Banco de Teses de Dissertações


DISSERTAÇÕES DA TURMA PPGLIN 2011


Autor(a): CARLOS ALBERTO GOMES DOS SANTOS
Título: COMPLEMENTO-VERBO' VS. 'VERBO-COMPLEMENTO': UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A ESTABILIZAÇÃO DA ORDEM NA DIACRONIA DO PORTUGUÊS
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Descrição e Análise de Línguas Naturais
Orientadora: Profa. Dra. Cristiane Namiuti Temponi 
Banca Examinadora: Profa. Dra. Adriana Stella Cardoso Lessa de Oliveira; Profa. Dra. Charlote Marie Chambelland Galvez 
Data de defesa: 04 de fevereiro de 2013
Resumo: Esta dissertação teve como objetivo mapear as ocorrências de NPs acusativos não clíticos em diferentes ambientes sintáticos em textos do século XII ao XIX, com o intuito de delinear as mudanças gramaticais ocorridas. Foram analisadas as possibilidades de ordenação do objeto direto em relação ao verbo e ao sujeito, em orações subordinadas completivas providas de um verbo transitivo direto a partir de dois corpora: o Corpus Informatizado do Português Medieval – CIPM, para textos do século XII, XIII e XIV e o Corpus Histórico do Português Tycho Brahe – CTB,anotado sintaticamente e etiquetado morfologicamente, do qual foram pesquisados 15 textos de autores nascidos entre os séculos XVI e XIX. A pesquisa envolvendo os três primeiros séculos baseou-se na leitura dos textos, a separação das sentenças segundo os critérios estabelecidos e posteriormente a classificação de acordo com a ordem do verbo, do objeto direto e do sujeito em oito grupos distintos: VO, SVO, VSO, VOS, OV, SOV, OVS e OSV. Os dados do CTB foram extraídos seguindo a metodologia automática de busca Corpus Search e foram submetidos aos mesmos critérios adotados para os dados do CIPM. Os resultados apontam para uma baixa frequência do fronteamento do objeto direto (OV, SOV, OSV e OVS) em ambos os corpora no contexto das orações subordinadas completivas.Constatou-se também baixa frequência no uso das inversões VSO e VOS nesse mesmo contexto oracional.

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Autor(a): CLARA CAROLINA SOUZA SANTOS
Título: TUPINAMBÁ ÎE'ẽGA: VOCABULÁRIO ESCOLAR
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Descrição e Análise de Línguas Naturais
Orientadora: Profa. Dra. Consuelo de Paiva Godinho Costa
Banca Examinadora: Prof. Dr. Jorge Augusto Alves da Silva; Prof. Dr. Wilmar da Rocha D’Angelis                                                                                                  
Data de defesa: 24 de fevereiro de 2013
Resumo: Este é o resultado de um estudo cuja intenção é organizar um vocabulário da língua Tupinambá para uso escolar na Escola Indígena de Olivença – Sapucaeira e nucleadas. Apresentamos uma tratamento fonológico da língua Tupinambá que, uma vez formulado, serviu como base para a transcrição fonética dos verbetes do vocabulário Tupinambá – Português de modo a contribuir com o projeto Tupinambá. São utilizados como suporte para reconhecimento dos fonemas as Gramáticas de José Anchieta e Luiz Figueira, bem como estudos recentes para as línguas de família tupi (BORELLA, 2000; SAMPAIO, 1997). Além destas gramáticas e estudos, faremos uso do documento proveniente da 1a. Convenção Ortográfica Tupinambá de Olivença (07/11/2010), no qual acorda-se sobre qual ortografia a ser utilizada para o Tupinambá. O Dicionário alvo para recolha do léxico é o organizado por Gonçalves Dias no século XIX.

