Floricultura no Brasil


I- Introdução
II - Regiões Produtoras
III - Aspectos Econômicos
IV- Pesquisa e o Ensino em Floricultura
V - Considerações Finais

Floricultura no Brasil - Texto em Español


I - INTRODUÇÃO

A floricultura, em seu sentido amplo, abrange o cultivo de plantas ornamentais, desde flores de corte e plantas envasadas, floríferas ou não, até a produção de sementes, bulbos e mudas de árvores de grande porte. É um setor altamente competitivo, que exige a utilização de tecnologias avançadas, profundo conhecimento técnico pelo produtor e um sistema eficiente de distribuição e comercialização.

Embora presente no cotidiano do brasileiro desde o final do século passado, a floricultura nacional, até meados da década de 50, era pouco expressiva tanto econômica como tecnologicamente, caracterizando-se como uma atividade paralela a outros setores agrícolas. Os principais cultivos localizavam-se nas regiões próximas às capitais do sudeste e sul do país, não tendo quase expressão no contexto da agricultura nacional.

No início deste século a floricultura constituía-se principalmente do cultivo de flores nos jardins e quintais das residências, onde desempenhava função paisagística ou, quando colhidas, empregadas na decoração de interiores. Destacava-se, nesta época no Estado de São Paulo, a firma DIEBERGER, fundada em 1893, que embora praticando a floricultura como atividade paralela à fruticultura, seu forte, formou outros produtores de renome tais como os irmãos Boettcher, seus empregados até 1929 quando iniciaram seu próprio negócio, hoje a conhecida "Roselândia" e, no Estado do Rio de Janeiro, o "Orquidário Binot", em petrópolis o mais antigo do Brasil, existindo desde a época do Império.

Com a especulação imobiliária, as chácaras e as grandes mansões foram sendo gradativamente substituídas por conjuntos residenciais, privando parte da população da possibilidade de cultivar flores para o seu consumo. Houve, desse modo a necessidade de um suporte representado pelo cultivo em escala comercial de plantas ornamentais diversas.

O pioneirismo da iniciativa coube à colônia portuguesa. A princípio a produção era pequena e visava abastecer o mercado em épocas definidas de intensa demanda como Dia das Mães, Dias dos Namorados, Finados e Natal. Com a ocorrência dos fluxos migratórios, assentamentos e diversificação das atividades dos imigrantes, a floricultura passou à apresentar os primeiros sinais de organização e crescimento. Papel preponderante tiveram os italianos, alemães e principalmente os japoneses. Com a fundação, por imigrantes holandeses, da Cooperativa Agropecuária Holambra, observou-se um novo e decisivo impulso.

Com o aumento da produção, os sistemas de comercialização foram se alterando, organizando-se os primeiros mercados.

Inicialmente os produtos eram vendidos em barracões armados em praças como no Rio de Janeiro (Centro) e São Paulo (Cantareira, Largo do Arouche, Praça Charles Miller) em locais sem a mínima infra-estrutura. E começava a expedição de pequenas quantidades de gladíolos, por meio ferroviário, a cidades cada vez mais distantes e aumentando assim tanto a demanda como a distribuição.

Em 1969, com a inauguração do Mercado de Flores na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), começava a organização do comércio de flores e plantas ornamentais. Nesse terminal, atualmente, as flores e plantas ornamentais são transacionadas às terças e sextas-feiras.

Em 1972, com a organização implantada pela Cooperativa Agropecuária Holambra, imprimiu-se uma profissionalização ao comércio de plantas ornamentais, nessa época já bastante diversificada: os grupos de produção e dos comerciantes emergidos dentro da Cooperativa uniram-se na comercialização, ficando a produção sob a responsabilidade de cada produtor.

Essa organização refletiu-se no aprimoramento das atividades desenvolvidas pelos demais produtores, de modo que o binômio quantidade produzida/qualidade do produto, passou a ser melhor atendido.

A abertura do Veiling, na Cooperativa Agropecuária Holambra, em 1991, sistema de comercialização moderno e transparente, contribuiu para conduzir a floricultura nacional ao seu estádio de desenvolvimento atual.


