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Uesb e USP são parcerias de projeto envolvendo linguística e IA
O conhecimento floresce quando diferentes instituições se conectam. Na Uesb, parcerias com universidades nacionais e internacionais têm potencializado várias pesquisas que transformam ideias em soluções inovadoras, mostrando que a ciência cresce quando o esforço é coletivo e o saber circula além das fronteiras.
Um exemplo desse trabalho é a colaboração entre o Laboratório de Pesquisas em Linguística de Corpus (LaPeLinC), da Uesb, e o Grupo de Pesquisas em Humanidades Digitais (GPHP), da Universidade de São Paulo (USP). Juntos, consolidam ações voltadas ao desenvolvimento de recursos digitais para o estudo histórico da língua e a curadoria de acervos memoriais.
Dessa parceria, nasceu o Laboratório Virtual de Humanidades Digitais (LaViHD), um espaço colaborativo que reúne o desenvolvimento de ferramentas digitais e catálogos para o estudo da Língua Portuguesa e da preservação documental. Coordenado pelas professoras Cristiane Namiuti, da Uesb, e Maria Clara Paixão, da USP, o LaViHD se dedica à digitalização e ao tratamento de documentos históricos, garantindo que textos raros sejam preservados e disponibilizados para pesquisas futuras.

Oficina de Filologia e Humanidades Digitais promovida na Uesb
Além de proteger a memória escrita, o Laboratório oferece recursos que permitem analisar esses registros sem descaracterizá-los, ampliando as possibilidades de investigação em Linguística, Filologia e demais áreas. Para Cristiane, o surgimento das Humanidades Digitais abriu novas formas de trabalhar com fontes históricas, superando limites de tempo e espaço. “O LaViHD reúne esforços para preservar as fontes originais e, ao mesmo tempo, divulgar as informações nelas contidas e geradas”, revela.
A parceria já rendeu ferramentas digitais de destaque, como o AnoTei, voltado para a anotação de textos históricos; o eDictorWeb, versão on-line de um programa de edição e análise de textos antigos; e os módulos LapelincFramework e Lapelinc-Transcriptor, que permitem a criação de corpora digitais e o reconhecimento automático da escrita manuscrita. Outro resultado expressivo é o Corpus Carolina, uma base inédita do português brasileiro contemporâneo (1970–2025), já disponível on-line.

Ação educativa em saúde na comunidade rural de Moçambique
A ciência sem fronteiras – O alcance da Uesb também se projeta internacionalmente. Um exemplo é a parceria com a Universidade Miguel Hernández, na Espanha, dedicada ao estudo da hanseníase. A cooperação teve início com o professor Marcos Túlio Raposo, durante seu pós-doutorado na USP.
O tema ganha relevância porque o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos da doença, enquanto a Espanha recebe migrantes vindos de regiões endêmicas. “Esse fluxo internacional de pessoas leva doenças tropicais para países que não estão habituados a diagnosticá-las, tornando essencial a cooperação científica”, destaca o professor Túlio.
A pesquisa começou com exames clínicos em pacientes e hoje analisa dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), traçando o perfil da hanseníase na Bahia.
O estudo identificou falhas nos serviços de saúde e áreas de “silêncio epidemiológico”, onde a ausência de registros pode indicar casos não diagnosticados. Esse mapeamento fundamenta ações de capacitação junto a secretarias municipais e regionais, desenvolvidas de forma voluntária por estudantes e profissionais da Uesb.

Revisão do Programa Nacional de Hanseníase, em Moçambique
Os resultados dessa cooperação renderam reconhecimento internacional, com publicação de artigo e participação no programa de hanseníase em Moçambique, a convite da Global Partnership for Zero Leprosy, para criação de um plano estratégico junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dessa experiência, nasceu o Fórum Lusófono de Hanseníase, que reúne pesquisadores do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Timor-Leste e, mais recentemente, São Tomé e Príncipe. Para Túlio, iniciativas como essa “não se limitam a projetos de pesquisa ou extensão, mas ampliam as relações entre pessoas, instituições e países, gerando impactos que ultrapassam a sala de aula e alcançam a saúde pública”, conclui.
Essa trajetória demonstra que a internacionalização da Uesb vai muito além do reconhecimento acadêmico: traduz-se em ações concretas que fortalecem serviços de saúde, promovem cooperação científica e salvam vidas. Ao conectar saberes locais a redes globais, a Universidade reafirma seu papel como instituição pública comprometida com o bem comum. Como ressalta o professor Marcos Túlio, “a internacionalização traz visibilidade, mas, principalmente, gera impacto real na saúde pública, seja na Bahia, em outros estados ou em países distantes”.
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