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Fitopatologia
 
 
universidade estadual do sudoeste da bahia
 

 

 

quarta-feira , 22 de outubro de 2014
 
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SEÇÕES UNIDADES

 

 

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

  Disciplina: Fitopatologia II

  Prof.: Armínio Santos

 

Pensamento de Abertura: Atualidade: "Movidos pelo amor ao dinheiro farão comércio de

  vós com palavras fictícias… prometendo-vos liberdade sendo eles mesmos escravos da corrupção. Pois cada um é escravo

  daquilo que o domina". Pedro 2:3,19.

OS FUNGICIDAS SISTÊMICOS

1- O Significado de um Composto Sistêmico

 

  Os fungicidas protetores são geralmente fitotóxicos às células das plantas, e por esse motivo são seletivos, devendo permanecer na superfície da planta. Quando penetram na cutícula podem causar injúria. Os fungicidas sistêmicos devem co-existir com as células do hospedeiro, requerendo, portanto, um tipo diferente de seletividade, que deve discriminar entre as células do hospedeiro e do patógeno. Estes fungicidas, então, penetram na planta e são tóxicos, seletivamente, aos processos vitais inerentes aos fungos. O processo da seletividade é, geralmente, tão específico que entre centenas de diferentes fungos que atacam as plantas, somente certos grupos taxionômicos são afetados particularmente por cada fungicida sistêmico.

  Uma característica importante dos compostos sistêmicos é a translocação ao longo da rota de transpiração das plantas. As folhas são órgãos primários de transpiração, e o movimento dentro da planta é no sentido do sistema radicular para as folhas em expansão. Folhas muito jovens, flores e frutos, por não transpirarem quantidades significantes de água, recebem pequena quantidade de fungicida aplicado ao solo ou às sementes. É de se esperar também que os frutos não recebam resíduos desses produtos.

  Os fungicidas sistêmicos são, portanto, produtos químicos orgânicos absorvidos e transportados dentro da planta. Pouco são os produtos químicos considerados sistêmicos no sentido estrito da palavra, isto é, aqueles cujo ingrediente ativo move-se intacto dentro da planta. No interior da planta esses produtos podem mover-se para sítios metabólicos ou translocar-se para órgãos de transpiração da planta.

  2- As Propriedades dos Fungicidas Sistêmicos

  a) Penetração - No primeiro passo da translocação o fungicida deve penetrar dentro da planta, seja por via foliar, radicular, através do caule ou da semente. A cutícula foliar atua impedindo que muitos fungicidas penetrem na planta, como ocorre no caso dos protetores. Devido a isto, o fungicida deve ser dissolvido em um solvente; o mais usado é água.

  b) Movimento dentro da planta - Os fungicidas sistêmicos podem difundir-se passivamente através da membrana celular. Após a penetração na planta, os fungicidas obrigatoriamente penetram no xilema ou floema do sistema vascular para serem transportados tanto por via foliar como radicular. Dependendo de suas propriedades, o fungicida pode transportar-se pelo floema. Os fungicidas, a princípio, pode ser transportado no apoplasto e no simplasto, embora o movimento no simplasto não tem sido convincente, a despeito de vários trabalhos publicados, tentando provar este fato. O transporte no apoplasto raramente é específico a uma planta em particular. Em geral, o sucesso no tratamento de uma planta herbácea, indica que se pode ter o mesmo efeito no tratamento de outras plantas herbáceas. Se o produto move-se no apoplasto, isto envolve a aplicação ao solo; mas os produtos químicos distribuídos no simplasto poderiam ser usados no controle de doenças vasculares e de raiz, se aplicadas às folhas. Os fungicidas que se movessem no simplasto poderiam abrir um novo campo de controle de doenças, uma vez que seriam translocadas para os tecidos jovens em crescimento, com possibilidades de redução do número de aplicações do fungicida, além de atingir locais inacessíveis aos pulverizadores. Tem-se, ainda, observado que o produto ativo dos fungicidas apresenta a tendência de acumular-se nas lesões de parasitas obrigatórios, tais como as ferrugens ou os oídios, nos tecidos afetados e no micélio fúngico.

  c) Toxicidade seletiva - A toxicidade seletiva é condição requerida aos fungicidas sistêmicos, pois estes devem co-existir, em íntimo contato, com as organelas e os sistemas bioquímicos das plantas. Esta propriedade varia com a espécie de planta envolvida. Por exemplo, o Oxicarboxin quando usado em cultivar de feijão Pinto III, produz fitotoxidez, e na prática não é utilizado. As vezes a fitotoxidez acontece devido a elevações na dosagem do fungicida sistêmico. Dessa forma o uso do triadimefon contra a ferrugem do gladíolo (Uromyces transversalis), provoca queima das folhas se usado em dosagens superiores a 800g/ha.

