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Fitopatologia
 
 
universidade estadual do sudoeste da bahia
 

 

 

quinta-feira , 24 de julho de 2014
 
iii_09_arroz

  

SEÇÕES UNIDADES

 

 

DOENÇAS DO ARROZ

BRUSONE - Magnaporthe grisea (T.T. Hebert) Yaegashi & Udagawa (Pyricularia grisea (Cooke) Sacc. = P oryzae Cavara

INTRODUÇÃO

A brusone é considerada a doença mais importante do arroz. Os primeiros registros sobre sua ocorrência datam de 1600 e foram feitos na China. O termo brusone é adaptado do italiano "bruzone" e foi adotado na tradução para a língua portuguesa. Na Europa, a doença é conhecida de longa data, tendo sido. relatada na Itália em 1828. Em inglês é chamada de "blast", em razão da queima das folhas que provoca quando ocorre de modo severo. A distribuição da doença é bastante ampla, sendo encontrada em praticamente todas as regiões onde o arroz é cultivado em escala comercial. As perdas são variáveis em função da variedade cultivada e dos fatores climáticos prevalecentes nas áreas de cultivo. No Brasil, alguns dados revelam perdas no peso de grãos da ordem de 8-14%, enquanto índices de 19-55% de espiguetas vazias foram observados em experimentos conduzidos em condições de campo.

SINTOMAS

 

Sintomas - A brusone pode ocorrer em todas as partes aéreas da planta, desde os estádios iniciais de desenvolvimento até a fase final de produção de grãos. Nas folhas, os sintomas típicos iniciam-se por pequenos pontos de coloração castanha, que evoluem para manchas elípticas, com extremidades agudas, as quais, quando isoladas e completamente desenvolvidas, variam de 1-2 em de comprimento por 0,3-0,5 em de largura (Prancha 10. 1). Estas manchas crescem no sentido das nervuras, apresentando um centro cinza e bordos marrom-avermelhados, às vezes circundadas por um halo amarelado. O centro é constituído por tecido necrosado sobre o qual são encontrados as estruturas reprodutivas do patógeno. A dimensão do bordo está diretamente relacionada com a resistência da variedade e com as condições climáticas, sendo estreita ou inexistente em variedades muito suscetíveis. As manchas individualizadas podem coalescer e tomar áreas significativas do limbo foliar; neste caso, aparecem grandes lesões necróticas, que se estendem no sentido das nervuras. A redução da área foliar fotossintetizante tem um reflexo direto sobre a produção de grãos. Quando a doença ocorre severamente nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta, o impacto é tão grande que a queima das folhas acaba por levar a planta à morte.

Nos colmos, mais precisamente na região dos entre-nós, os sintomas evidenciam-se na forma de manchas elípticas escuras, com centro cinza e bordos marrom avermelhados. As manchas crescem no sentido do comprimento do colmo, podendo atingir grandes proporções. Esporos do patógeno podem estar presentes sobre o tecido necrosado das lesões.

 

Os sintomas característicos nos nós são lesões de cor marrom, que podem atingir as regiões do colmo próximas aos nós atacados. As lesões provocam ruptura do tecido da região nodal, causando a morte das partes situadas acima deste ponto e a quebra do colmo, que, no entanto, permanece ligado à planta.

Nas panículas, a doença pode atingir o raque, as ramificações e o nó basal. As manchas encontradas no raque e nas ramificações são marrons e normalmente não apresentam forma definida; os grãos originados destas ramificações são chochos. A infecção do nó da base da panícula é conhecida como brusone do pescoço e tem um papel relevante na produção. O sintoma expressa-se na forma de uma lesão marrom que circunda a região nodal, provocando um estrangulamento da mesma. Quando as panículas são atacadas imediatamente após a emissão até a fase de aparecimento de grãos leitosos, a doença pode provocar o chochamento total dos grãos; as panículas se apresentam esbranquiçadas e eriçadas, sendo facilmente identificadas no campo. Quando as panículas são infectadas mais tardiamente, ocorre redução no peso dos grãos ou a quebra da panícula na região afetada, caracterizando o sintoma conhecido por "pescoço quebrado".

Os grãos, quando atacados, apresentam manchas marrons localizadas nas glumas e glumelas, as quais são facilmente confundidas com manchas causadas por outros fungos. Além da infecção externa, o patógeno pode atingir o embrião, sendo veiculado também internamente à semente.