II - REGIÕES PRODUTORAS


A floricultura brasileira vem se expandindo e colhendo resultados positivos, mesmo em períodos de crise. Estima-se que a produção nacional de flores movimenta ao redor de US$ 100 milhões anuais, com o consumo interno absorvendo mais de 90% desse total e exportações no valor de US$ FOB 11,4 milhões em 1991.

Destacam-se, por ordem decrescente de importância de produção, os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Paraná e Goiás. Nas demais unidades da federação, embora ocorram microclimas adequados ao empreendimento, a horticultura ornamental é pouco desenvolvida, sendo a maior parte das floríferas disponíveis no mercado provenientes de outras regiões.

Em São Paulo, a floricultura, em 1968, era difundida em 37 municípios distribuídos pelas regiões da própria capital, Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto e Vale do Paraíba e explorada por aproximadamente 400 produtores. O Censo Agropecuário de 1980 (IBGE) mostrou a existência de 1613 produtores de flores e plantas ornamentais, distribuídos em 219 municípios das 11 regiões Araçatuba (42), Barretos (06), Bauru (25), Campinas (595), Marília (28), Presidente Prudente (24), Registro (102), Ribeirão Preto (35), São José dos Campos (485), São José do Rio Preto (22) e Sorocaba (249).

Atualmente estima-se que o setor da floricultura envolve os interesses de 4.000 produtores de 2.500 logistas (1.500 só na cidade de São Paulo), sendo várias as associações de Produtores organizados no Estado de São Paulo.

As principais espécies em cultivo nesse Estado podem ser agrupadas da seguinte forma:

floríferas de corte: crisântemo, rosa, gipsofila, gradíolo, cravo, estrelícia, lírio, margarida, antúrio,  estatice, gérbera e outras;

floríferas envasadas: violeta africana, prímula, senécio, crisântemo, begônia, antúrio, calceolária, ciclame, gloxínia, orquídeas e outras;

outras plantas envasadas: cactos, samambaias e aráceas ;

folhagens: marantáceas, aráceas, acantáceas, pteridófitas;

arbustos: ericáceas, teáceas, rosáceas, rubiáceas;

forrações: gramíneas, liliáceas, solanáceas;

palmeiras: Syagrus, Chrysalidocarpus, Washingtonia, Euterpe;

arbóreas: leguminosas, bignoniáceas, mirtáceas, coníferas e outras.

 

As espécies de flores comercializadas na Holambra, atualmente, são:

plantas verdes: areca bambu, árvore da felicidade, asplenium, avenca, clorofito, diefembachia, dracena, hera sinécio, ficus, fitônia, gibóia, leia rubra, musgo, palmeira, peperônia, palmeira phoenix, philodendro, platicerium, polipodium, renda portuguesa, sheflera, samambaia, singônio, suculentas (cactus);

flores de corte: antúrio, arfobia, ageranthum, angélica, ammi majus, áster, alstroemeria, aspargus, boca-de-leão, branquinha, crisântemo, crisântemo mini, gradíolo, gloriosa, gypsofila, helicônia, íris, lisianthus, lírio, perpétua, celósia cristata, carioquinha, cybidium, denphalaenopsis, estrela dalva, estrelítzia, gérbera mini, gérbera, phalaenopsis, rosas, rosas mini, solidago, solidaster, statice, trachelium;

plantas com flor: antúrio, amarílis, achinanthus, azaléia, begônia, bromélias, cyclame, crisântemo, crisântemo mini, columéia, crossandra, phalaenopsis, flor-de-maio, gérbera, hyacintos, ixoria, ixoria mini, impatiens, kalanchoe, kalanchoe mini, lágrima-de-cristo, lírio, poisetia, rabo-de-gato, rosa mini, sphatyphilium (lírio-da-paz), violeta africana e violeta mini.