  A seletividade entre os sistemas do patógeno e da planta é devido a vários fatores, entre os quais se destacam a sensibilidade diferencial das organelas dos dois sistemas. Além dos fungicidas sistêmicos apresentarem seletividade entre planta e fungo, podem ser seletivos também para fungos. Esta propriedade não é evidente para os fungicidas protetores, mas é marcante entre os sistêmicos. Os fungicidas sistêmicos podem ser específicos para determinados grupos taxionômicos de patógenos e/ ou doenças. O metalaxyl, por exemplo, tem uma especificidade maior do que qualquer fungicida, contra Phytophthora infestans.

  d)Estabilidade Metabólica - Quando o fungicida penetra nas células da planta, está sujeito a degradação por muitas enzimas, devendo resistir a degradação para que seja efeito. Isto quer dizer que o fungicida sistêmico, para ter sucesso na ação contra uma doença, deve possuir uma estrutura química que permita sua entrada e translocação na planta, sua penetração nas células da mesma, onde deverá seletivamente inibir ou matar o patógeno, sem afetar a planta. Finalmente, seu efeito na planta deve ser duradouro, sem se degradar, para manter a planta sadia.

 

 3- Partes de Penetração do Fungicida Sistêmico

 

  As principais partes envolvidas na absorção do fungicida sistêmico são as folhas, caule, raízes e sementes. A maioria dos fungicidas sistêmicos foram desenvolvidos para pulverização da folhagem. Daí o movimento translaminar ou transcuticular constituir fato vital para o sucesso dos compostos sistêmicos. Se aceitarmos o fato de que uma das funções da cutícula é reduzir a perda de água da superfície da planta, entenderemos que os fungicidas que são pulverizados em solução aquosa, possuem baixa eficiência de penetração.

  Experimentos com a grande maioria dos compostos sistêmicos demonstram que a penetração é mais rápida através da cutícula da face inferior da folha do que na cutícula da face superior. Esta diferença em absorção pelas duas faces é explicada pela presença de maior quantidade de estômatos na face inferior.

  Há evidências, também, que a penetração do fungicida, nos tecidos da folha, via estômatos, é influenciada pela tensão superficial dos líquidos, do ângulo de contato e de qualquer outro fator que influencie a abertura dos estômatos, tais como luz, umidade relativa, temperatura, adubações potássicas. A formulação, adquire, neste caso, uma importância fundamental. As formulações de fungicidas sistêmicos em concentrações emulsionáveis( CE) ou dispersão em óleo (DO), podem aumentar a penetração através da cutícula. Uma explicação seria a alteração na estrutura da camada de cera, causada pelo óleo, que representa a principal barreira à entrada dos fungicidas na planta.

  Outro sítio de absorção de fungicidas sistêmicos é através das raízes. Vários inconvenientes surgem quando compostos químicos são aplicados ao solo: a) Problemas de dispersão; b) adsorção e decomposição no solo. Sempre que o produto é aplicado ao solo, somente pequena porção do ingrediente ativo é absorvido pelas raízes para ser transportado para as partes superiores da planta. A região de maior absorção ocorre nas áreas mais jovens das raízes. Nas partes mais velhas das raízes a epiderme torna-se suberizada ou forma-se a casca.

 

 4- As Conseqüências do Uso dos Fungicidas Sistêmicos

 

  O uso de produtos sistêmicos indiscriminadamente, contra determinadas doenças , com o tempo, causa aparecimento de novas raças da população do patógeno, que se tornam resistentes ao fungicida empregado. Um organismo adquire resistência, quando mostra redução na sensibilidade ou mesmo quando se torna insensível a um determinado agrotóxico, nas concentrações nas quais outras raças do mesmo organismo se mostram sensíveis. A resistência adquirida pelos organismos na população é explicada, em parte, como conseqüência de mudanças genéticas na célula fúngica. Fatores não genéticos também tem sido observados. As mudanças genéticas fúngicas que se originam de mutações, podem ser distribuídas na população. Em alguns casos a resistência é governada por genes recessivos e, em outros casos, por genes dominantes.

