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Foto: Magnific
A Iniciação Científica deixou de ser um domínio exclusivo dos estudantes de graduação para se tornar uma ponte estratégica entre a Educação Básica e a Universidade. Na Uesb, o Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ), também conhecido como Pibic-EM, tem cumprido o papel fundamental de despertar vocações científicas e incentivar novos talentos ainda no Ensino Médio. Com uma trajetória iniciada em 2005, o Programa realizou atividades até 2013 e, após um período de interrupção, foi retomado em 2024, reafirmando o compromisso da Instituição com a democratização do saber.
Atualmente, a Uesb atende 20 alunos da rede pública de ensino nos seus três campi, que recebem bolsas pelo período de 12 meses. Esse incentivo financeiro, no valor de R$ 300,00 mensais, provém de uma parceria entre cotas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), responsável por nove bolsas, e recursos próprios da Universidade, que financia as outras 11 vagas.
Segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), o Programa exige que o aluno esteja matriculado em escola pública, não curse o último ano do Ensino Médio ou Técnico, possua frequência igual ou superior a 80% e dedique, pelo menos, 10 horas semanais ao projeto. A seleção é feita anualmente, sempre por Edital lançado no site da Universidade.
Para a pesquisadora Maria de Lourdes Porto, doutora em Educação Científica e Formação de Professores pela Uesb, essa inserção é essencial em uma sociedade marcada pela tecnologia. Ela defende que a alfabetização científica é fundamental pois vivemos em uma sociedade profundamente marcada pelos avanços da ciência e da tecnologia em várias dimensões da vida. “Nesse sentido, é fundamental que a escolarização básica proporcione aos estudantes não apenas o acesso a conceitos científicos, mas também a compreensão da linguagem da ciência, de seus modos de produção de conhecimento e de sua relação com a vida social”, afirma a pesquisadora.

Miguel Ventura, aluno do 3º ano do CPM em Jequié e bolsista do Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Química e Sociedade (Gepeqs) da Uesb (Foto: Acervo Pessoal)
Maria de Lourdes ressalta que o objetivo não é transformar o jovem em um acadêmico precoce, mas sim favorecer o desenvolvimento de uma mentalidade científica que envolva a capacidade de questionar, investigar e refletir. “No Ensino Médio, a alfabetização científica assume um papel ainda mais relevante, pois contribui para a formação de cidadãos capazes de interpretar criticamente informações científicas, participar de debates públicos que envolvem ciência e tecnologia e tomar decisões fundamentadas em conhecimentos confiáveis, distinguindo-os de fake news e de fenômenos associados à pós-verdade”, pontua.
É o que revela a trajetória de Miguel Ventura, estudante do terceiro ano do Ensino Médio no Colégio da Polícia Militar, em Jequié. Atuando como bolsista no Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Química e Sociedade (Gepeqs), sob orientação da professora Beatriz Santana e coordenação do professor Bruno Ferreira, Miguel experimenta o cotidiano da pesquisa através da transcrição e análise de entrevistas sobre o ensino de Química.
Para ele, ser um pesquisador ainda na escola é um diferencial inovador. “Eu não conheço outros estudantes do Ensino Médio que também participam de bolsas de Iniciação Científica. Então, desde o momento que eu recebi essa proposta, foi algo muito inovador, até quando a gente fala para alguém, eu estando no ensino médio e as pessoas sabendo que eu frequento a Uesb por meio de um grupo de pesquisa, é uma coisa diferente, é uma coisa que as pessoas valorizam”, relata o estudante.
O convívio com pesquisadores experientes também impacta o amadurecimento do jovem. Miguel destaca que o ambiente da Uesb o coloca em contato com uma realidade que vai além do currículo escolar tradicional, citando inclusive a importância de parcerias e visitas acadêmicas, como a ocorrida no ano passado, quando ele e outros alunos do Colégio da Polícia Militar Professor Poeta Luis Neves Cotrim (CPM) realizaram experimentos práticos nos laboratórios da universidade. “Quando você está num grupo de pesquisa da Universidade, a responsabilidade é muito maior do que você estar num colégio. Você está lidando com pessoas mais velhas. Eu mesmo sou o mais novo de todo o grupo e estou com pessoas fazendo pós-graduação, fazendo entrevista de pessoas que estão cursando a faculdade, estão terminando a faculdade, estou trabalhando com doutores. A visão é diferente”, explica.

Miguel Ventura e colegas do Colégio da Polícia Militar durante experimentos nos laboratórios da Uesb (Foto: Acervo Pessoal)
A experiência prática ajuda, também, a entender a aplicação real do que é estudado em sala de aula. Miguel recorda com entusiasmo uma aula prática sobre as propriedades do café, realizada em um laboratório da Uesb, onde o uso de equipamentos complexos transformou a teoria da sala de aula em algo tangível.
“A gente analisou diferentes modos de fazer, o que que altera. A experiência foi realmente legal. A gente estava num grupo com mais de 10 estudantes. Foi um compartilhamento de conhecimento mesmo. Eu acho importante esse contato com alunos, com laboratório. Foi uma experiência inovadora, eu diria”, conclui Miguel.
Ao unir o rigor acadêmico à curiosidade escolar, o Programa de Iniciação Científica Júnior da Uesb democratiza o acesso ao conhecimento e fortalece a educação científica. A iniciativa integra estudantes da rede pública em atividades de pesquisa orientadas por especialistas, despertando vocações, incentivando talentos potenciais e cumprindo o papel social da Universidade em transformar o aprendizado básico em uma ferramenta prática de inovação e cidadania.
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