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Autor(a): DANILO DA SILVA SANTOS BRITO
Título: A CONCORDÂNCIA VERBAL NO PORTUGUÊS POPULAR DO BRASIL: ASPECTOS EMPIRICO-TEÓRICOS DA CONCORDÂNCIA VERBAL NA TERCEIRA PESSOA DO PLURAL OU P6 NA COMUNIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA – BA                                                                  
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Descrição e Análise de Línguas Naturais
Orientador: Prof. Dr. Jorge Augusto Alves da Silva
Banca Examinadora: Profa. Dra. Valéria Viana Sousa; Prof. Dr. Dante Eustauchio Lucchesi Ramaciotti                                                                                                 
Data de defesa: 22 de fevereiro de 2013
Resumo: Este trabalho considera empiricamente a variação linguística no uso da concordância verbal (CV) na terceira pessoa do plural ou P6, buscando aferir, pela observaçãodo desempenho lingüístico de falantes do português popular urbano de Vitória da Conquista - BA, se a aplicação da regra de concordância entre sujeito e verbo constitui um fenômeno de variação estável ou mudança em curso no sentido da aquisição à regra. Tomando o corpus do PPUVC – Português Popular Urbano de Vitória da Conquista -, constituído pelo Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e Sociofuncionalismo (UESB), foram analisados alguns grupos de variáveis lingüísticas e sociais, objetivando mensurar quais fatores estariam condicionando o índice de 17,2% de aplicação da CV em P6 pelos indivíduos desta comunidade. Seguindo o modelo teórico da Sociolinguística Variacionista, a apreciação dos dados revelou o processo de aquisição de marcas de uma gramática de prestígio, demonstrando um caminho em direção à aquisição de marcas de concordância na terceira pessoal do plural ou P6, as quais delineiam as estruturas condicionantes e favorecedoras de tal processo de aquisição de marcas, bem como a importância da saliência fônica e do princípio da coesão estrutural. A análise forneceu dados sobre a concordância verbal em P6 no português popular do Brasil que contribuirão para posteriores estudos sociolinguísticos.

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Autor(a): DILMA MARTA SANTOS
Título: DA LIBERDADE À TUTELA: UMA ANÁLISE SEMÂNTICA DO CAMINHO JURÍDICO PERCORRIDO POR FILHOS DE EX-ESCRAVAS NO BRASIL PÓS-ABOLIÇÃO
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Sentido e Discurso
Orientador: Prof. Dr. Jorge Viana Santos
Banca Examinadora: Profa. Dra. Edvania Gomes da Silva; Prof. Dr. Luiz Francisco Dias                                                                                                                    
Data de defesa: 20 de fevereiro de 2013
Resumo: Neste trabalho, analisam-se enunciados de 6 processos de tutela da cidade de Rio de Contas-Bahia, do período pós abolição, mais precisamente entre 1888 e 1895, paralelamente a enunciados das Ordenações Filipinas, para depreender o funcionamento de sentido das palavras tutor, órfão, educação e amor paternal que, embasando argumentos jurídicos, depois da Abolição, em tentativas de prolongar-se a condição de escravizado dessas crianças, caracterizaram tutelas brasileiras de filhos de ex-escravas assistidos pela Lei do Ventre Livre. Para tal investigação, fizemos o seguinte questionamento: Como se explica do ponto de vista semântico-argumentativo, que expressões como tutor, órfão, educação e amor paternal tenham funcionado com um sentido específico para atender uma necessidade histórica, sentido esse diferente daquele materializado nas Ordenações Filipinas, fazendo com que mesmo depois da abolição da escravatura, tais expressões pudessem ser usadas como argumentos, em  processos de tutela, em favor de ex-senhores que pretenderam se tornar tutores dos filhos de suas ex-escravas?. Mobilizando conceitos da Semântica Argumentativa, demonstra-se com base nos dados que o funcionamento de tutor, órfão, educação e amor paternal, nos processos brasileiros, apresentaram sentidos específicos que, não se
assemelhando com o sentido das Ordenações Filipinas, criaram a figura do tutor e a figura do órfão sui generis, próprios das tutelas brasileiras do período mencionado: o tutor voluntário e o órfão de pais vivos.

