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Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores do curso de Odontologia da Uesb, campus de Jequié, conquistou o primeiro lugar no 4º Congresso Baiano de Política e Gestão em Saúde (CBPGS), realizado em Salvador (BA), nos dias 26 e 27 de março. Coordenada pelo professor Manoelito Ferreira Silva Junior, a equipe contou com a participação das estudantes Andressa Teixeira e Nadiene Ferreira, além dos professores Alcir José de Oliveira e Marília Batista.
O estudo, intitulado “Frequência, motivos e tipo de serviços odontológicos utilizados por quilombolas adultos de zona urbana”, investigou as condições de saúde bucal na comunidade do Barro Preto, em Jequié. O trabalho revelou que o acesso ao tratamento ainda é marcado pela desigualdade e por uma procura motivada predominantemente pela dor.
A ideia do estudo surgiu do protagonismo discente, através do interesse da estudante Andressa Teixeira em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Os resultados mostram que, embora esses moradores vivam na zona urbana, o acesso ao dentista é menor do que o da população brasileira não-quilombola.
Segundo o professor Manoelito Silva Junior, os dados confirmam uma exclusão histórica. “Verificamos que há um uso mais regular quando comparado a populações quilombolas da zona rural. No entanto, o uso é muito menor do que o da população brasileira em geral, afirmando dados sobre a desigualdade e exclusão em saúde”, explica o coordenador.
A pesquisa também destacou a importância das políticas públicas. “A maioria utilizou o serviço público, o que demonstra a força do SUS para tentar minimizar essas disparidades. Mesmo assim, muitos evitam o consultório, alegando falta de tempo, e só buscam atendimento quando sentem dor ou necessidade urgente”, pontua o professor.

Diferencial científico – O grande diferencial do trabalho foi focar no adulto quilombola que vive na cidade. A literatura científica costuma focar em idosos ou em comunidades rurais isoladas, deixando uma lacuna sobre quem vive no meio urbano.
“Existe uma dúvida epidemiológica: as características da população quilombola urbana são mais parecidas com a rural ou com a população não-quilombola da cidade? O isolamento geográfico sempre foi a justificativa para o menor acesso na zona rural, mas o estudo mostra que as barreiras persistem no asfalto”, afirma Manoelito. Para a estudante Nadiene Ferreira, o reconhecimento valida o esforço de campo: “A pesquisa mostrou que o isolamento não é apenas geográfico. Isso exige uma atuação profissional mais sensível às realidades sociais”.
Inovação e financiamento – Com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o projeto entra agora em uma fase de inovação tecnológica. A equipe está desenvolvendo um aplicativo para auxiliar na gestão desses dados e na popularização da ciência. O objetivo é realizar a “translação do conhecimento”, garantindo que as descobertas acadêmicas se transformem em ferramentas práticas para a população do Barro Preto e para os gestores de saúde.