  Uma das razões do aparecimento de formas resistentes na população de organismos sensíveis aos fungicidas sistêmicos está relacionado com o modo de ação destes compostos. Os fungicidas protetores atuam de maneira generalizada, interferindo em vários pontos do metabolismo do patógeno, tornando a resistência mais difícil de se processar, pois isto implicaria em mudanças ou mutações em vários sítios do metabolismo do fungo. Os produtos sistêmicos possuem modo de ação específico, isto é, atuam em somente um sítio do metabolismo do patógeno. Devido a este fato, facilmente os organismos adquirem resistência aos fungicidas sistêmicos. Desta forma é comum em fitossanidade, chamar os fungicidas protetores de inibidores de sítios múltiplos e os sistêmicos de inibidores específicos.

 

 5- Mecanismos de Resistência

 

  a) Decréscimo na permeabilidade da membrana celular - Fenômeno que ocorre em certos grupos de compostos como os antibióticos, onde o produto químico não atinge o local de ação, devido aos decréscimos na permeabilidade da membrana do protoplasma do organismo resistente.

 

  b) Aumento na desintoxicação - A desintoxicação pode ocorrer por modificações na molécula com concomitante perda da ação fungicida após a entrada na célula fúngica. Em alguns casos pode ocorrer o inverso da desintoxicação, isto é, o organismo pode converter um composto inativo num produto ativo, com ação fungicida. Este tipo de fenômeno é denominado de síntese letal.

 

  c) Decréscimo da afinidade do sítio de ação - Quando o fungicida alcança o local de ação, sem ser metabolizado pelo organismo, a resistência pode ser explicada baseando-se na falta de afinidade do inbidor no sítio reativo. Quando um fungicida atua primariamente sobre uma enzima em particular, por exemplo, pequena mudança nessa enzima como resultado de mutação genética, pode causar perda de afinidade ao fungicida e, conseqüentemente surgir a resistência.

 

  d) Adaptação por evitamento - Este fenômeno ocorre quando um fungicida bloqueia a reação num determinado sítio de ação do metabolismo fúngico e o fungo se adapta a esta situação mudando seu metabolismo de tal modo que o local bloqueado não seja utilizado.

 

  e) Adaptação por compensação - Em determinados organismos a resistência é adquirida pelo fenômeno da compensação. Este mecanismo ocorre quando uma enzima essencial ao metabolismo do organismo é bloqueada por um fungicida; neste caso o organismo aumentaria a quantidade da enzima inibida.

  Em síntese, a aquisição de resistência de um organismo a um produto químico é um fato comprovado, que varia grandemente com os diferentes grupos de fungicidas, com o mecanismo de resistência e o tipo de organismo. A forma de evitar o surgimento da resistência, em um programa de pulverizações, consiste em alternar o uso de fungicidas sistêmicos com protetores.

 

 6- Os Principais Fungicidas Sistêmicos Usados no Mercado

 