Em Minas Gerais, a floricultura foi localizada nas regiões de Barbacena, Juiz de Fora, São João Del Rei, Belo Horizonte, Congonhas, Mateus Leme, Sete Lagoas e Diamantina, expandiu-se para Ituiutaba, Uberaba, Uberlândia, Viçosa, Pato de Minas, Paracatu, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Montes Claros, e pricipalmente Poços de Caldas, Alfenas, Itajubá, Lavras, Pouso Alegre, Munhoz, Andradas, Florestal, Juatuba, entre outras, sendo praticada por 342 produtores, em 1987, demonstrando um razoável crescimento em relação a semelhante avaliação efetuada em 1979, quando se constatou a existência de 179 produtores dispersos em uma área de 120 ha.
Nesse Estado, a floricultura de corte tem nas rosas a sua exploração principal, sendo em menor escala o crisântemo, o cravo, o áster, o gladíolo e produtos de floricultura silvestre. Entre as demais plantas ornamentais destacam-se alguns arbustos (azaléias, primaveras e dracenas, folhagens (aráceas), plantas envasadas (violeta africana) e samambaia) e espécies arbóreas (bignoniáceas, melastomatáceas e leguminosas, pricipalmente). No total são comercialmente exploradas 120 diferentes plantas ornamentais.


No Estado do Rio de Janeiro, a produção está localizada próximo à capital, nas circunvizinhanças de Volta Redonda e Barra Mansa e pricipalmente na região serrana, incluíndo os municípios de Petrópolis e Teresópolis. Dados específicos sobre o setor não foram conseguidos mas sabe-se estar a floricultura carioca embasada na produção de plantas ornamentais de origem tropical, como antúrio, orquídeas, dracenas, bromélias e outras folhagens.


Em virtude da expansão constatada na última década, o Rio Grande do Sul já pode ser considerado o 4º Estado produtor brasileiro de flores e plantas ornamentais. Levantamentos de 1987 mostram a existência de 270 floricultores no Estado, distribuídos por 102 municípios, embora mais de 50% dos viveiros gaúchos concentrem-se em apenas 11 municípios: São Sebastião do Caí, Monte Negro, Farroupilha, Porto Alegre, Ibiaçá, Casca, Santiago, Passo Fundo, Feliz, Machadinho e Lageado. Os viveiros sul-riograndenses podem ser divididos em duas categorias principais, de acordo com a espécie mais frequentemente cultivada: os produtores de flores de corte (crisântemo, rosa, gipsofila, cravo e flores campestres) e os produtores de plantas para jardins (arbustos e árvores). São poucas as propriedades que se dedicam à produção de plantas para vasos. Também não foram encontradas referências sobre a área ocupada pela atividade.


Nos demais Estados produtores, a situação é semelhante, inexistindo levantamentos específicos sobre o setor. Sabe-se que em Santa Catarina a floricultura encontra-se implantada em regiões próximas a Florianópolis, Blumenau, Joinville, São Bento do Sul, Biguaçu e Corupá, reunindo-se os principais viveiristas na Associação dos Produtores de Plantas Ornamentais de Santa Catarina.

No Paraná a floricultura é disseminada nas circunvizinhanças da capital do Estado.


A produção pernambucana concentra-se nas regiões de Garanhuns, Gravatá, Barra de Guabiraba e Caruaru, que apresentam adequação climática ao empreendimento. Os dados disponíveis demonstram que a floricultura nesses locais, abrange uma área cultivada de 165 ha e envolve 108 produtores, sendo rosas, gladíolos, cravos e crisântemos nas principais espécies cultivadas, por ordem de volume de produção.


Em Goiás, a floricultura encontra-se em fase de implantação, nas proximidades de Goiânia, e vem empregando tecnologia de produção altamente aprimorada, visando superar os obstáculos correlatos às condições edafoclimáticas regionais.


III - ASPECTOS ECONÔMICOS

SITUAÇÃO DA FLORICULTURA NO BRASIL

 

 

            O mercado brasileiro de flores, no último triênio, apresentou crescimento de 23% ao ano, passando de US$700 milhões (valor no varejo) em 1995, para um valor estimado em US$ 1,3 bilhões em 1998. Atualmente, a floricultura paulista ocupa cerca de 60% do mercado nacional, movimentando valores em torno de US$ 800 milhões no varejo. A participação de cada segmento no mercado de flores está estimada em 30% para a produção, 20% para a distribuição, 10% para os acessórios e 40% para os pontos de venda. Estima-se que o valor total da produção de flores no Estado de São Paulo, em 1998, esteja em torno de US$ 240 milhões.
            Atualmente, o gasto com flores per capita ao ano no Brasil é de US$ 6,00, ainda muito baixo se comparado ao dos países desenvolvidos. Apesar de muito baixo, este valor é o dobro do verificado em 1994. A Noruega, um dos países de maior consumo de flores, gasta US$ 143,00 per capita ao ano. A diferença entre o consumo brasileiro e o de outros países desenvolvidos permite inferir que há um imenso potencial de mercado de flores ainda inexplorado no Brasil. (Tabela 1)

