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Por princípio, a universidade pública é um espaço de todos. Partindo dessa missão, a Uesb busca construir pontes, derrubar barreiras e oferecer apoio em cada etapa da jornada de formação. Sempre atenta às demandas sociais, a Instituição vem construindo uma série de políticas que reafirmam seu compromisso em ser promotora da mudança social por meio da educação.
Essa parceria começa muito antes da tão sonhada aprovação no Vestibular ou Sisu. Já no Ensino Médio, a Instituição atua por meio de programas como o Universidade para Todos (UPT), que prepara estudantes da rede pública para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para vestibulares.
Em 2009, esse compromisso se fortaleceu com a Política de Ações Afirmativas, pela qual metade das vagas de graduação passou a ser destinada a alunos da rede pública. Hoje, mais de 70% dos estudantes da Uesb vêm desse segmento, o que reforça o papel da Instituição na democratização do Ensino Superior de qualidade.

Centenas de estudantes participam, anualmente, do Universidade Para Todos na Uesb
Mais do que garantir o acesso, é essencial assegurar a permanência. Nessa missão, atua a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa), em parceria com o Programa de Assistência Estudantil (Prae). Juntos, eles estruturam, de forma integrada, políticas voltadas ao bem-estar e à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O Programa Mais Futuro, do Governo do Estado da Bahia, amplia o alcance dessas ações e consolida o compromisso institucional com a inclusão e a equidade.
A estudante Ana Paula Tupinambá compartilha uma trajetória marcada pela resistência. Mulher indígena e de pele escura, enfrentou diversas barreiras até o ingresso na Uesb. “Comecei meu processo de alfabetização apenas aos 10 anos. Então, chegar à Universidade parecia algo muito distante”, relembra. Em 2022, ela ingressou na Uesb de forma virtual e, em 2025, reingressou presencialmente no curso de licenciatura em Dança, pelo Processo Seletivo de Acesso e Inclusão (Psai), nas cotas destinadas a indígenas. “Foi uma forma de demarcar esse território dentro da Universidade”, afirma.
Durante sua jornada, Ana Paula teve acesso ao Programa Mais Futuro, ao auxílio de acolhimento do Prae e ao Restaurante Universitário (RU), fundamentais para sua permanência. “Esses programas não são só sobre dinheiro: são sobre resistência, sobre conseguir continuar sonhando. Foram políticas que me ajudaram a continuar, mesmo diante das dificuldades. Eu já pensei em desistir várias vezes, mas entendi a importância de ocupar esse espaço”, defende.

Quilombola, Nadiene Alves realiza, na Uesb, o sonho de ser cirurgiã-dentista
Impacto que vai além dos muros – Para a pró-reitora de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil, Adriana Amorim, a permanência não se resume a questões financeiras, mas está profundamente ligada ao processo de transformação coletiva que a universidade proporciona. “Na mesa do jantar, aquela pessoa vai trazer temas e reflexões que talvez nunca estivessem ali. Ela passa a olhar o mundo com mais criticidade”, destaca.
Ao se formar, o estudante leva essa pluralidade para o mercado de trabalho, seja em um hospital, escola ou escritório, contribuindo para uma sociedade mais justa e diversa. É o caso de Nadiene Alves, quilombola, que também encontrou na Uesb o espaço para realizar seu sonho de cursar Odontologia. Após enfrentar dificuldades e uma breve mudança de rota, ingressou na Uesb, em 2021, por meio do Processo Seletivo Especial. “Foi um dos dias mais felizes da minha vida”, recorda.
Hoje, no oitavo semestre, ela reconhece o impacto das políticas de permanência em sua trajetória. “Tive acesso ao Mais Futuro e, atualmente, conto com uma bolsa de extensão. Esses programas são fundamentais para que estudantes como eu consigam permanecer até o fim”, diz.
Para ela, a universidade pública representa não só uma formação profissional, mas uma conquista pessoal e coletiva. “Na minha vida, significa transformação. Profissionalmente, é a chance de me tornar uma cirurgiã-dentista formada em uma instituição de qualidade. Mas, mais do que isso, é resistência. É a prova de que o esforço vale a pena”. Nadiene destaca o protagonismo de estudantes indígenas e quilombolas na construção de um espaço mais representativo. “A Universidade precisa ser pensada para os corpos que aqui estão”, finaliza.

Edicley encontrou no Naipd um espaço de acolhimento e auxílio profissional em sua formação
Permanência e Inclusão – A permanência estudantil não se resume a garantir o acesso, mas também a criar condições para a inclusão plena de todos os corpos na Universidade. Para isso, a Uesb tem se dedicado a oferecer não apenas apoio financeiro, mas também acessibilidade e inclusão em seus processos pedagógicos e sociais. A história de Edicley Mota, estudante de Jornalismo, ilustra muito bem essa perspectiva.
Ao chegar à Uesb, Edicley carregava receios. Com visão monocular, baixa visão e hidrocefalia, temia como seria tratado pelos colegas e professores. “Eu tinha medo do que as pessoas iam pensar, como iam me olhar”, relembra. Mas a Universidade se transformou em espaço de realização: “A Uesb me ensinou a lidar com minha deficiência. Aprendi que, independente de ter ou não deficiência, eu continuo sendo quem sou”.
Essa transformação foi possível graças ao trabalho do Núcleo de Ações Inclusivas para Pessoas com Defi ciência (Naipd), vinculado à Proapa. No início, Edicley se sentia desconfortável com o reconhecimento de seu Plano de Atendimento Individualizado (PAI), mas a atenção dos professores e o apoio da equipe mudaram essa realidade. Hoje, ele chama o Naipd de “segunda casa”: “Já aconteceu de eu não estar bem e ir para o Naipd. Sempre saio de lá melhor”.
Histórias como a de Edicley revelam como a inclusão e a permanência não são apenas conceitos abstratos, mas práticas diárias e concretas. Elas exigem ações contínuas e comprometidas que envolvem toda a comunidade acadêmica.

Com a chegada de estudantes de escolas públicas, comunidades quilombolas, indígenas, pessoas trans e com deficiência, é necessário promover transformações institucionais profundas e contínuas. “Não dá mais para pensar em uma Universidade homogênea. A aula não é só mais um tipo de aula. A avaliação não é só um tipo de avaliação”, explica a pró-reitora.
A solução, segundo ela, não está apenas em documentos oficiais, mas no cotidiano dos diversos espaços que formam a Universidade, um trabalho de “formiguinha”, que envolve toda a comunidade acadêmica.
Ao abrir suas portas e, mais importante, ao construir caminhos para que todos possam seguir por elas, a Uesb não apenas forma profissionais. Forma cidadãos mais fortes, empáticos e conscientes, cujo impacto ecoa muito além dos campi de Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista.
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