  a) Grupo dos Benzimidazóis- Constituem, possivelmente, o mais importante grupo de fungicidas sistêmicos utilizados comercialmente, incluindo os fungicidas benomyl, carbendazim, tiofanato metilico e thiabendazole. Destes, sabe-se que o thiabendazole, aplicado ao solo, é absorvido pelas raízes e translocado para o caule e folhas sem sofrer hidrólise, concentrando mais na raiz, em soja, e sendo menos translocável do que o carbendazim e o benomyl, em algodoeiro. Benomyl e tiofanato metílico transformam-se no princípio fungitóxico comum, o carbendazim ou MBC (Carbamato de metil 2-benzimidazol), motivo porque o espectro de ação anti-fúngica dos três é muito semelhante. Entretanto, de um modo geral, o benomyl tem-se mostrado mais eficiente. Supõe-se que o benomyl e o tiofanato metílico quando absorvidos pelas raízes, liberem gradualmente o MBC a ser translocado para folhas. O amplo espectro de ação valoriza muito os benzimidazóis, porque abrange doenças que ocasionam prejuízos enormes, em um grande número de culturas: oídios, antracnoses, cercosporioses, sarnas, mofos cinzentos e bolores. Benomyl - Fungicida em pó, de cor branca, com Dl50 de 10000mg/kg de peso vivo; é tóxico a peixes, decompondo-se em presença de umidade, devendo por isto ser armazenado hermeticamente. Quimicamente o benomil é o metil 1(butil-carbomoil)-2-benzimidazole - carbamato; foi introduzido em 1967 com o nome comercial de benlate. Certos solventes, quando misturados ao benomyl, formam o carbendazim, fungicida do mesmo grupo químico. O benomyl é um dos fungicidas que mais relatos de resistência tem sido apresentados: Cercospora beticola, C.arachidicola,C.Musae,Botrytis cinerea( cucurbitáceas), Colletotrichum coffeanum, Penicillium italicum, P.digitatum, Venturia inaequalis, V. pyrina (pereira),Verticillium dahliae (tomate),Sclerotinia fruticula (cerejeira),Erisiphe cichocearum (berinjela), entre outros. Possui ação ovicida em ácaros, não permitindo a eclosão de ovos. Há relatos de ação contra nematóides. Não é efetivo contra Helminthosporium, Alternaria, Rhizopus, Phytophthora, além de ferrugens. É eficiente contra os gêneros Fusarium( tratamento de sementes e damping-off),Cercospora, Septoria, Colletotrichum, Mycosphaerella, Venturia, Ustilago, Erisiphe, Tilletia, Thielaviopsis, Botryodiplodia, Rhizoctonia, além das ascomycotinas, de uma forma geral.

  Carbendazim -( 2- metoxicarbonilaminobenzimidazol) - Apresenta todas as características do grupo benzimidazol mas se mostra, no campo, menos eficiente no controle das mesmas doenças controladas pelos demais fungicidas do grupo. Os produtos comerciais encontrados no mercado são o Derosal 500 SC e o Delsene 750.

  Tiofanato Metílico (1,2-(3-etoxicarbonil-2-toureido)benzeno) - Introduzido em 1970, é um produto muito semelhante ao benomyl em todas as suas propriedades, pois converte, na planta, por hidrólise, no princípio fungitóxico comum, MBC.

  Thiabendazole (2-(4-triazolil)-benzimidazol) - Usado, originariamente, como anti-helmíntico na medicina humana, foi introduzido em 1964. Apresenta um amplo espectro de ação antifúngica, semelhante ao do benomyl, porém quantitativamente menos eficiente nas doenças que ambos controlam. É um dos poucos produtos permitidos em tratamento pós-colheita de muitas frutas, como mamão e banana. Amplamente utilizado em tratamento de sementes. Os produtos comerciais são o tecto 10, tecto 450 e tecto 600. O primeiro contém 100g de ingrediente ativo/kg, o segundo 450g de i.a por litro e o terceiro 600g de i.a por litro.

 

  b) Grupo das Carboxamidas - Todos os fungicidas do grupo são mais ou menos seletivos para doenças causadas por basidiomicetos. Seu espectro de fungitoxidade inclui, primariamente, carvões, cáries, ferrugens e Rhizoctonia solani.

  Carboxin ( 5,6-dihidro-2-metil-1,4-oxathiin-3-carboxanilida) - Produto recomendado para tratamento de sementes de cereais( contra carvões e cáries), de amendoim e de hortaliças( Rhizoctonia solani). Apesar de sua maior fungitoxicidade inerente contra ferrugens do que oxicarboxin, na planta é rapidamente oxidado a sulfóxido, não fungitóxico, motivo porque perde muito em eficiência. Apresenta baixa toxicidade aguda a mamíferos e não é fitotóxico nas dosagens recomendadas. O nome comercial é vitavax.

  Oxicarboxin ( 5,6-dihidro-2-metil-1,4-oxathiin-4,4-dióxido-3-carboxianilida) - Produto muito semelhante ao carboxin, diferindo pela fungitoxicidade inerente mais baixa, mas com a vantagem de ser mais estável, podendo ser utilizado no controle de ferrugens, particularmente a ferrugem do feijoeiro, em que o oxicarboxin é o mais eficiente entre todos os fungicidas. Neste caso, fazem-se duas aplicações do produto: uma no início dos sintomas, que coincide, mais ou menos, com 7 dias após a floração; e a segunda após a queda das flores. O nome comercial é plantvax.