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Autor(a): EMANUELLE DE SOUZA SILVA ALMEIDA
Título: DEMÊNCIA DE ALZHEIMER: A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO ATRAVÉS DA REFERENCIAÇÃO DÊITICA                                                                                       
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Aquisição e patologias da Linguagem
Orientadora: Profa. Dra. Ivone Panhoca                                                   
Coorientadora: Profa. Dra. Nirvana Ferraz Santos Sampaio
Banca Examinadora: Profa. Dra. Edvania Gomes da Silva; Prof. Dr. Fernanda Maria Pereira Freire                                                                                                            
Data de defesa: 22 de fevereiro de 2013
Resumo: Esta dissertação é resultado de uma pesquisa acerca da constituição do sujeito com Demência de Alzheimer (DA) através da linguagem. Para tanto, a referenciação dêitica assumiu o foco da pesquisa por se configurar, de acordo com nossas hipóteses, como um lugar primoroso onde a fala do sujeito acometido por uma patologia neurodegenerativa, que afeta o córtex cerebral, apresenta-se ao interlocutor de maneira ‘esgarçada’, causando certo estranhamento. Neste estudo, concebemos a linguagem como atividade que ‘dá forma’ às experiências humanas (FRANCHI, 1977), onde a língua e a memória assumem um caráter social, constituídas através de aspectos sóciohistóricos (VYGOTSKY, 1988). Nosso posicionamento ancora-se na Teoria da Enunciação, postulada por Émile Benveniste (1966; 1974), por entender que a referenciação é um elemento integrante da enunciação, ou seja, enquanto esta é definida como a apropriação que o locutor faz da língua para falar uma relação do sujeito com a língua, tornada discurso, aquela é concebida como um processo que o locutor utiliza para expressar a sua forma particular de retratar o mundo circundante. Esses processos configuram-se como um conjunto de formas cujo papel é estabelecer uma relação enunciativa discursiva entre os interlocutores em seu espaço social. Dessa forma, a dêixis efetiva-se enquanto contemporânea da instância do discurso que tem indicador de pessoa. Com isso, através do processo interativo, desvelam-se os índices de subjetividade. Para refletirmos sobre essa temática, fizemos um estudo qualitativo, através de uma abordagem transversal, onde os dados coletados foram extraídos de recortes da narrativa da história de vida do sujeito MP, brasileiro, casado, 79 anos de idade, ex-operário e ex-pedreiro, que recebeu o diagnóstico de Demência de Alzheimer no ano de 2010. Os dados encontrados nos mostram que o sujeito MP consegue utilizar seu material verbal, ancorado na referenciação dêitica apresentada em sua narrativa, produz sentido e, consequentemente, marca sua subjetividade, apresentando-se enquanto sujeito da linguagem de forma competente.

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Autor(a): IVA RIBEIRO COTA
Título: O QUE ECOA O SUJEITO AFÁSICO RG EM UM ESTUDO NEUROLINGUÍSTICO    
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Aquisição e patologias da Linguagem
Orientadora: Profa. Dra. Nirvana Ferraz Santos Sampaio                                
Banca Examinadora: Profa. Dra. Carla Salati Almeida Ghirello-Pires; Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry; Profa. Dra. Fernanda Maria Pereira Freire,                                                                              
Data de defesa: 07 de novembro de 2012
Resumo: Este trabalho apresenta análises do acompanhamento longitudinal do sujeito RG, 35 anos, com diagnóstico médico de afasia decorrente de um acidente vascular cerebral isquêmico e trombose de seio venoso. O objetivo é verificar a afasia do sujeito RG do ponto de vista da Neurolinguística Discursiva, relacionando os sintomas linguísticos concernentes a esta situação, que envolvem parafasias evidenciadas na sua fala e paragrafias na sua escrita para analisar como se dá a reestruturação do funcionamento da linguagem neste sujeito. Este estudo questiona sobre: Quais as particularidades da afasia do sujeito em questão? O que se pode argumentar sobre as evidentes parafasias que marcam sua fala e as paragrafias em sua escrita? O que se pode concluir deste estudo do ponto de vista neurolinguístico? Formulam-se, também, indagações filosóficas em torno das relações entre linguagem e sujeito que discutem: O que representaria o sujeito sem linguagem? O que seria da linguagem sem sujeito? A hipótese que orienta esta pesquisa defende que a língua oferece recursos que possibilitam aos sujeitos afásicos a mobilização das dificuldades, visto que a linguagem, que permeia o humano, permite a utilização de processos alternativos de significação, reforçando o papel das interações neste processo que, por sua vez, abre espaço para a subjetividade. As discussões que fundamentam a base teórico-metodológica sustentam-se, principalmente, em Freud (1891), Saussure (1916), Jakobson (1969; 1970), Luria (1974) Coudry e Possenti (1983), Coudry (1988; 2002; 2008; 2010), dentre outros trabalhos que subsidiam esta dissertação na perspectiva dos estudos linguísticos e no contexto da Neurolinguística Discursiva. Na abordagem metodológica, trabalha-se com um acompanhamento longitudinal do sujeito RG para compreender a sua afasia de modo interpretativo a partir da análise da sua linguagem em funcionamento e do processo enunciativo constituído, com foco nas relações recíprocas entre dado e teoria. Os resultados indicam que a avaliação e a intervenção linguística eficazes colaboram sobremaneira para a reorganização da língua(gem) além da valorização da subjetividade nos sujeitos afásicos; mostram que as paragrafias e as parafasias sublinham enigmas que evidenciam um caminho em busca de acertos.