 

 

 

 

SINTOMAS NO COLMO

SINTOMAS NA FOLHA

 

SINTOMAS DE PESCOÇO

ETIOLOGIA

Etiologia - O agente causal da brusone é o fungo Magnaporthe grisea, que corresponde ao estádio anamórfico Pyricularia grisea (=P. oryzae). Os conídios são caracteristicamente piriformes, apresentando a base arredondada e o ápice mais estreito. Normalmente são encontrados dois septos por esporo; um ou três septos raramente são observados. O conídio é hialino e geralmente germina a partir da célula apical ou basal; germinação da célula central é pouco freqüente. Apressório é formado na extremidade do tubo germinativo. As colônias são muito variáveis quanto à densidade e à cor do micélio: são encontradas desde colônias ralas até cotonosas e desde colônias esbranquiçadas até acinzentadas escuras, em função do meio de cultura e do isolado do fungo.

Alguns fatores do ambiente podem influenciar o desenvolvimento do fungo. A temperatura ótima para esporulação está em torno de 28C, embora possa ocorrer esporulação desde 10 até 35'C. A liberação de esporos não é muito influenciada pela temperatura e normalmente ocorre na faixa de 15 a 35'C. Em relação à germinação, temperaturas compreendidas entre 25 e 28'C favorecem o processo. Quanto à umidade, a produção de confdios sobre as lesões tem início quando a umidade relativa atinge no mínimo 93%. Para a germinação, há necessidade de água livre, pois raramente o esporo germina sob condições de ar saturado. O desenvolvimento do micélio é favorecido por umidade relativa próxima de 93%. A luz também pode ter influência sobre o micélio e os esporos. Embora o crescimento do micélio, a germinação de conídios e a elongação do tubo germinativo sejam processos inibidos pela luz, a alterriância da mesma tem um papel importante sobre a produção de esporos. Estes começam a ser liberados tão logo escureça, alcançam um máximo em poucas horas e praticamente cessam na alvorada; sob condições de luz ou escuro contínuo a esporulação cai a níveis muito baixos, voltando a aumentar quando os períodos de luz e escuro novamente voltarem a se alternar.

O fungo apresenta uma variabilidade muito grande em relação a características culturais, exigências nutricionais e patogenicidade. Uma série de trabalhos tem demonstrado a ocorrência de variabilidade mesmo dentro de isolados monospóricos. Várias raças patogênicas têm sido identificadas através de reações de variedades de arroz inoculadas com isolados monospóricos.

O patógeno pode sobreviver, na forma de micélio ou conídio, em restos de cultura, sementes, hospedeiros alternativos e plantas de arroz que permanecem no campo. A disseminação ocorre principalmente através do vento. Uma vez depositado na superfície da planta e na presença de água livre, o conídio germina, produzindo tubo germinativo e apressório. A penetração é feita diretamente através da cutícula, raramente pelos estômatos. A colonização dos tecidos é facilitada por toxinas, que provocam a morte de células, e por hifas, que se desenvolvem no tecido morto.

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  CICLO DA BRUSONE

 

CONTROLE

Controle - A severidade da brusone depende de uma série de condições relacionadas à resistência do hospedeiro, à presença de raças do patógeno e à prevalência de fatores do ambiente favoráveis ou não à doença.

As variedades plantadas no sistema de sequeiro são, de maneira geral, mais suscetíveis do que aquelas cultivadas no sistema irrigado. Em razão da variabilidade do patógeno, a resistência vertical tem sido constantemente quebrada, sendo mais apropriado buscar a incorporação de resistência do tipo horizontal, quando se deseja obter variedades resistentes.

A influência do ambiente é mais relevante para o arroz de sequeiro. No sistema irrigado, a presença constante da lâmina de água no campo (mantendo um microclima relativamente estável), o uso de insumos e defensivos e a utilização de variedades com bom nível de resistência contribuem para diminuir os riscos da doença. No sistema de sequeiro é comum a ocorrência de deficiência hídrica, as variedades normalmente não possuem níveis desejáveis de resistência e o uso de defensivos e insumos não é adequado. Assim, ênfase maior será dada ao controle da doença para as condições de sequeiro.

