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Teve início nesta quarta-feira, 25, no campus de Jequié, a 6ª edição do Encontro de Planejamento Pedagógico da Graduação (Enpegrad). O evento, que contou com mais de 200 inscritos, é promovido pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e estende-se até o dia 27 de fevereiro, consolidando-se como um espaço vital de formação continuada, acolhimento e inovação pedagógica para o corpo docente da Universidade.
A abertura do semestre com um espaço de escuta é vista como fundamental para a “saúde acadêmica”. Convidada para ministrar a palestra de abertura, a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Edméa Santos, ressaltou que o ambiente universitário se fortalece na coletividade. “A saúde acadêmica só se institui quando as pessoas estão em paz consigo mesmas e em comunidade. Estar junto é partilhar as inquietações que tiram o nosso sono, sejam desafios de sala de aula ou mudanças no perfil dos estudantes”, pontuou a palestrante.
Para o pró-reitor de Graduação, professor Reginaldo Pereira, o Enpegrad é uma política institucional que reconhece a docência como um processo inacabado. “Nós recebemos estudantes de trajetórias muito distintas. O Enpegrad nos permite planejar o semestre e pensar estratégias de formação em temas como metodologias ativas e tecnologias digitais”, afirmou o gestor.
Conexão multicampi e atualização – O Enpegrad promove um importante intercâmbio entre os docentes de Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista, que compartilham a necessidade mútua de adaptação às novas gerações e tecnologias. A professora Silmara Carvalho, do campus de Itapetinga, destacou que o encontro é essencial para lidar com o novo perfil discente. Para ela, o evento permite “reciclar conhecimentos e ficar mais antenado na recepção dessa juventude que chega hoje às universidades públicas”, facilitando o enfrentamento dos desafios impostos cotidianamente.
Na mesma linha, o professor Jair Magalhães, do campus de Jequié, enfatizou que este é um momento crucial de aproximação. Ele pontuou que a interação entre colegas de diversos departamentos é fundamental para “discutir as novas políticas educacionais em um mundo onde as tecnologias estão cada vez mais presentes”, tornando o Enpegrad um espaço vital de reencontros e formação profissional. Complementando essa visão, a professora Luciana Aleixo, do campus de Vitória da Conquista, reforçou a necessidade de rever as práticas pedagógicas. Segundo a docente, o diálogo entre os pares permite “refletir sobre a importância de uma didática mais sensível”, garantindo, assim, uma universidade “ativa, moderna e antenada ao momento que estamos vivendo”.

Tecnologia e interseccionalidade – Um dos grandes diferenciais desta edição é o debate sobre o impacto das Inteligências Artificiais (IA) Generativas. A professora Edméa Santos alertou, em sua mesa de diálogo, que a tecnologia provoca um verdadeiro “corte epistemológico”, exigindo que professores e pesquisadores se apropriem dessas ferramentas para mobilizar letramentos científicos.
“Nossos alunos já estão imersos na cibercultura. As IAs generativas operam em alta velocidade e isso tem causado impactos diretos nos processos de criação. Precisamos usar essas tecnologias como artefatos para empoderar a nossa produção de conhecimento. O objetivo é desenvolver estratégias cognitivas e científicas, combatendo dilemas como o plágio, mas sem cair em panaceias”, explicou a palestrante, reforçando que sua abordagem é fundamentada em epistemologias interseccionais de classe, gênero e raça.
Até sexta-feira, 27, a programação segue com uma agenda intensa voltada ao aperfeiçoamento da prática docente. Os participantes se envolverão em ateliês formativos focados em metodologias ativas e nos complexos desafios didáticos da atualidade, além de contarem com o “Eixo Saúde”, uma programação específica para os cursos com formação nessa área.
O evento também reserva um espaço para a valorização da produção intelectual com o “Café com as Autoras”, momento dedicado ao lançamento de livros e ao debate sobre narrativas femininas e interseccionais na academia.

Compromisso ético e político – Para o reitor da Uesb, professor Luiz Otávio de Magalhães, o Enpegrad, que nasceu em 2023 como uma resposta aos desafios do pós-pandemia, evoluiu de um planejamento burocrático para uma ferramenta de afirmação democrática. “O evento foi se transformando em uma discussão de formação para a prática docente, integrando a linguagem acadêmica aos recursos da educação on-line. Mas, mais do que discutir didática, este é um encontro para reafirmar os princípios da universidade que desejamos”, ressaltou o reitor.
Segundo o professor, a atualização técnica serve a um propósito maior: o cuidado com a permanência estudantil. “Nós estamos envolvidos em um princípio ético de ter cuidado com todos os alunos. Discutimos metodologias ativas e educação híbrida não apenas porque a ferramenta está disponível, mas porque elas nos ajudam a não deixar nenhum estudante para trás. A universidade pública deve se guiar pela inclusão e garantir que todos tenham o mesmo direito à aprendizagem. Usaremos todos os recursos disponíveis para que a Uesb seja, de fato, para todos”, finalizou.