Ou seja. qualquer canto serve, no entender do produtor.

4. O sistema é pouco eficiente quanto à pane fitossanitária, pois é muito vulnerável e exposto às condições ambientais, trânsito e aos cuidados que recebe, estando sujeito a maus tratos (irrigação excessiva, jatos de água, etc.), que reduzem a qualidade das mudas.

5. As sementes ficam em condições bastante desuniformes (solo, temperatura. chuva, etc.): conseqüentemente, a germinação e emergência também são irregulares. ampliando a faixa de tempo de emergência. As plântulas crescem irregularmente. com estandes bem ruins.

6. Naqueles casos onde se usam recipientes, a utilização de substrato é a base de solo. Isso tem acarretado sério prejuízo à natureza, pois retira-se pane do solo arável para a produção do substrato. Só para o tomate, são usados cerca de 20.000 m3 de solo, anualmente.

7. Embora pouco perceptível pelo agricultor, o sistema é de custo alto, apresentando os seguintes gastos não computados pelo produtor:

 

-           alto risco;

-           a eficiência é baixa, com perdas de até 30%;

-           o tempo de produção é longo;

-           usa parte da propriedade;

-           exige cuidados adicionais por parte do produtor;

-           é necessário retirar o solo, seca-lo e esterilizá-lo;

-           é necessário muito adubo;

-           não permite a produção de mudas com torrão, quando em sementeira;

-           é pesado, quando produzido em recipiente. Na hora do trans­plante, só é possível transportar algumas mudas por vez, tornando a operação de transporte muito moroso e cansativa;

-           as mudas são de menor qualidade;

-           é muito desconfortante para o operador, que trabalha de cócoras ou agachado, durante a formação das mudas;

-           utiliza muita mão-de-obra e sementes.

 

Por estas e outras desvantagens é que se pensou em introduzir um sistema que reduzisse essas inconveniências e fosse mais eficiente. Afinal, uma cultura iniciada com boas mudas já é meio caminho andado.

Outra condição é que o sistema pudesse favorecer a criação de uma indústria de produção de mudas. Ou seja, a produção de mudas seja separada da produção de campo e, assim, ter produtor de mudas e produtor de hortaliças. O sistema deveria atingir as hortaliças em geral, e não somente uma cultura, como, por exemplo, a do tomate.

Em 1975 foi feito um experimento no Departamento de Horticultura da ESALQ, em que se testavam formas de transplante de mudas de alface, em relação ao tamanho das mudas, com ou sem torrão (raízes nuas), com e sem antitranspirante. O que chamou a atenção foram as alfaces transplantadas com torrão: independentemente do seu tamanho no momento do transplante, todas foram bem precoces e de tamanho normal, ou até maiores do que aquelas transplantadas de raízes nuas.

Este experimento mostrava que o método de transplante por raízes nuas é traumatizante. As mudas de alface assim transplanta­das levavam cerca de dez dias para se recuperarem, o que não acontecia com as mudas com torrão, ou o trauma era bem mais reduzido. Então é possível que o ciclo da cultura no campo pudesse ser reduzido ainda mais. Isso tomaria a cultura mais rentável.

Em 1976, uma firma particular esteve iniciando a introdução do uso da vermiculita na agricultura, no Brasil. Os testes mostra­ram que este era um material com boas características físicas, sendo leve e estéril. A princípio, a vermiculita foi estudada para enraizamento, como parte da mistura com solo, para encher os recipientes de mudas de plantas ornamentais.

Em 1978, já se esboçava a possibilidade de se fazer uma mistura artificial, sem solo, à base de vermiculita. Além disso, a idéia de separação da produção de mudas da produção de campo, era cada vez mais difundida. A receptividade por pane dos produtores, contudo, era de cepticismo e desconfiança. Algumas comunidades chegavam a discutir o assunto, enquanto outras o rejeitavam por completo.

Ainda em 1978, foram iniciados os estudos para se obter uma mistura artificial à base de vermiculita e casca de pinus, na ESALQ. Também já se havia decidido pela introdução do sistema de células (Plug Systems) ou de bandejas para produção de mudas de hortaliças. A vinda do professor Dale Kretchman, da Universidade Estadual de Ohio, ajudou muito nesta decisão. Além disso, a iniciativa da Eucatex Mineral Ltda. de financiar a pesquisa, foi decisiva.

 

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA PRODUÇÃO DE MUDAS EM RECIPIENTES

 

A produção de mudas em recipientes é cada vez maior, principalmente em ambiente controlados.