  Pyracarbolid (5,6-dihidro-2-metil-4H-pirano-3-carboxianilida) - Produto com espectro antifúngico semelhante ao dos outros componentes do grupo, porém com potência levemente maior. Formulações 4oleosas tendem a ser fitotóxicas em algumas variedades de feijão e de cravo. O produto comercial é Sicarol 150.

 

  c) Grupo das Dicarboxamidas - Apresentam alta atividade antifúngica contra Botrytis, Monilinia , Sclerotinia, Corticium, Rhizoctonia, Ustilago, Mucor, Rhizopus, Alternaria, Phoma, Helminthosporium.

  Iprodione ( isopropilcarbomoil-1-(dicloro-3,5-fenil)-3-hidantoina) - Introduzido em 1976, tem sido indicado no tratamento de sementes, do solo e de partes aéreas de um grande número de culturas: alface (podridão de Sclerotinia), alho ( podridão branca, Sclerotium cepivorum), batata e tomate ( pinta preta, Alternaria solani), cebola ( mancha púrpura, Alternaria porri), cenoura( queima das folhas, Alternaria dauci), pêssego( podridão parda,Monilia fructicola), crisântemo, morango e videira ( mofo cinzento).É o melhor fungicida contra o gênero Alternaria. Pode ser indicado contra Phoma, em cafeeiro. Os produtos comerciais são Rovral e Rovrin.

 

  Vinclozolin( Ronilan) e Procymidone tem as mesmas características do iprodione.

  d)Grupo dos Inibidores de biossíntese de esteróis - Constitui o maior e o mais importante grupo de compostos já desenvolvidos para o controle de doenças fúngicas de plantas e animais, exibindo vários graus de sistemicidade e, freqüentemente, altíssima potência antifúngica. Controla um amplo espectro de doenças causadas por ascomicetos, basidiomicetos e deuteromicetos, não tendo atuação sobre Pythium e Phytophthora, que não sintetizam esteróis( qualquer álcool não saturado, com uma estrutura com diversos anéis, encontrado nos organismos vivos, vegetais e animais, onde exercem importantes funções fisiológicas). A grande vantagem desse grupo de fungicidas sistêmicos, além das consideradas, é a dificuldade de os patógenos sensíveis tornarem-se resistentes, sem serem afetados em sua adaptabilidade. Incluem compostos químicos estruturalmente muito diversificados( triazóis, imidazóis, morfolinas, piperazinas), sendo os triazóis os mais importantes. Os principais fungicidas deste grupo são: Birtetanol( baycur), indicado contra a ferrugem do gladíolo (Uromyces transversalis) e a sarna da macieira ( Venturia inaequalis); Propiconazole( Tilt) - usado no controle da ferrugem do café ( Hemileia vastatrix),Mal de Sigatoka, em bananeira, além de helminthosporioses, septorioses, ferrugens e oídios, na cultura do trigo, onde é um dos produtos mais usados. Possui faixa amarela. Triadimefon (Bayleton)- O melhor fungicida contra a ferrugem do café. Podendo ser usada, ainda, contra Pucccinia alli e Uromyces transversalis, dentre outras. Apresenta boa eficiência contra oídios. Triforine ( saprol) - Usado contra a sarna da macieira, ferrugem da roseira( Pharagmidium mucronatum), ferrugem do crisântemo ( Puccinia horiana) e oídios em geral.