Em relação à instalação da cultura, é recomendado que o plantio seja completado dentro de um período mínimo de tempo e iniciado no sentido contrário à direção predominante do vento; que barreiras de mata sejam mantidas dentro da área de plantio; que plantas de arroz remanescentes do plantio anterior sejam eliminadas. Estes cuidados visam reduzir a disseminação do patógeno na cultura. O uso de espaçamento e densidade adequados à duração do ciclo das variedades contribui para o controle, pois promove o arejamento da cultura, impedindo a formação de microclima favorável à doença, além de evitar a competição por água e nutrientes, o que poder tornar as plantas predispostas ao ataque do patógeno.

A utilização de nitrogênio em excesso aumenta a suscetibilidade ao patógeno nas folhas e nas panículas; por outro lado, sua deficiência pode predispor as plantas à doença. O fósforo é um elemento importante para o bom desenvolvi rnento da planta e, mesmo com a ocorrência da brusone, pode contribuir para a produtividade da mesma. O potássio, aplicado no plantio, desfavorece o patógeno, principalmente em solos deficientes.

Aspectos relacionados ao controle de ervas daninhas e à colheita também têm sua importância. A cultura deve ser mantida no limpo para impedir que estas plantas atuem como hospedeiros intermediários do fungo ou mesmo tornem o microclima da cultura mais favorável ao patógeno. A colheita tardia pode favorecer a infecção dos grãos por fungos saprófitas ou parasitas. Recomenda-se que os grãos sejam colhidos com 22% de umidade ou quando a panícula apresentar 2/3 dos grãos maduros.

O controle da brusone, tanto no sistema irrigado como no sistema de sequeiro, envolve também o emprego de produtos químicos aplicados como tratamento de sementes e em pulverização da parte aérea. Vários produtos têm sido utilizados. A escolha dos mesmos pode ser feita de acordo com a eficiência do fungicida, sua disponibilidade no mercado e economicidade, Dentre os produtos comumente recomendados estão o benomyl, blasticidin-S, carbendazin, carboxin, ediferiphos, kasugamicina, kitazin, maneb, mancozeb, thiabendazol, triciclazol e pyroquilon.

 

MANCHA PARDA - Cochliobolus miyabeanus Ito & Kuribayashi (Bipolaris oryzae Breda de Haan). Sinonímia: Helminthosporium oryzae Breda de Haan e Dreschlera oryzae Breda de Haan

INTRODUÇÃO

A mancha parda está amplamente distribuída nas regiões orizícolas do mundo, sendo particularmente importante nas regiões tropicais. Em termos de perdas, a doença carrega o estigma de ter causado a famosa "fome de Bengala", em 1942. Embora a doença tenha expressado seu potencial destrutivo naquela ocasião, as perdas atribuídas a ela não são tão drásticas. Chegam, porém, a ser significativas em função da suscetibilidade da variedade e da ocorrência de condições ambientais favoráveis. A importância da mancha parda tem sido subestimada pelo fato de ser freqüentemente confundida com a brusone.

Os danos associados à doença são decorrentes da infecção dos grãos, da redução na germinação das sementes, da morte de plântulas originadas de sementes infectadas e da destruição de área foliar. As perdas de produção em termos mundiais são muito variáveis. Redução da ordem de 30% já foi relatada para ensaios conduzidos com seis variedades na região norte do Brasil. A mancha parda normalmente ocorre tanto em culturas instaladas sob condições irrigadas como de sequeiro.

 

SINTOMAS

- Os sintomas são mais freqüentemente encontrados nas folhas e nos grãos, embora possam ser observados também no coleóptilo, nas ramificações da panícula e na bainha. Nas folhas, as manchas jovens ou ainda não totalmente desenvolvidas são arredondadas, de coloração marrom, pequenas. As manchas típicas são ovaladas, de coloração marrom- avermel hada e normalmente apresentam um centro cinza, onde podem ser encontradas as estruturas reprodutivas do patógeno. As manchas ocorrem geralmente de forma isolada. Podem, porém, coalescer e tomar considerável área da folha.

SINTOMAS NA FOLHA

ETIOLOGIA

Etiologia - o fungo Bipolaris oryzae é classificado na subdivisão Deuteromycotina, classe Hyphomycetes e família Dematiaceac. A fase perfeita corresponde a Cochliobolus miyabeanus, que produz peritécios globosos, ascos cilíndricos e ascósporos filamentosos. A forma perfeita ainda não foi constatada no Brasil.