Davidson, Mecldenburg e Peterson (1988) e Minami (1994) enumeram as seguintes vantagens de se produzirem mudas em recipientes:

                                                 

-  produção de mudas mais uniformes;

-  favorece a produção de mudas de espécies difíceis de serem transplantadas;

-  maior número de plantas por unidade de área;

-  permite o uso de áreas que normalmente não servem para cultivo;

-  evita a escavação;

-  aumenta o fluxo do caixa;

- potencial maior para a mecanização de materiais que são manuseados;

-  reduz o custo de transporte, devido ao peso reduzido;

-  aumenta a estação de produção; melhora o pré-embalamento;

-  facilita a comercialização nas áreas de venda;

-  melhora a disposição das plantas na hora da venda;

- menor dano devido a manuseio;

-  propicia ótimo ambiente para a germinação de sementes;

-  pode-se controlar e condicionar o crescimento dos seedlings.

-  economia de água e defensivos;

-  cada muda cresce independentemente das outras;

- as raízes não são afetadas, devido à poda aérea; o transplante é facilitado.

 

Os mesmos autores enumeram os seguintes desafios da produção de mudas em recipientes:

- total dependência da irrigação artificial;

- desenvolvimento radicular limitado ao tamanho e forma do recipiente;

- maior necessidade nos níveis de monitoramento e suplementação dos produtos químicos;

-  necessidade de lavagem periódica do meio para evitar o excesso de sais;

-  necessidade de maior drenagem da água;

-  o sistema eleva o custo de produção

-  o sistema provoca a ressecação rápida do substrato;

-  alguns recipientes podem dificultar o arranquio das plantas;

-  alguns recipientes podem provocar a redução no crescimento da planta, quando colocados juntos no plantio.

 

O SISTEMA DE BANDEJA OU CÉLULAS

 

O sistema de bandejas de produção de mudas não é recente e vem sendo usado há quase vinte anos, comercialmente, tanto na Europa com nos Estados Unidos. Possui diversos nomes: células individuais, canteiros móveis, sistemas de células, sistema de produção de mudas em bandejas, sistema multicélulas, sistema de células tecnoculturais.

O sistema deve ser muito preciso nos seus componentes, para que não haja redução na eficiência.

Assim como é mantido um ambiente ideal para as plantas, é de se esperar que também o seja para muitos microorganismos e certos insetos e ácaros. Por isso, qualquer deslize pode favorecer pragas e doenças.

Quanto melhores as condições de funcionamento do sistema, mais utilidade tem e mais eficiente é o sistema.

Segundo McCown (1986), o sistema deve ter as seguintes características:

 

- as bandejas e a mistura devem ser livres de doenças e pragas, porque vão se manter por longo tempo em condições de alta umidade e ambiente integrado;

- deve ser de fácil manuseio, pois, sendo operado manual-mente, o custo com mão-de-obra pode chegar a ser limitante. Por isso, o sistema deve ter potencial para mecanização;

- a eficiência de espaço e peso deve ser considerada, principalmente porque o sistema deve ser intercambiável para semeadura e para propagação vegetativa, por exemplo, estaquia. Além disso, ele deve ser adaptável para o transplante por containers;

- deve ser de fácil repicagem e/ou transplante, com menos choque possível na transferência ou injúria radicular;

- deve ser mecanizável para transplante;

- deve ser aplicável para produção de mudas em larga escala;

- permitir o melhor planejamento da produção.

 

Se alguns destes itens não forem obedecidos ou atendidos. todo o sistema se torna menos eficiente, a ponto de torná-lo impraticável.

Além disso, o sistema multicelular permite aumentar o número de plantas por unidade de área do viveiro (o que reduz o custo

                                                 

-  produção de mudas mais uniformes;

-  favorece a produção de mudas de espécies difíceis de serem transplantadas;

-  maior número de plantas por unidade de área;

-  permite o uso de áreas que normalmente não servem para cultivo;

-  evita a escavação;

-  aumenta o fluxo do caixa

-  potencial maior para a mecanização de materiais que são manuseados;

-  reduz o custo de transporte, devido ao peso reduzido;

-  aumenta a estação de produção; melhora o pré-embalamento;

-  facilita a comercialização nas áreas de venda;

-  melhora a disposição das plantas na hora da venda;

-  menor dano devido a manuseio;

-  propicia ótimo ambiente para a germinação de sementes;

-  pode-se controlar e condicionar o crescimento dos seedlings.

-  economia de água e defensivos;

-  cada muda cresce independentemente das outras;

-  as raízes não são afetadas, devido à poda aérea; o transplante é facilitado.