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Autor(a): LUIZ CARLOS DA SILVA SOUZA
Título: ANÁLISE ACÚSTICA DAS VOGAIS NASAIS E NASALIZADAS DO PORTUGUÊS DO BRASIL E SUAS IMPLICAÇÕES FONÉTICOFONOLÓGICAS
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Descrição e Análise de Línguas Naturais
Orientadora: Profa. Dra. Vera Pacheco                                                              
Banca Examinadora: Profa. Dra. Consuelo de Paiva Godinho Costa; Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari
Data de defesa: 18 de fevereiro de 2013.
Resumo: Este trabalho teve como objetivo apresentar uma análise acústica acerca das vogais orais, nasais e nasalizadas do Português do Brasil, dialeto de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, comparando-as entre si em três momentos de sua produção: a porção inicial, a porção medial e a porção final. Os parâmetros acústicos considerados foram os três primeiros formantes orais (F1, F2 e F3), os formantes nasais e antiformantes, o murmúrio nasal e a duração. A partir dessa análise, propôs-se apresentar algumas inferências fonológicas sobre a vogal nasal, cuja natureza é bastante discutida tanto no âmbito da Fonética quanto no da Fonologia. Os resultados mostraram que as vogais /aN/ e [ɐ̃] apresentam maior propensão a se nasalizar do que as vogais /iN/, [ĩ], /uN/ e [ũ]. Os formantes nasais e os antiformantes das vogais nasais e nasalizadas tendem a se apresentar desde o início da realização da vogal. Com relação ao murmúrio nasal, constatou-se que a sua emergência depende do modo de articulação da consoante que inicia a sílaba adjacente à vogal nasal.Quanto à duração, este trabalho confirma que as nasais tendem a apresentar maior duração quando antecedem uma sílaba iniciada por uma consoante oclusiva do que as suas orais e nasalizadas correspondentes. Em relação à diferença entre as vogais nasais e nasalizadas, percebe-se que está em jogo muito mais uma questão de posição ocupada por esses sons no sistema da língua e as relações estabelecidas entre as partes desse sistema do que características acústico-articulatórias que lhes sejam intrínsecas.