As hifas são de coloração escura, normalmente marrom. Os conidióforos originam-se como ramificações laterais das hifas. As colônias são geralmente pretas ou acinzentadas, apresentando, porém, densidade e cor bastante diversificada em função do isolado, meio de cultura e condições de incubação. É comum o aparecimento de setores brancos nas colônias.

Os conídios são levemente curvos, mais largos no centro e gradativamente mais finos em direção às extremidades, onde a largura corresponde a aproximadamente metade da região central. Quando maduros, possuem coloração marrom e freqüentemente germinam através das células apical e basal. Os tubos germinativos originários destas células formam apressório. 0 número de núcleos presentes em cada célula do conídio pode variar de 1-14, sendo mais comumente encontradas células binucleadas.

O desenvolvimento do fungo é influenciado por uma série de fatores ambientais como temperatura, umidade, luz, pH e elementos nutricionais. Em relação à temperatura, a faixa ótima para o crescimento micelial está em torno de 28'C, enquanto a germinação é favorecida por 25-30'C e a produção de conídios ocorre desde 5'C até 35-38'C. 0 patógeno apresenta uma variabilidade muito grande quanto à morfologia, produção de esporos, características culturais e patogenicidade. Isolados obtidos a partir de esporos produzidos numa mesma cultura, ou isolados provenientes de células apicais de hifas, podem mostrar variabilidade patogênica marcante; apesar disto, não há um consenso entre os pesquisadores em relação à existência de raças do patógeno. A esporulação também é variável, podendo ser estimulada ou inibida pela ausência, presença ou alternância de luz, dependendo do isolado considerado.

A sobrevivência ocorre geralmente em restos de cultura, sementes infectadas ou plantas de arroz e hospedeiros alternativos. Normalmente, o inóculo primário está presente na semente ou no solo, sendo o inóculo secundário disseminado pelo vento e pela chuva a partir de plantas infectadas. A infecção é favorecida pela presença de água livre na superfície foliar. Umidade relativa de 89%, porém, já é suficiente para que o processo ocorra. O tubo germinativo forma um apressório, através do qual a hifa penetra diretamente a epiderme e a colonização se desenvolve com a produção de toxinas que matam as células do hospedeiro. Os sintomas foliares aparecem na forma de manchas e as estruturas reprodutivas formadas sobre o tecido necrosado ser novamente disseminadas pelo vento e pelos respingos de chuva.

 

 

Helminthosporium

CONTROLE

A mancha parda tem sido relatada em áreas onde algum fator do ambiente desfavorece a planta, tornando-a predisposta à doença. Em outras palavras, a doença não é problema em culturas instaladas em solos de boa fertilidade e que recebem bom suprimento de água. No Brasil, onde metade da produção de arroz é proveniente do sistema de sequeiro, a doença deve merecer atenção especial, visto que as áreas de arroz de sequeiro são normalmente de solo pobre e sujeitas a períodos de deficiência hidrica; isto é particularmente verdadeiro para as áreas de cerrado, nas quais está concentrada a grande maioria das lavouras de arroz de sequeiro. As culturas implantadas no sistema irrigado, na região sul do país, também estão sujeitas a danos provocados pela doença, apesar das boas condições do solo e da disponibilidade de água. Neste caso, a doença tem sido favorecida pelo plantio de variedades suscetíveis e pela maior freqüência de plantio.

A doença, de acordo com o exposto, é influenciada pela ocorrência de fatores desfavoráveis ao crescimento da planta, pelo estádio de desenvolvimento da mesma e pela suscetibilidade da variedade. Desta forma, as medidas de controle devem estar relacionadas com estes aspectos.

Variedades com elevado grau de resistência ainda não estão disponíveis, Há, porém, indicações de materiais razoavelmente resistentes, mesmo para as condições brasileiras. Na verdade, programas específicos de melhoramento visando a obtenção de variedades resistentes são praticamente inexistentes nas nossas condições; o que existe é a avaliação da reação à mancha parda em variedades ou linhagens produzidas em programas de melhoramento dirigidos para resistência à brusone.