Os mesmos autores enumeram os seguintes desafios da produção de mudas em recipientes:

-  total dependência da irrigação artificial;

-  desenvolvimento radicular limitado ao tamanho e forma do recipiente;

-  maior necessidade nos níveis de monitoramento e suplementação dos produtos químicos;

-  necessidade de lavagem periódica do meio para evitar o excesso de sais;

-  necessidade de maior drenagem da água;

-  o sistema eleva o custo de produção

-  o sistema provoca a ressecação rápida do substrato;

-  alguns recipientes podem dificultar o arranquio das plantas;

-  alguns recipientes podem provocar a redução no crescimento da planta, quando colocados juntos no plantio.

 

O SISTEMA DE BANDEJA OU CÉLULAS

 

O sistema de bandejas de produção de mudas não é recente e vem sendo usado há quase vinte anos, comercialmente, tanto na Europa com nos Estados Unidos. Possui diversos nomes: células individuais, canteiros móveis, sistemas de células, sistema de produção de mudas em bandejas, sistema multicélulas, sistema de células tecnoculturais.

O sistema deve ser muito preciso nos seus componentes, para que não haja redução na eficiência.

Assim como é mantido um ambiente ideal para as plantas, é de se esperar que também o seja para muitos microorganismos e certos insetos e ácaros. Por isso, qualquer deslize pode favorecer pragas e doenças.

Quanto melhores as condições de funcionamento do sistema, mais utilidade tem e mais eficiente é o sistema.

Segundo McCown (1986), o sistema deve ter as seguintes características:

 

- as bandejas e a mistura devem ser livres de doenças e pragas, porque vão se manter por longo tempo em condições de alta umidade e ambiente integrado;

- deve ser de fácil manuseio, pois, sendo operado manual-mente, o custo com mão-de-obra pode chegar a ser limitante. Por isso, o sistema deve ter potencial para mecanização;

- a eficiência de espaço e peso deve ser considerada, principalmente porque o sistema deve ser intercambiável para semeadura e para propagação vegetativa, por exemplo, estaquia. Além disso, ele deve ser adaptável para o transplante por containers;

- deve ser de fácil repicagem e/ou transplante, com menos choque possível na transferência ou injúria radicular;

- deve ser mecanizável para transplante;

- deve ser aplicável para produção de mudas em larga escala;

- permitir o melhor planejamento da produção.

 

Se alguns destes itens não forem obedecidos ou atendidos. todo o sistema se torna menos eficiente, a ponto de torná-lo impraticável.

Além disso, o sistema multicelular permite aumentar o número de plantas por unidade de área do viveiro (o que reduz o custo de produção de mudas) e reter as mudas por mais algum tempo, caso as condições de transplante ainda não estejam propícias (Marr e Jirak, 1990).

O sistema permite obter produções iguais ou maiores que o transplante de mudas mais jovens ou menores (Chipman, 1961), e com isso há um ganho de tempo na fase de viveiro. Em certos casos, a redução é de 50%. E mais ainda, logo após o transplante o tomateiro inicia o enraizamento com pouco trauma, ou seja, a produção é mais precoce.

Com a redução na fase de viveiro e na de campo, há necessidade de menor número de irrigação, de pulverização e até de adubação de cobertura, traduzindo em economia e produção/unidade de tempo. Com a redução no período de campo, pode-se obter maior número de produção em uma mesma área por ano.

Nos anos 50, faziam-se quatro a cinco culturas de alface por ano, no mesmo local, na região de Mogi das Cruzes. Nos anos 60, já era possível de cinco a seis, com a utilização de mudas grandes, sem repicagem. Nos anos 70, com a introdução da semeadura direta, o número de culturas por ano subia para sete. No início dos anos 80, em experimento realizado na ESALQ, foi possível uma média de dez culturas por ano.

Hoje, início dos anos 90, alguns produtores têm conseguido até doze culturas, ou seja, a cultura da alface fica no campo somente 30 dias.

O sistema possui os seguintes componentes básicos:

 

- bandeja

- suporte

- mistura

- proteção

- irrigação

 

BANDEJA

 

No mercado existem bandejas com diversas células individuais, com profundidades diversas, no formato de pirâmide invertida, com possibilidade de reutilização (Eucatex Mineral, s.d.):

- com 288 células de 47 mm de profundidade: para acelga, al­face, almeirão, beterraba. brocou, chicória, couve, couve chinesa, couve-flor, mostarda, repolho, fumo.