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Autor(a): MARCELE VIANA MACÊDO SANTOS
Título: UMA LEITURA INTERACIONISTA DE NARRATIVAS ORAIS PRODUZIDAS POR CRIANÇAS DO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL                                                    
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Aquisição e patologias da Linguagem
Orientadora: Profa. Dra. Silvana Perottino
Coorientadora: Carla Salati Almeida Ghirello Pires
Banca Examinadora: Profa. Dra. Nirvana Ferraz Santos Sampaio; Profa. Dra. Maria Fausta Pereira de Castro                                                                            
Data de defesa: 06 de dezembro de 2012
Resumo: O objetivo deste trabalho é verificar a presença da narrativa no primeiro ano do ensino fundamental tanto na fala dos alunos quanto na da professora. Esta pesquisa acompanhou uma sala do primeiro ano de uma escola municipal de Vitória da Conquista (BA) durante um semestre letivo. As observações, gravadas em áudio, foram realizadas semanalmente e voltadas para as situações nas quais ou a professora ou os alunos contava ou lia uma história. Apresento inicialmente a concepção cognitivista que guiava o meu trabalho como fonoaudióloga e a minha proposta de pesquisa quando do ingresso no programa de mestrado em linguística da UESB, a qual estava voltada à categorização semântica de signos linguísticos na narrativa de crianças da última etapa da educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental, assim como a mudança ocorrida em virtude da realização de leituras orientadas a respeito da abordagem interacionista em aquisição da linguagem nas disciplinas do mestrado. Nos dois primeiros capítulos deste trabalho faço, então, uma breve discussão a respeito da teoria interacionista em aquisição da linguagem, retomando alguns conceitos fundamentais: o diálogo como unidade de análise (DE LEMOS, 2002), as mudanças de posição da criança na estrutura da linguagem (DE LEMOS, 1992; BOSCO, 2005; PEREIRA DE CASTRO & FIGUEIRA, 2006; LIER-DE VITTO & CARVALHO, 2008), a questão da ordem própria da língua (SAUSSURE, 1916/2006; DE LEMOS, 1995), a posição do investigador (CARVALHO, 2005, 2006), os estudos a respeito do estatuto linguístico e discursivo da narrativa na fala da criança (PERRONI, 1992, DE LEMOS, 2001, SALEH, 2004). No terceiro capítulo, apresento uma análise dos episódios dialógicos ocorridos entre a professora e os alunos em torno do documento do ECA e do conto maravilhoso “João e Maria”, e, também, da escrita/desenho produzido pelos alunos. Em relação aos episódios dialógicos, o papel da professora é remeter os alunos aos textos pelos quais eles já circulam e de retomar o que eles falam, quando não há coincidência em termos da direção argumentativa esperada por ela, ampliando o universo discursivo no qual eles se inserem. Nesse sentido, os textos trazidos pelos alunos deixam em evidência movimentos da língua na sua fala -a atuação dos processos metafóricos e metonímicos-, os quais ganham uma textualidade na fala da professora. As narrativas individuais de onze crianças, realizadas a partir do desenho, indicam que as instâncias narrativas – narrador, personagens, autor – funcionam pelo efeito do texto sobre cada uma daquelas crianças, assim como o efeito do texto sobre o próprio texto, relativo, por exemplo, à expressão canônica inicial “Era uma vez” que instaura o narrador em terceira pessoa, e de intervenção de outros textos alheios à história que, por não estarem ressignificados nas narrativas de algumas crianças, deixam à mostra buracos no tecido textual. Uma das conclusões deste trabalho diz respeito a questões trazidas pelo interacionismo e que puderam ser depreendidas mesmo no contexto de interação alargado da sala de aula: o sujeito que advém como efeito da linguagem e o papel da fala do outro/textos nessa constituição.

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Autor(a): MARIA ANTONIETA PEREIRA TIGRE ALMEIDA
Título: AQUISIÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL NA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Aquisição e patologias da Linguagem
Orientadora: Profa. Dra. Adriana Stella Lessa-de-Oliveira
Banca Examinadora: Profa. Dra. Cristiane Namiuti Temponi; Profa. Dra. Irenilza Oliveira e Oliveira
Data de defesa: 18 de fevereiro de 2013
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo apresentar uma análise da aquisição da libras por surdos que tiveram seus processos de aquisição estabelecidos em três contextos diferentes: a) aquisição natural na infância (ANI), tendo como input a libras como primeira língua (L1) desde o nascimento; b) aquisição na infância de família ouvinte (IFO), tendo como input a libras de falantes de segunda língua (L2), a partir dos 4 anos de idade; e c) aquisição tardia (AT), tendo como input a libras de falantes de segunda língua (L2) e seus colegas surdos, a partir dos 8 anos de idade. O quadro teórico que fundamenta este estudo é a Gramática Gerativa, com sua hipótese inatista de aquisição da linguagem. Para definição do signo linguístico da libras (o sinal), assumimos a hipótese da unidade MLMov de Lessa-de-Oliveira (2012). A autora identifica esta unidade como o elemento de composição articulatória do sinal. Utilizamos o sistema de escrita SEL, também desenvolvido por Lessa-de-Oliveira (de 2009 a 2012) na transcrição dos dados, optando por uma escrita direta. Esta metodologia de transcrição criou condições para uma análise de dados mais próxima da forma como estes dados foram articulados pelos informantes. Este recurso possibilitou uma análise mais detalhadas das características da língua, que demonstra uma variedade de possibilidades de predicação, ora relacionadas à condição de articulação espacial tridimensional própria de línguas de sinais ora relacionadas a aspectos de uma sequência linear, mais de acordo com o que se encontra em línguas orais. Concluímos, assim, que a estrutura argumental das libras se utiliza de quatro processo de predicação: saturação por categorias lexicais, saturação por categorias vazias, saturação por Localizadores (Locs.) e autossaturação. A comparação desses quatro tipos de predicação entre os três perfis de informantes acima demonstra que a diferença de qualidade do input não interfere na aquisição da língua como L1. Tal resultado reforça a hipótese inatista, ilustrada pelo Problema de Platão, pois verificamos que a partir de um input fragmentado, impreciso, tardio (após os 8, 10 anos de idade) é possível adquirir a língua como nativo. Mas, os dados põem em questão a hipótese de que o período crítico de aquisição da linguagem estaria circunscrito aos 6 anos de idade.