 

  e) Grupo dos inibidores de Oomicetos - Fungos oomicetos, abrangendo importantes fitopatógenos, como os do míldio da videira e da requeima da batata e do tomate, constituem um grupo de sensibilidade diferenciada a fungicidas de atuação seletiva, como os sistêmicos. Assim, por exemplo, não são afetados pelos primeiros sistêmicos descobertos, como as carboxamidas e os benzimidazóis. Os oomicetos são também altamente insensíveis ao importante grupo dos fungicidas inibidores da biossíntese de esteróis. Conseqüentemente, foi necessário esperar o desenvolvimento de produtos seletivos, com outros modos de ação, para que essas doenças, além das causadas por espécies de Pythium e Phytophthora, habitantes do solo, pudessem ser controladas com maior eficiência. Há, hoje, comercialmente, 4 tipos de fungicidas sistêmicos seletivos para oomicetos: Propamocarb( Previcur N) - Foi lançado comercialmente em 1978. Indicado para tratamento erradicante do solo e protetor de sementes e plântulas, contra fungos dos gêneros Pythium e Phytophthora, somente na floricultura. Exibe boa atividade em rega, contra míldios de cucurbitáceas, alface, crucíferas e cebola. Mais eficiente contra Phytophthora do que contra Pythium. Cymoxanil( Curzate M + Zinco( associado a maneb) - Desenvolvido na década de 1970, é indicado no controle da requeima da batata e do tomateiro( Phytophthora infestans ), míldio da videira ( Plasmopara viticola). Contra este último apresenta notáveis efeitos curativos. Devido ao baixo poder residual e ao perigo do surgimento de linhagens resistentes do patógeno visado, o produto é formulado junto com o fungicida protetor ( como o mancozeb ) ou com um sistêmico ( como o oxadixyl, um análogo químico do metalaxyl). Metalaxyl - desenvolvido na década de 1970, é indicado no controle de requeima da batata e do tomate, míldio e da roseira. Tem forte ação protetora e curativa,sendo rapidamente absorvido por folhagens, hastes e raízes e translocado apoplasticamente. É o melhor fungicida contra Phytophthpra infestans, podendo ser aplicado na dosagem de 200 a 250g de ingrediente ativo por hectare. Entretanto, trata-se de um produto altamente vulnerável ao surgimento de populações resistentes do patógeno, motivo porque é formulado junto com um fungicida protetor( mancozeb, cúprico ou chlorothalonil ). Em formulações apropriadas para cada finalidade, hoje pode ser aplicado também em tratamento do solo e de sementes, visando o controle principalmente de Pythium e Phytophthora do solo, contra os quais apresenta alta eficiência. Efosite ou Fosetyl-Al ( Aliete, Trill) - Descoberto em 1977, é o primeiro fungicida comercial verdadeiramente sistêmico, translocando-se tanto pelo xilema como pelo floema. Em vista de sua pequena atividade in vitro, apesar da boa eficiência in vivo, supunha-se haver uma via indireta de atuação, supostamente, a indução de produção de substâncias protetoras nas plantas tratadas. Hoje, sabe-se que, na planta, o produto é transformado em ácido fosforoso que, isoladamente, in vitro, apresenta alta fungitoxicidade e in vivo controla tão eficientemente quanto o produto comercial doenças causadas por Phytophthora em abacaxi, abacate e citrus. Nesta última cultura é o melhor fungicida contra a gomose, conseguindo recuperar plantas próximas à morte. Não apresenta boa atividade contra a requeima da batata e do tomateiro, mofo azul do fumo e podridão radicular da soja, doenças causadas pelo gênero Phytophthora.

 

  Um outro grupo seria o dos Inibidores da biossíntese de melanina, usados na cultura do arroz, contra Pyricularia oryzae. Supõe-se que os apressórios sem melanina falhem como estruturas de penetração porque perdem a rigidez necessária para perfuração mecânica da cutícula. Essa suposição explicaria porque o controle completo da bruzone do arroz é conseguido em concentrações foliares 25 a 35 vezes menores do que o requerido para inibição micelial in vitro. O Bim e Pyroquilon, são exemplos de fungicidas deste grupo.

 

 Bibliografia:

  1-Bergamin,A., Kimati,H., Amorim,L. Manual de Fitopatologia Vol I. Ed. Agronomica

  Ceres. São Paulo. 1995.

  2-Defensivos Agrícolas, Sua Aplicação, Toxicologia e Legislação Específica. ABEAS,

  CAPES, MEC. Brasília.1987.

  3-Robbs, C.F. Fungicidas. UFRRJ. 33 pág. Rio de Janeiro. 1991.

  4-Cardoso, C.O.,Kimati,H. Guia de Fungicidas. Grupo Paulista de Fitopatologia.São

  Paulo.1989.

 

 

 




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