 

Tabela 1- Gastos per capita ano com flores no Brasil e outros países do Mundo, em 1994 e 1998 (em US$)

 

País

Consumo per capita ao ano

1994

1998

Noruega

137,00

143,00

Alemanha

90,00

137,00

Estados Unidos

43,00

36,00

Argentina

25,00

25,00

Brasil

3,00

6,00

Fonte: Elaborada a partir dos dados de Gazeta Mercantil, 1994 e 1998.
 

            Historicamente, o balanço de importação e exportação brasileiras de plantas vivas e produtos de floricultura foi superavitário. No período 1992-98, o pico da exportação brasileira nessa categoria ocorreu em 1995, com valor de US$ 13,9 milhões, enququanto a importação representou US$ 5,3 milhões. Considerando o período de janeiro/1992 a junho/1998, a relação entre os valores de importação e exportação foi 31%. Esta relação, que em 1992 foi de 6%, evoluiu rapidamente para 56%, 54% e 63% em 1996, 1997 e 1998 (até junho), respectivamente, mostrando a participação crescente da importação no balanço comercial.(Tabela 2)

 

Tabela 2 -Importação e Exportação Brasileiras de Plantas Vivas e Produtos de Floricultura, 1992-98

 

Período

Importação

Exportação

Imp./Exp.

US$ FOB (a)

kg

US$ FOB (b)

kg

(a)/(b)

%

1992

658.744

231.283

11.706.193

3.524.684

6%

1993

978.502

249.275

13.221.437

5.113.512

7%

1994

1.781.228

397.366

12.634.964

4.485.564

14%

1995

5.311.569

834.696

13.903.748

3.509.764

38%

1996

6.638.525

1.346.237

11.855.354

3.154.258

56%

1997

5.944.382

1.374.644

11.004.990

3.617.816

54%

1998*

3.666.372

834.543

5.825.960

1.622.987

63%

Total

24.979.322

5.268.044

80.152.646

25.028.585

31%

* Janeiro a junho.
Fonte: SECEX/DECEX.
 

            A análise dos valores do comércio exterior brasileiro de flores frescas para buquês e de flores secas em 1996 e em 1997, indica que as flores frescas representam 40 a 50% da importação total de plantas vivas e produtos de floricultura, atingindo em 1996 e 1997, US$ 2,6 milhões e US$ 3,1 milhões, respectivamente. Por outro lado, as exportações brasileiras de flores frescas, no mesmo período, foram de US$ 420 mil e US$ 262 mil, indicando grande desequilíbrio no balanço comercial das flores frescas. Ressalte-se, entretanto, o valor de exportações de flores secas no mesmo período de US$ 1 milhão por ano. (Tabela 3)
 

Tabela 3 - Valor da importação e exportação de flores no Brasil, por categoria, 1996-97

(em US$ FOB)

 

Ano 

Valor de Importação 
(a)

Valor de Exportação 
(b)

Imp./Exp.

(a)/(b)

Flores frescas* 

Flores Secas** 

Flores frescas 

Flores secas 

Flores frescas 

Flores secas

1997

2.461.220

425.659

420.416

1.157.418

585

37

1996

3.116.150

94.417

262.162

1.026.722

1189

9

Total 

5.577.370 

520.076 

682.578 

2.184.140 

817 

24

* Flores e seus botões, frescos, cortados para buquês
** Flores e seus botões, secos, etc. cortados
Fonte: Elaborada a partir dos dados de SECEX/DECEX.