- com 128 células de 60 mm de profundidade: para abóbora, aipo (salsão), berinjela, ervilha, espinafre, feijão, vagem, jiló, melancia, melão, moranga, morango, pepino, pimenta, pimentão, quiabo, tomate, cana-de-açúcar, citrus, fumo, maracujá, várias orna­mentais, pêssego e pinus.

- com 128 células de 120 mm de profundidade: para café, citrus, eucalipto, maracujá, ornamentais, pêssego, pinus, seringueira.

- com 72 células de 120 mm de profundidade: para algaroba, cacau, jojoba, mamão, ornamentais, seringueira, urucum.

 

As bandejas são de polietileno expandido, leves e resistentes à umidade. As células são perfuradas, e isso permite que as raízes saiam, sofram um secamento natural e morram, isto é, sofram uma poda natural das pontas das raízes, sem haver contato com o opera­dor ou ferramenta, o que reduz a possibilidade de contaminação.

Os formatos das células são vários: arredondado, cilíndrico, piramidal, etc.

Fisher e Benson (1984) encontraram diferenças no desenvolvimento de mudas de aspargo com relação ao formato das células (Quadro XIII. 1).

 

 

QUADRO (111.1 - Efeito do formato das células sobre as mudas de aspargo.

 

 

 

formato das células

cilíndrico       piramidal

peso da matéria seca da

parte aérea (g/planta)

peso da matéria seca das

raízes (g/planta)

peso da matéria seca da

planta (g/planta)

número de ramificações

por planta

0,523a

 

0,283a

 

0,806a

 

4,53a

 

0,443b

 

0,205a

 

0,648b

 

4,08b

 


   

SUPORTE

 

As bandejas são colocadas em suportes, uma ao lado da outra, a uma altura que facilite o operário na semeadura, na rega e em outras operações que sejam necessárias.

O suporte pode ser de madeira, de alumínio, de bambu ou qualquer tipo de material que facilite a colocação das bandejas. A estrutura deve ser rígida, firme e que suporte alta umidade por longo tempo, sem deformar, mantendo-se em nível.

 

MISTURA

 

É o componente mais sensível e complicado, pois, qualquer variação na sua composição pode resultar em fracasso total. As sementes não germinam, as plantas se desenvolvem irregularmente, podem aparecer sintomas de deficiência ou excesso de algum nutriente.

As funções do substrato são: prover água às plantas, suprir nutrientes, permitir a troca gasosa para e das raízes, suporte para as plantas.

 

As características de uma mistura ideal são:

 

§         corpo e firmeza (densidade aparente de 640-1200 g/dm3 quando umedecida na capacidade do recipiente);

§         boa capacidade de aeração;

§         boa capacidade de retenção de água;

§         boa drenagem, com alta taxa de percolação de água;

§         isento de organismos nocivos;

§         não ser salino, alcalino ou ácido;

§         isento de substâncias tóxicas;

§         permitir a esterilização, sem mudar de propriedade ou qualidade;

§         ser uniforme e estável em toda a extensão;

§         possa ser produzido economicamente;

§         possa ser encontrado facilmente;

§         não apresentar propriedades desagradáveis;

§         não deixar resíduos que prejudiquem o ambiente ou a saúde;

§         ser leve;

§         possa ser armazenado por longo tempo, sem perder a qualidade;

§         facilite a inserção de microestacas.

 

É praticamente impossível encontrar estas características em um só material. Por isso, o que se tenta é obter um material artificial decorrente da mistura de dois ou mais componentes, com o máximo de características ideais possíveis.

Dadas as propriedades do solo, neste tipo de substrato, ele não entra como componente; daí ser chamado método sem solo, substrato sem solo, mistura artificial sem solo, ou simplesmente mistura.

Os materiais usados na mistura são os mais diversos:

 

1.    mineral:

§         areia

§         vermiculita

§         pedrisco perlita

§         lã de rocha

 

2.    orgânico:

§         turfa ou serrapilheira

§         lodo de esgoto

§         lixo tratado

§         casca de árvores

§         esterco

§         casca de arroz, amendoim, café, mamona, etc.

§         pode-serra ou fitas de madeira

§         bagacilho de cana e torta de filtro Oliver

§         húmus

 

Com relação ao material orgânico, a idéia é usar material que seja excedente ou em grande quantidade na região. Nuca se deve fazer material orgânico para este fim especifico.

