CE fatura US$ 15 milhões com planta ornamental
Programa que estimula cultivo de flores está tornando o Estado
exportador do produto
Antônio Carlos Vieira/Divulgação
A Cearosa emprega 55 pessoas, das
quais a maioria mulheres, principalmente para trabalhar no
delicado embalamento das rosas
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RODOLFO ESPINOLA
Do primeiro plantio de flores economicamente ordenado no Ceará nos anos
20, feito por um imigrante japonês, até os dias atuais, muita coisa mudou na
floricultura do Estado. Hoje, a atividade, que incorporou também o cultivo
de plantas ornamentais, virou um excelente negócio. O Ceará, de importador
de flores, principalmente do Sudeste, está passando, agora, a exportador.
Numa pesquisa realizada no fim do ano passado, fruto de parceria entre o
Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e a Secretaria de
Agricultura Irrigada do Estado (Seagri), constatou-se que 78% das flores
compradas no Ceará provinham do Sudeste, principalmente de São Paulo, além
dos países sul-americanos Colômbia e Equador, como informa o gerente de
Floricultura da Seagri, José Rubens Aguiar. "As flores e plantas ornamentais
nem esquentavam as prateleiras", continua. "O cearense gosta de oferecer
flores." Este ano, a importação já foi reduzida em pelo menos 40%, "sem
considerar a produção atual de rosas na Serra de Ibiapaba", completa Aguiar.
Nas serras - Conforme relata o secretário de Agricultura
Irrigada, Carlos Matos, até pouco tempo o Ceará produzia flores e plantas
ornamentais principalmente nas serras, no Maciço de Baturité, onde a cidade
de Guaramiranga abasteceu (e ainda abastece) as principais floriculturas em
Fortaleza. "O que não se produzia lá importava-se de outros Estados e até de
países vizinhos", conta. "Agora já começamos a fazer o caminho inverso,
exportando flores e plantas ornamentais."
Para chegar a esse resultado, identificaram-se, primeiramente, as áreas
potencialmente favoráveis ao plantio de flores; o número de empresas de
insumos ligadas ao setor e as condições de comercialização. "Tivemos
surpresas", diz Matos. A produção de crisântemo de corte e de vaso no Maciço
de Baturité, nos municípios de Maranguape e Tianguá, depois de uma
ordenação, passou a suprir a demanda interna. "Quase não importamos mais
crisântemos desde 1999", comemora Matos.
O crescimento da floricultura no Ceará ocorreu por causa da melhoria da
tecnologia e da infra-estrutura do setor, com apoio financeiro do Banco do
Nordeste, que garante financiamento para produtores ou para qualquer elo da
cadeia. Em relação às novas tecnologias, depois de uma série de estudos, a
Seagri optou por seguir o exemplo da Colômbia, o segundo maior exportador de
flores do mundo. "Trouxemos para cá alguns dos melhores especialistas
colombianos, como o consultor Júlio Cantillo Simanca", diz Matos. "Ele está
percorrendo todas as propriedades produtoras de flores e plantas ornamentais
do Ceará, orientando seus proprietários e técnicos."
Capacitação - Foram desenvolvidos, também, cursos de capacitação
para técnicos e produtores de acordo com a demanda das comunidades locais.
Atualmente, cerca de dez técnicos estão estagiando em propriedades de
floricultores no Maciço de Baturité, no Sertão do Cariri, na Região
Metropolitana e na Serra de Ibiapaba. "Todo esse esforço tem o objetivo de
desenvolver o agronegócio da floricultura cearense em bases competitivas e
sustentadas", afirmou Matos.
Além disso, já foram identificados vários ecossistemas, que possibilitam
o cultivo de muitas espécies; as microrregiões com temperaturas amenas e
constantes durante todo o ano; as áreas com solo plano e de excelente
qualidade para a produção de flores, com boa disponibilidade de água, baixa
incidência de pragas e doenças e a proximidade com os principais mercados
importadores, como os Estados Unidos e a Europa.
O diretor-superintendente do Banco do Nordeste, José Arnaldo Bezerra de
Menezes, acredita no potencial da atividade no Ceará e revela que a cadeia
de produção de flores no Estado movimentou cerca de US$ 11 milhões em 1999.
"Para este ano, estima-se receita total de US$ 15 milhões, porque
estamos vendo experiências bem-sucedidas, como, por exemplo, a exportação de
ananás ornamentais, violetas, crisântemos, gérveras e outras variedades de
flores."
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