            A estrutura de produção de flores no Estado de São Paulo pode ser vislumbrada através dos dados oriundos do Levantamento Censitário de Unidades de Produção Agrícola do Estado de São Paulo (LUPA) 1995/96. O Censo acusou a existência de 1.214 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) cultivando flores em 1995, sendo os Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) que concentram maior número de UPAs, os de Mogi das Cruzes (259 UPAs), Bragança Paulista (238 UPAs), Mogi Mirim (156 UPAs), São Paulo (130 UPAs) e Sorocaba (107 UPAs). Considerando o conceito de área homogênea (AH) utilizado no LUPA, como "um conjunto de talhões com as mesmas características produtivas (os talhões podem não ser contíguos, mas devem estar dentro do mesmo imóvel rural)", o Estado de São Paulo apresentava, ao todo, 1.839 áreas homogêneas cultivadas com flores. Excetuando a categoria outras flores, que engloba todas as espécies ornamentais cultivadas que não sejam antúrio, branquinha, cravo, gradíolo, lírio, margarida, rosa e violeta africana, a categoria de flores com maior número de áreas homogêneas são: rosa (385 AHs), crisântemo (237 AHs), branquinha (89 AHs) e violeta africana (70 AHs). (Tabela 4)

 

Tabela 4 - Número de Áreas Homogêneas (AH) por Flor e Número de Unidade de

Produção Agropecuária (UPA) com Flores, por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), no Estado de São Paulo, 1995/96*

 

EDR 

Antúrio 

Branquinha 

Cravo 

Crisântemo 

Gradíolo 

Lírio 

Margarida 

Outras Flores

Rosa 

Violeta Africana

UPAs por EDR 

Andradina 

Araçatuba 

Araraquara 

Assis 

Avaré 

12 

Barretos 

Bauru 

Bragança Paulista 

33 

93 

56 

184 

238 

Campinas 

55 

13 

70 

Catanduva 

Dracena 

11 

13 

Fernandópolis 

Franca 

Guaratinguetá 

Itapetininga 

18 

Itapeva 

Jales 

Jaú 

Limeira 

14 

Lins 

Marília 

Mogi das Cruzes 

29 

283 

89 

259 

Mogi Mirim 

31 

163 

60 

53 

156 

Orlandia 

Ourinhos 

Pindamonhagaba 

14 

78 

16 

65 

Piracicaba 

Presidente Prudente 

Presidente Venceslau 

Registro 

12 

52 

60 

Ribeirão Preto 

São João da Boa Vista 

13 

São José do Rio Preto 

São Paulo 

17 

161 

130 

Sorocaba 

17 

93 

107 

Tupã 

Votuporanga 

 

 

 

 

 

Total de UPAs no Estado de São Paulo 

1.214 

AH por Flor 

22 

89 

23 

237 

21 

17 

969 

385 

70 

 

 

 

 

 

 

Total de AHs no Estado de São Paulo 

1.839 

 

 

 

* Dados Preliminares
Fonte: Elaborada a partir de dados não publicados do Levantamento Censitário de Unidades de
           Produção Agrícola do Estado de São Paulo (LUPA) 1995/96.
 

            Em termos de área cultivada, a floricultura ocupa 5.165,6 hectares, sendo 2.180,7 ha ocupadas pela categoria outras flores. Em seguida, a de maior área cultivada é a branquinha (1.173,6 ha), vindo a seguir a rosa (984,0 ha) e o crisântemo (498,9 ha). Os EDRs com maiores áreas de cultivo de ornamentais são: Bragança Paulista (876,5 ha), Mogi das Cruzes (751,5 ha), Mogi Mirim (483,9 ha) e São Paulo ( 446,2 ha). (Tabela 5). 

Tabela 5 - Área Cultivada com Flores, por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), por tipo, em hectares, no Estado de São Paulo, 1995/96*

(em ha)

