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O Estado da Bahia pode ser considerado
como berço natural para a produção de flores e plantas ornamentais. A grande
diversidade de clima e solo existente nos 567.000 km2 de extensão
territorial, formada por domínios ecológicos caracterizados em microclimas
propícios a atividade da floricultura, variando desde o semi-árido e o cerrado,
até o úmido e sub-úmido, cria possibilidades de inúmeros cultivos de espécies
nativas e exóticas de flores e plantas ornamentais (Scherer, 2002).
O Estado da Bahia possui 13 milhões de
habitantes, sendo que, na Capital, residem 2,24 milhões, havendo, portanto, um excepcional
mercado consumidor. Além disso, a Bahia encontra-se geograficamente localizada
próxima a outros grandes mercados consumidores como as regiões Sudeste e
Nordeste. As cidades baianas onde já se constata a franca expansão da produção
de flores são: Maracás, Ituberá, Ilhéus, Camaçari, Amélia Rodrigues, Morro do
Chapéu, Vitória da Conquista, Mata de São João e Juazeiro (Scherer, 2002).
A produção de flores no Estado encontra-se
em seis regiões: Litoral Norte, nos
municípios de Amélia Rodrigues e Mata de São João; Baixo Sul, nos municípios de Valença, Nilo Peçanha, Ituberá,
Taperoá e Piraí do Norte; Sul, nos
municípios de Ilhéus, Itabuna, Santa Cruz da Vitória e Canavieiras; Sudoeste, nos municípios de Maracás,
Jaguaquara, Lajedo do Tabocal, Vitória da Conquista e Barra do Choça; Chapada Diamantina, envolvendo os
municípios de Mucugê, Andaraí, Lençóis,
Barra da Estiva, Rio de Contas, Bonito, Ibicoara, Piatã, Seabra e Palmeiras; Piemonte da Diamantina, nos municípios
de Morro do Chapéu e Senhor do Bonfim.
A floricultura na Bahia sempre foi uma
atividade de pequenos agricultores, cuja produção era vendida em feiras livres
das cidades do interior, diretamente ao consumidor. Atualmente, essa produção
que se inicia é formada por produtores profissionais ou de associações de produtores
que buscam tecnologia para produzir com qualidade. No município de Maracás, já
se produzem gladíolos, rosas, crisântemos, tango, copo-de-leite, lírio, etc.,
por pequenos produtores que fazem parte de uma associação. Em Ituberá, existe a
produção de flores tropicais pela Empresa Agripalm. Outras regiões, como a Zona
Cacaueira (Sul do Estado) e o Recôncavo (região de Salvador) são propícias ao
cultivo dessas flores. O Planalto de Maracás e a Chapada Diamantina são regiões
com forte potencial para produzir bromélias para o mercado externo.
Apesar das condições favoráveis à
implantação do setor de produção de flores no Estado, um dos grandes problemas
enfrentados diz respeito à comercialização da produção e à assistência técnica
disponível (BOLETIM INFORMATIVO IBRAFLOR, 2001).
O sistema de comercialização de flores e
plantas ornamentais é bastante desorganizado, não existindo atacadistas, nem
pontos certos de venda. O sistema de entrega de porta em porta ainda ocorre com
muita freqüência, onerando os custos e prejudicando a qualidade dos produtos. Em
Salvador, as perdas para os floristas chegam a atingir 50% em conseqüência da
manipulação excessiva e alta perecibilidade (FARIAS, 1996).
Outras regiões do Estado já iniciaram a
produção de flores e/ou plantas ornamentais. podemos citar as cidades de
Jequié, com produção de rosas em estufas; Buerarema, com produção de antúrios,
e Teixeira de Freitas, com produção de crisântemo em vasos.
A produção de flores e
plantas ornamentais na Bahia é bastante pequena. Apesar das condições
climáticas serem bastante favoráveis à produção, por existirem microregiões com
microclimas distintos muito apropriados ao sistema. A grande dependência do
abastecimento de flores provenientes do estado de São Paulo chega a 97% na
cidade de Salvador.
Os municípios de Mata de São
João, Amélia Rodrigues e Morro do Chapéu, abastecem internamente 3% desse
mercado principalmente com plantas ornamentais. No município de Vitória da
Conquista situado no sudoeste da Bahia, possui temperatura média anual de
21,5ºC, numa altitude em torno de
As floriculturas da cidade
não recebem essas espécies, são abastecidas pelos caminhões provenientes do
estado de São Paulo, que passam em cada floricultura em torno de 3 vezes por
semana via BR-116 que cruza a cidade. Em recente trabalho realizado por
Farias(1996) é relatado que na cidade de Salvador e Lauro de Freitas o comércio
de flores e plantas ornamentais ocorre com produtos provenientes dos municípios
paulistas de Holambra e Atibaia, locais que respondem por cerca de 80% da
produção nacional. O sistema de comercialização é inadequado, não existe uma
central de abastecimento para o setor na capital Estado. Existe desinformação
sobre a comercialização, levando a esse quadro de desorganização, onde se tem
um crescimento totalmente desordenado de locais para venda e distribuição.
Ainda permanece o sistema d entrega na porta do consumidor.
Problemas de perda no
transporte chega a 10% segundo os caminhoneiros, e são responsáveis pelo
abastecimento de 3,3% do mercado varejista. Com a entrada da empresa atacadista
Holamja-Salvador, o sistema de abastecimento modificou-se, cuja empresa supri
20% do mercado de flores e 40% das plantas ornamentais, cujos produtos são
provenientes do município de Holambra-SP.
PESQUISA MERCADO DE FLORES
COMERCIALIZAÇÃO MÉDIA POR SEMANA FLORES DE CORTE BAHIA, 1996
|
FLORES
DE CORTE |
QUANTIDADE
(Kg) |
% |
|
ROSA |
2.128,9 |
32.2 |
|
CRISÂNTEMO |
1.220,1 |
18.5 |
|
LÍRIO |
639,3 |
9.7 |
|
MARGARIDA |
580,1 |
8.8 |
|
FLOR DE CAMPO |
471,8 |
7.1 |
|
ANGÉLICA |
376,5 |
5.7 |
|
SUB-TOTAL |
5.416,8 |
82 |
|
OUTRAS |
1.188,3 |
18 |
|
TOTAL |
6.605,1 |
100 |
PESQUISA MERCADO DE FLORES COMERCIALIZAÇÃO POR SEMANA PLANTAS
ORNAMENTAIS
BAHIA, 1996
|
QUANTIDADE |
|||
|
PLANTAS
ORNAMENTAIS |
ABSOLUTO |
RELATIVO |
|
|
(UNIDADE) |
SIMPLES |
ACUMULADO |
|
|
VIOLETA |
4.274 |
21,04 |
21,04 |
|
KALANCHOE |
3.526 |
17,36 |
17,36 |
|
CRISÂNTEMO |
1.258 |
6,19 |
6,19 |
|
MINI-ROSA |
1.098 |
5,41 |
5,41 |
|
MINI-CRISÂNTEMO |
846 |
4,17 |
4,17 |
|
SAMAMBAIA |
768 |
3,78 |
3,78 |
|
CACTUS |
757 |
3,72 |
3,72 |
|
AZALÉIA |
727 |
3,58 |
3,58 |
|
MINI-EXÓRIA |
649 |
3,20 |
3,20 |
|
EXÓRIA |
544 |
2,68 |
2,68 |
|
SUBTOTAL |
14.447 |
71,12 |
71,12 |
|
OUTRAS |
5.866 |
28,88 |
28,88 |
|
TOTAL |
20.313 |
100,00 |
100,00 |
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