 

3.    outros:

§         bolinhas ou flocos de isopor

§         caco de vidro

§         partículas de pneu

§         espumas fenólicas

 

Para a formulação de uma mistura é necessário testar o material obtido. Não existe uma regra ou uma receita. Porém, alguns princípios devem ser levados em conta e ajudam muito:

 

o         a mistura deve ter excelentes características físicas, onde a relação umidade/ar deve chegar próximo a 50/50 em volume (Mc­Cown, 1986);

o          no caso de se usar a areia como um dos componentes, ela não deve ultrapassar 50% do volume;

o          a mistura não deve conter mais de 17<31> do volume em argila. Isso é válido também para aqueles casos em que se usam mate­riais muito finos

o          a vermiculita não deve ultrapassar 50% do volume, porque a mistura perde corpo;

o          é sempre interessante que entre um componente orgânico:

§         no mínimo 1/3 do volume da mistura deve ser derivado de húmus de alta qualidade ou material semelhante (Waters, Lewellyn e Nesmith, 1970);

o         uma mistura de três componentes é superior àquela de dois;

o         para vaso: o teor de matéria orgânica deve manter-se estável, não diminuindo significativamente em volume, durante o crescimento da cultura;

o         matéria orgânica com relação razoável de C, N e com taxa de decomposição tal que o N não seja problema;

o         nível suficiente de nutrientes, para prevenir uma possível deficiência durante o crescimento das plantas;

o         a mistura deve conter todos os nutrientes necessários, durante o período de produção de mudas, principalmente o P;

o         a mistura deve ter baixos níveis de N e K, para permitir que a muda atinja o estágio de folhas cotiledonares antes das adubações de cobertura se iniciarem;

o          quando materiais de diferentes tamanhos são misturados, o volume resultante é menor do que o volume dos componentes originais. Quanto maior a diferença de tamanho das partículas. maior o encolhimento de volume;

o          nem sempre é fácil fazer com que os componentes se misturem e permaneçam como tal. Neste caso, o umedecimento leve pode resolver o problema;

o          um dos componentes deve ser um material de origem orgânica;

o          um dos componentes deve possuir alta capacidade de re­tenção de água;

o          o meio sem solo é melhor que o meio à base de solo, quando se quer um meio de pH mais baixo. Os micronutrientes são mais fixados, a toxicidade de amônia é mais prevalente e maior quantidade de fósforo de pré-plantio é necessária.

 

O    manuseio e utilização da mistura requer cuidados especiais. Não se deve esquecer que ela é a base fundamental sobre a qual as plantas se desenvolvem (Bunt, 1976). A mistura serve de suporte para a planta e dá aquele ambiente favorável para o desenvolvi­mento das raízes.

Quanto melhor a qualidade das mudas ou dos seedlings, maior é a possibilidade de sucesso com a cultura.

Qualquer erro que se cometa na fase de seedlings ou de produção de mudas é difícil de ser corrigido posteriormente, e ele pode ser evidenciado na planta adulta.

As diferenças entre o ambiente solo e da mistura são evidentes, acentuando-se quando estão em recipientes. Quando as plantas estão se desenvolvendo em recipientes, as raízes estão restritas a um volume pequeno de substrato, portanto, a demanda por água, ar e nutrientes é maior do que aquelas que se desenvolvem em condições sem restrição de volume (Bunt, 1976). Por outro lado, o substrato que vai manter as plantas por curto período de tempo pode não ser satisfatório para aquelas que vão ficar mais tempo.

Para as mudas de hortaliças, deve-se entender que a mistura apresente todas as qualidades possíveis até no máximo 40 dias. pois a partir daí não é interessante, economicamente, manter as mudas.

O    substrato deve possuir maior porosidade que o solo, devi­do a maior atividade dos microorganismos sob condições de alto

teor de matéria orgânica, alta temperatura, com água e nutrientes em abundância. Para se cultivar as plantas em recipiente, há necessidade de melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas da mistura.

Bunt (1976) recomenda tomar as seguintes precauções para reduzir os efeitos negativos da salinidade sobre as plantas:

 

§         a mistura deve ser mantida úmida;

§         nunca aplicar adubos em pó ou soluções fortes a uma mistura seca;

§         examinar regularmente a solução nutritiva, através da condutividade elétrica;

§         evitar adubos que provoquem stress elevado de soluto, para uma dada quantidade dos nutrientes;

§         quando a salinidade do composto se elevar, manter água corrente sobre a mistura para aumentar a lixiviação do excesso de sal;

§         manter as plantas sombreadas e elevar a umidade do ambiente.