EDR 

Antúrio 

Branquinha 

Cravo 

Crisântemo 

Gradíolo 

Lírio 

Margarida 

Outras Flores 

Rosa 

Violeta Africana 

Total 

Andradina 

1,2 

1,2 

Araçatuba 

1,4 

1,2 

2,6 

Araraquara 

1,0 

1,0 

Assis 

75,0 

75,0 

Avaré 

73,9 

0,7 

4,2 

9,0 

87,8 

Barretos 

0,4 

0,7 

1,1 

Bauru 

3,0 

1,0 

1,5 

5,5 

Bragança Paulista 

40,6 

3,2 

132,7 

2,0 

22,9 

170,8 

502,5 

1,8 

876,5 

Campinas 

0,2 

41,8 

6,1 

0,8 

143,7 

23,2 

1,2 

217,0 

Catanduva 

0,6 

0,6 

Dracena 

346,0 

0,5 

2,4 

348,9 

Fernandópolis 

0,1 

0,1 

0,2 

Franca 

58,8 

58,8 

Guaratinguetá 

2,0 

0,1 

40,0 

0,1 

0,1 

42,3 

Itapetininga 

36,3 

206,8 

0,5 

3,6 

11,2 

4,0 

262,4 

Itapeva 

7,4 

8,4 

15,8 

Jales 

1,4 

0,2 

1,6 

Jaú 

2,4 

2,4 

Limeira 

18,5 

17,3 

1,2 

37,0 

Lins 

2,0 

2,0 

Marília 

0,2 

0,2 

0,1 

0,2 

0,3 

1,0 

Mogi das Cruzes 

9,1 

4,6 

12,5 

81,8 

3,6 

1,3 

447,7 

169,6 

21,3 

751,5 

Mogi Mirim 

0,9 

0,5 

61,4 

5,0 

0,7 

218,1 

166,6 

30,7 

483,9 

Orlandia 

63,5 

63,5 

Ourinhos 

0,1 

0,1 

Pindamonhagaba 

1,8 

2,0 

7,1 

5,3 

12,1 

0,4 

86,4 

38,0 

153,1 

Piracicaba 

9,7 

1,2 

0,1 

11,0 

Presidente Prudente 

7,2 

0,1 

0,1 

5,2 

12,6 

Presidente Venceslau 

3,6 

3,6 

Registro 

35,9 

384,3 

420,2 

Ribeirão Preto 

21,0 

0,1 

21,1 

São João da Boa Vista 

25,5 

72,2 

2,4 

3,0 

50,5 

153,6 

São José do Rio Preto 

1,0 

0,7 

1,7 

São Paulo 

10,5 

5,5 

38,5 

1,4 

387,3 

3,0 

446,2 

Sorocaba 

19,7 

2,5 

34,2 

2,8 

256,3 

10,8 

1,0 

327,3 

Tupã 

39,9 

0,3 

4,1 

44,3 

Votuporanga 

230,2 

1,0 

231,2 

Total 

88,4 

1.173,6 

32,3 

498,9 

91,3 

37,5 

11,7 

2.180,7 

984,0 

67,2 

5.165,6 

* Dados Preliminares
Fonte: Elaborada a partir de dados não publicados do Levantamento Censitário de Unidades de
           Produção Agrícola do Estado de São Paulo (LUPA) 1995/96.
 

            Finalmente, os números elevados tanto de UPAs como de área cultivada com a categoria "outras flores" no Paulo indicam diversidade no tipo de ornamentais cultivadas e diversificação da exploração no Estado de São Paulo, fruto de vocações regionais na produção agrícola.    

IV - PESQUISA E O ENSINO EM FLORICULTURA

Em função da floricultura no Brasil Ter sido durante muito tempo desenvolvida paralelamente a outros setores agrícolas, e muitas vezes ser considerada como destinada à "produção de material supérfluo", a pesquisa nacional tem se mostrado tarefa bastante árdua. Há dificuldade em se encontrar bom material bibliográfico para consultas e estudos, pois a literatura nacional, é quase nula, especialmente no que diz respeito às práticas culturais.

Atualmente a maior parte da pesquisa é realizada no Estado de São Paulo, nas Instituições Científicas e Universidades, enquanto que nos demais Estados a sua quase totalidade é desenvolvida nas Universidades.

O Instituto Agronômico de Campinas, da Secretaria de Agricultura, atua nas áreas de introdução, seleção e Melhoramento Vegetal, Técnicas Culturais, Fisiologia Vegetal, Tecnologia Pós-Colheita e Utilização de Plantas Ornamentais em Paisagismo. Mantém o Complexo Monjolinho, que funciona como banco de germoplasma de ornamentais. Ao Instituto Biológico, também da Secretaria de Agricultura, compete os estudos de Fitossanidade. Também da mesma Secretaria, o Instituto de Economia Agrícola tem-se mostrado inconsistente e sem continuidade no trabalho, haja visto que, atualmente os únicos dados disponíveis sobre comércio interno e externo são fornecidos pela Cooperativa Holambra.