Além do emprego de variedades com certo grau de resistência, é recomendável a utilização de lotes de sementes sadias ou de sementes tratadas, visando reduzir o inóculo inicial. O uso de adubação adequada e a manutenção de um bom manejo de água podem contribuir para minimizar os efeitos da doença. Práticas como rotação de cultura e eliminação de gramíneas das proximidades da área cultivada com arroz podem desfavorecer a sobrevivência do fungo. A utilização de pulverização com produtos químicos é uma opção de controle que deve ser analisada com cuidado, principalmente para cultivos de sequeiro, em função do baixo rendimento da cultura; no entanto, se esta medida for adotada, deve ser lembrado que as fases finais do ciclo da planta são as mais críticas e, portanto, a folha bandeira e os grãos devem ser convenientemente protegidos. Alguns fungicidas como maneb, mancozeb, chlorothalonil+tiofanato metílico e ziram podem ser empregados para o controle preventivo da doença.

 

MANCHA ESTREITA - Sphaerulina oryzina K. Hara (Cercospora oryzae Miyake) A ocorrência de Cercospora oryzae em plantas de arroz foi relatada pela primeira vez, em 1910, no Japão. Atualmente, a doença já foi registrada em todo o mundo, exceto no continente europeu.

INTRODUÇÃO

Mesmo existindo relatos de perdas em algumas regiões do mundo, acredita-se que nas condições brasileiras a doença tenha pouca importância. A mancha estreita geralmente ocorre na fase final do ciclo da planta e normalmente passa desapercebida na cultura. Quando a doença se manifesta mais cedo, pode reduzir a área foliar fotossintetizante, provocar redução de peso e rápida maturação dos grãos, além de diminuir o rendimento durante o processo de beneficiamento. A relevância da doença quanto aos danos está condicionada principalmente ao uso de variedades muito suscetíveis, fato verificado nas décadas de 30 e 40 nos Estados Unidos.

Sintomas - As manchas típicas aparecem mais freqüentemente nas folhas. No entanto, sob condições de ataque severo, as manchas podem ser encontradas nas bainhas, colmos e glumelas. As lesões características são estreitas, finas, necróticas, alongadas no sentido das nervuras, apresentando coloração marrom-avermelhada; nas variedades resistentes as lesões tendem a ser mais curtas, estreitas e escuras. Embora as dimensões sejam bastante variáveis, as manchas medem em média 3-5 x 1-1,5 mm.{erro: imagem}

CONTROLE

O uso de variedades resistentes é a medida mais indicada para evitar ou diminuir as perdas. Ao longo do tempo, diversas variedades foram produzidas em

  programas de melhoramento dirigidos para mancha estreita. Embora a doença venha merecendo pouca atenção no Brasil, a incorporação de resistência em variedades nacionais pode ser facilitada graças à existência de material estrangeiro com boas características agronômicas e portador de resistência.

Outras medidas podem contribuir para o controle da doença, entre as quais o emprego de sementes sadias ou tratadas, a eliminação do arroz vermelho, que se constitui num hospedeiro alternativo, e mesmo a rotação de cultura. Alguns fungicidas, como benomy], maneb+zinco, mancozeb e ziram têm sido recomendados para o controle do patógeno.

QUEIMA DAS BAINHAS -Thanatephorus cucurneris (A.B. Frank) Donk. (RIiizoctonia solani Kühn)

INTRODUÇÃO

Inicialmente descrita no Japão em 1910, esta doença encontra-se disseminada em praticamente todas as áreas do mundo onde se cultiva o arroz, principalmente em condições irrigadas. Sua importância vem aumentando devido ao uso de fertilizantes e de variedades altamente produtivas; isto implica em maior perfilhamento da planta e, conseqüentemente, em aumento de umidade na cultura, criando condições favoráveis ao patógeno.

SINTOMAS

- Os sintomas ocorrem nas bainhas e colmos, sendo inicialmente observados próximos do nível da lâmina de água presente na cultura irrigada; sob condições favoráveis, as lesões podem ser encontradas também nas folhas e bainhas localizadas acima da linha da água. As manchas, nas bainhas e colmos, são ovaladas, elípticas ou arredondadas, apresentam coloração branco-acinzentada, com bordos de cor marrom, bem definidos; nas folhas, os sintomas são semelhantes, porém as manchas apresentam aspecto irregular. Ataques severos podem causar seca parcial ou total das folhas, além de provocar acamamento das plantas.