 

§         Muitos produtores têm problemas quando se cultiva em substrato à base de casca e que são devidos basicamente a (Wilson, 1983);

§         deficiência de nitrogênio, devido a alta relação C/N;

§         materiais tóxicos na compostagem malfeita e alto teor de material lenhoso;

§         secamento do composto, devido à quantidade elevada de partículas grandes;

 

antagonismos comuns de ocorrência geral:

 

       excesso de                               induz deficiência de

       NO-3                                           K

       K                                                N, Ca, Mg

       Na                                              K, Ca, Mg

       Ca                                              K, Mg, P, Fe, Mn, NH4,

                                                          Zn, B, Cu

       Mg                                              Ca

       Fe                                              Mn

       Mn                                              Fe

       NH+4                                           Ca, Cu, Mg

 

 

§           altas concentrações de sais solúveis resultam em baixa disponibilidade de água às plantas, o que leva ao ressecamento e morte das raízes;

§           as deficiências podem ocorrer porque a faixa de pH não é obedecida.

 

De acordo com McCown (1986), se a cultura a ser plantada é de crescimento rápido, não é muito apropriado adubar antes do plantio. As microestacas de batata, quando pré-adubadas, são menores em comparação com aquelas de bandejas que foram aduba­das após o desenvolvimento das raízes.

Além disso, o aumento na salinidade da água do substrato provoca uma redução na intensidade da força de emergência exercida pelo seedlings, e conseqüentemente aumenta o tempo necessário para que o seedling atinja o limite mínimo de força de emergência. Ou seja, demora-se mais para emergir (Benjamin, 1990). Os sais que aumentam a salinidade da água, do solo ou substrato, podem ter eleito oposto ao do crescimento do seedling, estimulados pelos nutrientes minerais essenciais, como o fósforo.

Em razão disto, - das dificuldades no controle do suprimento de N e P e micronutrientes, maior dependência do suprimento mineral líquido e ausência da capacidade tampão que evite uma mu­dança rápida nos níveis gerais dos nutrientes, - é que se está mu­dando a forma de adubação das misturas. São intensas as pesquisas visando mais à adubação após a emergência dos seedlings, do que fazer uma mistura bem adubada. A relação entre os nutrientes deve ser levada em consideração. Em geral, usa-se a seguinte relação entre nutrientes:

 

N:K:Ca:Mg: 1:1:1:0,5

Mn:Fe: 1:2

 

O    substrato deve ter baixa salinidade, elevada capacidade tampão (para manter o pH constante) e velocidade mínima de de­composição.

Neste caso, faz-se uma leve aplicação de adubo misturada ao substrato e uma aplicação maciça de adubo liquido. posteriormente, deixando as mudas bem nutridas, a um nível pré-intoxicação, saturado. Assim, quando elas forem transplantadas, vão se enraizar rapidamente, sem haver esgotamento dos nutrientes.

As soluções nutritivas devem ser usadas para controlar o crescimento das plantas. O tipo de solução nutritiva depende da espécie, adubação feita na base, tipo de substrato, freqüência e manejo adotado.

 

PROTEÇÃO

 

Muitos não acham essencial o uso de proteção. Porém, se criar-se uma condição que diminua o risco de uma possível calamidade, é natural que o custo das mudas será menor e as mudas serão mais sadias.

 

A proteção é contra rajadas de vento, sobretudo com areia, excesso de chuva, temperaturas muito altas ou baixas, invasão de pragas, principalmente as sugadoras, granizos, etc.

 

O túnel plástico alto é um dos mais utilizados devido à sua praticidade. Os túneis são próprios para pequenas áreas; aumentam o ciclo de produção, pois reduzem o risco com temperaturas extremas e excesso de umidade. Além disso, esses túneis permitem a locomoção dentro deles, sem nenhum problema, permitem o uso de sistemas de irrigação de qualquer tipo, uso de pulverizadores, etc.

 

Outro tipo de proteção são os sombrites. Este tipo de proteção às vezes é necessário em determinadas regiões mais quentes. Por isso mesmo, cm geral, os produtores usam-no conjuntamente com os túneis plásticos, fazendo uma proteção mista, o que permite uma ventilação maior dos túneis plásticos nos momentos ou épocas quentes.

A utilização de coberturas mais sofisticadas e sólidas também é possível. Geralmente isso é feito nos países onde há uma indústria de produção de mudas em larga escala e onde a amortização é rápida, tomando possível tal atividade.

Para que se tenha a maior uniformidade possível de mudas. é necessário que o ambiente tenha a máxima uniformidade em toda a extensão do viveiro. Por isso a proteção é importante. Na indústria de produção de mudas, é possível chegar ao estágio de controle total do ambiente.