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Autor(a): NAJARA NEVES DE OLIVEIRA E SILVA
Título: CÓDIGOS PENAIS BRASILEIROS COMO ACONTECIMENTOS DISCURSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO DOS TÍTULOS QUE TRATAM DE CRIMES SEXUAIS
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Sentido e Discurso
Orientadora: Profa. Dra. Maria da Conceição Fonseca-Silva
Banca Examinadora: Profa. Dra. Edvania Gomes da Silva; Prof. Dr. João Antônio de Santana Neto
Data de defesa: 28 de fevereiro de 2013
Resumo: Neste trabalho, analisam-se os Códigos Penais Brasileiros de 1830, 1890 e 1940 e a Lei 12.015/2009 como acontecimentos discursivos e identificam-se efeitos de sentidos dos títulos desses Códigos que tratam de crimes sexuais e deslizamentos de sentidos que foram operados com o acontecimento discursivo da lei 12.015/2009. Tenta-se comprovar as seguintes hipóteses: i) Os códigos penais brasileiros emergiram como acontecimentos discursivos, e, portanto, como pontos de encontro entre atualidade e memória; ii) Na memória discursiva que atravessa os Títulos que tratam dos crimes sexuais, nos três Códigos Penais brasileiros, há efeitos de sentido que permanecem, mas há rupturas, possibilitando o funcionamento de novos sentidos; iii) Os deslizamentos de sentidos sobre os crimes sexuais, operados com o acontecimento discursivo da Lei 12.015/2009 indicam tensão e reestruturação no discurso sobre vítima e autor de delito sexual na sociedade brasileira no final do século XX e início do século XXI. Na análise,
mobilizaram-se alguns conceitos da Análise de Discurso (AD), considerados fundamentais no gesto de descrição/interpretação do Corpus: o conceito de discurso como efeito de sentido entre posições sujeito em uma estrutura social e como estrutura e acontecimento; o conceito de condições de possibilidade; o conceito de acontecimento discursivo como ponto de encontro entre uma atualidade e uma memória. O corpus é constituído dos textos jurídicos mencionados, tratados como materialidade significante, lugar de jogos de sentido e de discursividade.

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Autor(a): PRISCILA DE JESUS RIBEIRO
Título: O PAPEL DA FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL NA PERCEPÇÃO DO TIMBRE VOCÁLICO: UMA AVALIAÇÃO EXPERIMENTAL DAS VOGAIS MÉDIAS
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Descrição e Análise de Línguas Naturais
Orientadora: Profa. Dra. Vera Pacheco
Banca Examinadora: Profa. Dra. Consuelo de Paiva Godinho Costa; Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari
Data de defesa: 18 de fevereiro de 2013
Resumo: Estudos experimentais a cerca de como os ouvintes identificam os sons vocálicos apontam que, além da frequência formântica, outros aspectos do espectro vocálico podem ser igualmente importantes para a compreensão de como se dá a discriminação vocálica. Considerando que a F0 pode ser uma importante informação utilizada pelo ouvinte para a percepção de vários aspectos da fala, o presente trabalho propõe investigar se a frequência fundamental (F0) interfere na percepção das vogais médias em ouvintes naturais de Vitória da Conquista – BA. Para isso, foi elaborado um corpus com palavras compostas por vogais médias. Em seguida, a F0das vogais em questão foi manipulada de forma a obter 25%, 50% e 75% do valor original, tanto para valores ascendentes quanto para valores descendentes. Os dados apontam que a manipulação desse parâmetro tanto para valores ascendentes quanto para valores descendentes afetaram a percepção das vogais em questão. Os resultados assinalam, portanto, que além da configuração formântica, a F0 constitui outro parâmetro espectral envolvido no processo de percepção das vogais médias.