Etiologia - O agente causal da queima das bainhas é o deuteromiceto Rhizoctonia solani, que na fase perfeita corresponde a Thanatephorus cucumeris. O micélio jovem é claro e torna-se gradativamente marrom, apresentando septação e ramificações típicas deste fungo. Os escleródios são globosos, brancos e tomam a coloração marrom-escura quando mais velhos, podendo alcançar até 5 mm de diâmetro. Na fase perfeita, o patógeno produz basídios sobre os quais se desenvolvem os basidiósporos em número de 2-4. A morfologia das estruturas produzidas pelo fungo pode variar dependendo do isolado, tendo sido separados vários grupos morfológicos. Em relação ao grupo de anastomose, o patógeno do arroz está incluído no grupo AGI.

A sobrevivência do fungo no solo dá-se por micélio ou esclerõdios. 0 cultivo contínuo do arroz na mesma área aumenta os danos, pois os restos de cultura contribuem para o aumento do inóculo. A infecção tem início quando os escleródios, disseminados pela água da cultura irrigada, atingem as partes das plantas localizadas na linha da água e germinam sobre a superfície vegetal. A penetração pode ocorrer através dos estômatos ou diretamente através da cutícula. O fungo produz apressório para, em seguida, penetrar os tecidos do hospedeiro. O micélio desenvolve-se rapidamente tanto no interior dos tecidos como sobre a superfície externa dos mesmos, levando ao aparecimento de manchas típicas da doença, sobre as quais podem ser encontradas hifas e escleródios. Estas estruturas são novamente disseminadas pela água de irrigação.

A ocorrência de temperaturas em torno de 28'C e a presença de alta umidade na cultura são fatores altamente favoráveis à doença; contribuem para estas condições o emprego de adubação pesada e a alta densidade de plantas. O microclima existente na cultura tem grande influência no desenvolvimento da doença. Tem sido demonstrado que a severidade é maior em solos com altos níveis de nitrogênio e fósforo, pois estes elementos favorecem o desenvolvimento vegetativo das plantas; por outro lado, o potássio tem promovido redução na incidência da doença.

CONTROLE

As medidas de controle indicadas compreendem, de modo geral, o uso de variedades resistentes e o emprego de fungicidas, entre os quais podem ser citados benomyl, kitazin, hinosan, mancozeb e iprodione. Nas regiões brasileiras que cultivam arroz irrigado a doença não tem sido registrada como problema sério. Preventivamente, porém, certos cuidados devem ser tomados, relacionados principalmente com a adubação e com a densidade de plantio.

CARVÃO

PONTA BRANCA - Aphelenchoides besseyi Christie

INTRODUÇÃO

Esta doença, causada por um nematóide, foi primeiramente estudada no Japão em 1915. Nas décadas de 40 e 50, vários aspectos relacionados à interação hospedeiropatógeno e ao controle foram objetos de pesquisas mais detalhadas. A distribuição da ponta branca é ampla, tendo sido registrada em todos os continentes. No Brasil, a doença foi relatada pela primeira vez no Rio Grande do Sul, em 1969, estando

  atualmente disseminada em praticamente todos os locais onde o arroz é cultivado em escala comercial.

As perdas são variáveis de acordo com o local, variedade, ano e manejo da cultura. Em países onde foram feitas estimativas de danos, constatou-se de 10-46% de perdas no rendimento. Em países de regiões tropicais, a doença tem merecido pouca atenção por parte dos agricultores e da pesquisa, talvez pelo fato da predominância das culturas de sequeiro, onde a doença é de menor importância. A ponta branca apresenta maior relevância para os plantios realizados sob condições de irrigação com lâmina de água.

 

Sintomas - Os sintomas mais característicos aparecem na fase adulta da planta. O ápice das folhas exibe uma clorose bastante evidente que se torna esbranquiçada e normalmente estende-se por 5 em. Com o tempo, esta região pode apresentar rasgamento do tecido e se reduzir a um filamento de tecido necrosado. É comum nas folhas ocorrer o enrolamento da extremidade apical, dificultando a emissão das panículas. A doença pode provocar encurtamento das folhas, amadurecimento tardio das panículas, esterilidade e retorcimento das glumas. As plantas afetadas podem apresentar subdesenvolvimento; produzem panículas pequenas com menor número de grãos. Em alguns casos, as plantas não mostram sintomas típicos.

 

 

 




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