 

IRRIGAÇÃO

 

O manuseio da umidade em um sistema fechado ou semi-aberto é um dos pontos chave no sucesso da produção de mudas de alta qualidade.

A necessidade de água é sentida em todas as fases da produção de mudas. Qualquer restrição no suprimento de água reduz a taxa e a percentagem de germinação, a emergência das sementes e a taxa de desenvolvimento das mudas.

O suprimento de água é governado por (Benjamin, 1990): a) condutividade da água do solo; b) grau de contato da semente-água do solo; c) potenciais osmótico e matricial.

A ampliação no tempo de emergência dos seedlings é devida a uma restrição no crescimento dos seedlings pela resistência do solo. Isto é, maior a resistência, menor o crescimento. A resistência do solo depende do seu teor de água. Os solos mais secos tornam-se mais resistentes: o secamento lento provoca a formação de aglomerados mais fechados de partículas do solo, resultando em altas resistências (Benjamin, 1990).

Contudo, o excesso de água tem as suas desvantagens também. A elevação no suprimento de água restringe o suprimento de O2 necessário para a germinação e desenvolvimento das raízes.

Geralmente, o substrato para bandejas possui alta capacidade de retenção de água. A quantidade de ar e água no substrato é de­terminado por:

 

§           tipo e tamanho do container ou recipiente;

§           como o substrato é manejado (compactação, % de umidade, técnica de enchimento de vaso) antes de plantar ou semear:

§           práticas e técnicas de irrigação;

§           a relação ar/água no recipiente é diretamente controlada pelo produtor.

 

Segundo Benjamin (1990). O O2 está escassamente dissolvido na água e sua solubilidade diminui com aumento da temperatura.

enquanto que a demanda metabólica pelo O2 aumenta, aumentando a produção de CO2. O aumento de CO2 tem efeito venenoso sobre a germinação, inibindo-a quando há qualquer excesso na água, por pequeno que seja.

O suprimento inadequado de 02 pode ser aliviado com a cobertura da semente com peróxido de Ca ou Zn, ou incorporando peróxido de Ca no meio da cultura.

Na produção de mudas, a irrigação deve ser uniforme e com gotas pequenas, que permita manter um nível adequado de água, o que tem exigido até três irrigações por dia em determinadas situações, mais quente ou maior movimentação do ar.

O sistema dever fornecer água em quantidades iguais para todos os recipientes, uniformemente. O excesso de água causa lixiviação de nutrientes, crescimento de algas, musgos e doenças. A falta repentina de água provoca aumento da salinidade, contração do substrato, e, em casos severos, morte das mudas.

O produtor deve ter sempre à mão um sistema auxiliar e manual e/ou independente da rede elétrica (tipo movido por motor a diesel), com depósito de água, ou tanque, suficiente para o caso de emergência ou falha do sistema em uso (falta de energia, água, ou entupimento de cano, etc), ou fazer a complementação de água, caso seja necessário.

A irrigação não deve ser vista somente como mecanismo de fornecimento de água, mas também como um meio de reduzir a temperatura ambiente, quando necessário.

 

 

Deve-se evitar a formação de poças de água no chão ou respingos de água na cobertura, pois podem prejudicar o ambiente de produção de mudas.

O    problema de se ter uma boa distribuição de água, com o mínimo de gasto possível, não ocorre só no Brasil. É geral e os sistemas são eficientes em uma parte e deficientes em outras (Quadro XIll. 2).

 

 

 

A qualidade da água deve ser importante. Os principais parâmetros a se considerar estão no quadro XIII. 3

 

QUADRO XIII.3 - Guia de qualidade da água, segundo Ayer e Hasek (1977), citado por Nelson (1991).

 

 

Os sistemas que podem ser utilizados na irrigação das bandejas são:

 

a. aspersão

b. gotejamento

c. nebulizantes

d. pulverizadores em barra

e. por capilaridade

 

De acordo com a Eucatex Mineral (s.d.), os microaspersores dão boa cobertura de irrigação, principalmente com os tipos difusores ou nebulizadores, evitando as irrigações laterais com jatos fortes, que arrastam as sementes e o substrato ou recobrem excessivamente as sementes.