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Autor(a): SÍLVIA MARIA ALENCAR SILVA
Título: A DISCURSIVIZAÇÃO SOBRE A FAMÍLIA NA MÍDIA – OUTROS
MODELOS, A MESMA HISTÓRIA
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Sentido e Discurso
Orientador: Prof. Dr. Nilton Milanez
Banca Examinadora: Profa. Dra. Edvania Gomes da Silva; Prof. Dr. Pedro Luiz Navarro Barbosa
Data de defesa: 18 de fevereiro de 2013
Resumo: Durante muito tempo, prevaleceu na mídia o conceito de família cuja estrutura é composta por pai, mãe e filho(s). Mas, com o passar do tempo, a esse formato foram se juntando outros, como as famílias monoparentais, as famílias homoafetivas. Com essas alterações, outros membros se tornaram mais comuns nas formações familiares – o padrasto, a madrasta, o enteado, o filho adotivo. Porém, por mais que a família se reinvente, continuam perceptíveis nela marcas daquela família antiga, seja nos sujeitos que a compõem, seja nas práticas e funções desses sujeitos no interior do grupo familiar e nas suas relações com a sociedade. Com esses outros formatos de família ganhando visibilidade, chamou-nos atenção o modo como passaram a ser retratados pela mídia televisiva, e qual formato é priorizado em suas produções, mais especificamente, em peças publicitárias. Surgiu-nos a questão: estes novos formatos divergem tanto assim daquele formato do qual aparentemente fogem? Quais as dispersões e regularidades que compreendem este discurso? Interessou-nos também compreender a historicidade que propiciou a emergência desse discurso e qual o processo de constituição e subjetivação dos sujeitos. Para a nossa análise, tomamos como corpus um conjunto de treze peças publicitárias veiculadas no período de 2006 a 2011. Orientamo-nos pelo método arqueológico de Foucault, pelos estudos sobre mídia de Gregolin, Milanez, Navarro e Fonseca-Silva; e, para respaldar nosso trabalho com imagens em movimento, recorremos às pesquisas de Courtine e Milanez, e às noções de imagem fílmica delineadas por Aumont. Na análise deste discurso, apreciamos e descrevemos cada enunciado produzido, verbal e imagético e identificamos as regularidades e dispersões existentes. Investigamos e problematizamos os diversos formatos de família representados na mídia e, recorrendo à noção de intericonicidade, verificamos quais os efeitos de sentido construídos e as memórias evocadas além das condições de possibilidade que marcam o sujeito e que determinam que este discurso e não outro tenha surgido neste dado momento.

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Autor(a): THIAGO ALVES FRANÇA
Título: DISCURSOS SOBRE O PLC 122/06
Área de concentração: Linguística
Linha de Pesquisa: Sentido e Discurso
Orientadora: Profa. Dra. Maria da Conceição Fonseca-Silva     
Banca Examinadora: Profa. Dra. Edvania Gomes da Silva; Profa. Dra. Fernanda Mussalin
Data de defesa: 27 de fevereiro de 2013
Resumo: Esta pesquisa parte do pressuposto de que a democratização nas esferas do poder político possibilita a emergência da questão das diferenças de gênero e sexualidade no domínio jurídico, como atesta o Projeto de Lei (PLC) 122/2006, vulgarizado como “de criminalização da homofobia”, que altera a lei 7716, dando nova redação ao § 3 do art.140 do Código Penal e ao art. 5º da Consolidação das Leis do Trabalho. Filiados à Análise de Discurso francesa, objetivamos verificar e analisar a discursivização sobre o PLC, comentado em formulações linguísticas e imagéticas em quatro sites diferentes, servindo a estratégias discursivas diversas, reguladas por posições de sujeito socialmente estabelecidas. Hipotetizamos que, embora volumoso, o que foi discursivizado sobre o Projeto na mídia virtual analisada foi enunciado a partir de duas posições de sujeito concorrentes, de onde se (re)produzem efeitos-sentido de positivação e negativização do referido Projeto. Confirmamos a hipótese em uma discussão organizada em três capítulos relacionados, mas apresentados separadamente, sendo o primeiro dedicado às formas de designação do PLC, o segundo, aos efeitos-sentido da liberdade e da igualdade em comentários que retomam o projeto, e o terceiro dedicado à análise dos efeitos-sentido produzidos na desqualificação do PLC 122/06.

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