Já da Secretaria do Meio Ambiente, o instituto Florestal tinha como uma de suas linhas de pesquisa o estudo de árvores ornamentais, mas atualmente nada é feito. O Instituto de Botânica, que mantém o jardim Botânico de São Paulo, concentra seus estudos em espécies nativas, buscando novas opções para a floricultura e paisagismo. De suas Reservas biológicas, espécies nativas com potencial ornamental são selecionadas, e estudos feitos visando o conhecimento de sua biologia e possibilidade de utilização em jardinagem, reflorestamento, paisagismo, etc.. Estão sendo trabalhadas espécies de Gesneriáceas, Cactáceas, Palmáceas, Bromeliáceas, Aráceas, Amarilidáceas, etc., com especial destaque para as orquídeas.

O ensino, principal responsável pela capacitação de profissionais especializados, requisitados por esse campo de trabalho, teve um grande incentivo a partir de 1986, através da Portaria do Ministério da Educação que estabeleceu a obrigatoriedade da inclusão da disciplina "Floricultura" no currículo mínimo das Faculdades de Agronomia do país.

Nas Universidades paulistas, disciplinas voltadas à floricultura e/ou paisagismo tem sido ministradas e teses orientadas:

USP – ESALQ

UNESP – Campus de Jaboticabal

UNESP – Campus de Botucatu

UNESP – Campus de Ilha Solteira

UNICAMP – começa à nível de Pós-Graduação uma disciplina voltada à Pós-Colheita.

No Estado de Minas Gerais, a Universidade Federal de Viçosa foi a primeira Escola a ministrar Curso de Pós-Graduação em Floricultura.

Em Pernambuco, Bahia e Goiás também são oferecidas disciplinas, sendo que nesta última as pesquisas tem-se concentrado em espécies do cerrado, enquanto que no Paraná a área de produção de sementes de ornamentais tem sido enfatizada.

O Rio Grande do Sul também tem procurado ampliar a formação de profissionais na área.

Pelo exposto, as pesquisas brasileiras em floricultura visam a solução dos problemas referentes ao cultivo de espécies com grande potencial comercial sobre as quais, em sua maioria, existem insuficientes informações quanto a adequação de tecnologias de produção. Esta vem sendo dirigida fundamentalmente às plantas ornamentais de origem tropical criando-se opções ao comércio e explorando as suas perspectivas de crescimento.

E a necessidade de se congregar o grupo pequeno e disperso de técnicos que em tempo parcial ou integral, dedicava-se à pesquisa na área, fez surgir, em 1979, a Sociedade Brasileira de Floricultura e Plantas Ornamentais, que tem como seus associados pesquisadores, técnicos, produtores, estudantes, floristas e demais interessados no setor. A Sociedade tem promovido Congressos, Encontros e Reuniões.

 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A criação, através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais, em 25 de fevereiro de 1992, congregando a iniciativa privada, representantes das instituições oficiais de ensino, pesquisa e extensão e representantes de agentes financeiros, marcou o início da organização de todo o setor da floricultura. É uma espécie de fórum permanente, que estuda e discute os problemas referentes à floricultura de modo geral. Essa Câmara, criada para viabilizar o desenvolvimento da floricultura no estado, abrange a produção, comercialização interna, exportação, pesquisa, assistência técnica, serviços e insumos, tem ampliado seu raio de ação, incentivando os demais Estados a fazer o mesmo, já alcançando resultados positivos no Paraná, Pernambuco, Goiás e Santa Catarina.

Encontros Nacionais, como o 1º Simpósio Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais, acontecido em Maringá-PR, em outubro/92, considerado por profissionais do setor como o maior encontro a nível da América Latina já realizado, ou o I Encontro Sul-Brasileiro de Floricultura, ocorrido na cidade de Joinville-SC em abril/1993, tem mostrado o potencial do setor. Neste último, programado para discutir Pesquisa/Produção/Comércio, resultou na definição das ações do FRUPEX, ligado ao Ministério da Agricultura, Secretaria do Desenvolvimento Rural, que até então atendia somente a fruticultura, estendeu-se às hortaliças e plantas ornamentais, passando a denominar-se Programa de Apoio à Produção e Exportação de Frutas, Hortaliças e Plantas Ornamentais.

A exemplo de São Paulo, Câmaras Setoriais começam a ser criadas em outros Estados como Paraná, Pernambuco, Goiás, Santa Catarina.