Os principais problemas que podem acontecer e podem ser evitados com certos cuidados, são:

 

§           entupimento dos bicos de aspersão ou do gotejador, devido à má qualidade da água;

§           selamento ou entortamento das bandejas, devido à deficiência na construção dos estaleiros de suporte. Conseqüentemente, há acúmulo de água em determinadas partes;

§           excessiva ou pequena saída de água, devido aos cálculos inadequados na definição do tamanho do conjunto moto bomba;

§           excessiva ou pequena quantidade de água devido à freqüência de irrigação não ser bem calculada, ou estar nas mãos de pessoas não qualificadas ou influência muito alta do vento ou insolação.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A utilização do sistema de bandejas para produção de mudas não é somente uma questão de custo ou do sistema em si, mas, também, de cabeça. Não se pode fazer uma inovação, se não houver uma mudança no modo de pensar.

Nestes oito anos de introdução do sistema, tem sido possível observar as mais variadas reações por parte dos produtores. Embora alguns tenham reagido com muita cautela, evitando a utilização do sistema, hoje são produzidas, aproximadamente, 80 milhões de mudas de hortaliças das mais diversas espécies. A maior parte fica com o tomate e alface.

Até a cultura do tomate rasteiro tem registrado alguma adoção do sistema por parte dos produtores, utilizando-se o transplante mecanizado.

Há aqueles produtores que utilizam somente parte do sistema. Outros, querem produzir todas as mudas que eles utilizam pelo sistema. Acontece que é mais fácil e barato comprar as mu­das, pois adquirir e montar todo o sistema para a produção de mu­das pode ser muito caro, porque sua utilização será muito ociosa. O sistema deve ser utilizado intensivamente o ano todo.

Por outro lado, há aqueles produtores que procuram usar o sistema para a produção das mais diversas espécies. É bom lembrar que as pesquisas são muito poucas ainda; não há como testar o sistema para todas as espécies comerciais e isso deve levar algum tempo. Nem todas as espécies aceitam tal sistema e o substrato nem sempre está adequando às exigências da cultura.

A necessidade de se fazer mais pesquisas é uma das prioridades. Mesmo porque as mudanças que vêm ocorrendo são rápidas demais.

Embora o sistema de bandejas esteja chegando ao auge, é preciso ver mais para a frente. É bem provável que haja necessidade de se introduzirem novos recipientes e novas formas de obter as mudas de melhor qualidade.

Outro ponto importante é a necessidade de se testarem n~ vos materiais para se fazerem novas formulações de misturas. As fibras de casca de coco, espumas fenólicas, lã de vidro, torta de filtro, etc., são alguns dos materiais que se têm mostrado bastante promissores.

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

Bunt, A.C. Modern Potting Composts. George AlIen & Unwin. Londres, 1976, 277 p.

Benjamin, L.R. "Variation in time of seedling emergence within populations: a feature that determines individual growth and development Advances in Agronomy 44:1-25, 1990.

Chipman, E. "The effect of time of seedling and plant topping on the production of early and total yields of ripe tomatoes." Proc. Amer. Soc. Hort. Sci. 77:483-486,1961.

Davidson, II., R. Mecklenburg, e C. Peterson. Nursery Management Administration and Culture. 2ª ed. Regents/Prentice-Hall, Englewood Cliffs 413 p. 1988.

Eucatex Mineral. Plantimax, a tecnologia aplicada à terra. 20 p. s.d.

Fisher, K.J., e B.L. Benson. "The effect of nitrogen, volume of media, plant density and module shape on the growth of asparagus seedlings Scientia Horticulturae 24:45-51, 1984.

Marr, C.W., e M. Jirak. "Holding tomato transplant in plug trays." Hort Science 25(2):173-176, 1990.

McCown, D.D. "Plug systems for micropropagules." In R.H. Zimerman, RJ. Guesbach, F.A. Hammerschlag e R.H. Lawson (orgs.), Tissue Culture as a Plant Production System for Horticultural Crops, 53-60.

Martinus Nejhoff, Publishers, Dordrecht, Holanda, 1986.

Minami, K. Produção de mudas em recipientes. Anotações de aula de Fisiologia das Hortaliças, CPG - Fitotecnia." 1994.

Nelson, P.V. Greenhouse: operation and management. ed. Prentice-Hall, Englewood Cliffs, 612 p, 1991.

Waters, W.E., W.L.Lewellyn, e J. Nesmith. "The chemical, physical an salinity characteristics of 27 soil media." Proc. Fla. State Hort. Soc. 83:482-488,1970.

Whitcomb, C.E. Plant production in containers. Lacebark Publications, Stillawater (U.S.A.), 1984, 638 p.

Wilson, C.G.S. "Tomato production in bark substrates."  Acta Horticulturae 150:271-276,1983.