A criação dessas Câmaras tem mostrado a importância de se trabalhar de forma organizada r harmoniosa, colocando o interesse coletivo acima de qualquer interesse individual, buscando o crescimento do Setor da Floricultura. Há a reivindicação de se criar Câmara Setorial á nível de Ministério da Agricultura, em Brasília, envolvendo assim o governo federal.

Os resultados também tem sido alcançados nas reuniões mensais da Câmara Setorial de São Paulo, o que abre boas pespectivas para o setor:

·         proposta de transformação do Colégio Técnico Agrícola de Jundiaí – SP em Escola voltada à formação de Técnicos Agrícolas para Floricultura;

·         Novos pólos de comercialização:

·         Mercado de Flores no Ceasa-Campinas, inaugurado em 05/08/93;

·         CRAISA (Companhia Regional de Abastecimento de Santo André) – colocou-se à disposição para viabilizar a transferência da comercialização dos produtos do CEAGESP para aquele município;

·         implantação de um sistema parecido com a Bolsa Mercantil e Futuro: a Bolsa de Flores de São Paulo, que abrangeria os pequenos lojistas, que teriam uma área de 6.000 m do Mercado municipal de Vila Maria, São Paulo, para efetuar suas compras, no estilo "Makro", e os atacadistas, através de vídeo-texto em quantidades e cotação diária, passível de ser acessado pelos compradores. A mercadoria seria retirada por caminhões da Bolsa, direto do produtor, ou através de corretores – isso acarretaria possibilidades de um aumento significativo da comercialização;

·         visando o Código do Consumidor, deverá entrar em uso a etiqueta de identificação e classificação do produto, iniciando-se pela Cooperativa Holambra (faltam ainda alguns critérios como padronização e validade do produto);

·         designição do CEASA-Campinas para efetuar os levantamentos de estatísticas de comercialização, pois o CEAGESP – São Paulo deixou de faze-los.

·         privatização do CEAGESP ainda no Governo Fleury, e

·         reivindicação de levantamentos dos produtores e produtos da floricultura e postos de venda.

Outro ponto que demonstra o potencial de crescimento do setor é a aproximação do produtor com o pesquisador: o produtor convenceu-se da necessidade de tecnologias adaptadas às condições edafoclimáticas brasileiras, propondo, inclusive, dentro das Associações constituídas, a construção de um Centro de Pesquisas e Distribuição, visando a maior eficiência no desenvolvimento de novos tipos de flores, produtos mais resistentes, melhoria nos sistemas de adubação, irrigação e fertilização do solo. É o produtor deixando de ser imediatista e apostando na pesquisa e no desenvolvimento.

Diante disso, a pesquisa em plantas ornamentais deve Ter uma evolução mais direta ao produtor. Embora ainda sejam poucos os investimentos tanto em produção como em pesquisa, principalmente visando o desenvolvimento de tecnologia que permita a implantação do cultivo comercial de plantas tropicais, este pouco investimento já tem refletido na geração de muitas tecnologias e produção de tal forma que, apesar de aquém do necessário, o Brasil já detém uma das maiores parcelas do conhecimento disponível em floricultura tropical. O FRUPEX também já está mostrando resultados: está apoiando o subprograma Fitossanidade, em fase de implantação, em São Paulo, que além do controle de pragas e doenças de flores, frutas e hortaliças, também inclui o seu monitoramento, além de treinamento de pessoal, sistematização de informações e a formação de redes de laboratório para diagnóstico e edições de manuais fitossanitários. A formação de um Grupo de Trabalho em Manejo Integrado, e a revisão da Legislação Fitossanitária também faz parte do subprograma.

Logo, a hora da floricultura e AGORA. Ela está deixando de ser um trabalho de diletantismo, crescendo tanto no referente à produção, como ao ensino e pesquisa. Estamos começando a formar uma tradição de Floricultura Brasileira, com alternativas e oportunidades tanto para os produtores, atacadistas/distribuidores, floristas como para os supermercados.

O MERCOSUL aí está, senão como uma nova oportunidade de Comércio mas servindo como vitrine para os Mercados Europeus.

Autoria:Dra. Rosiris Bergemann de Aguiar Silveira (1993) - SBFPO
Adaptação: Prof. Alcebíades Rebouças São José - UESB


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