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(Imagem: Taschen Books)
A matemática pode ser vista como um bicho de sete cabeças para a maior parte dos estudantes do Ensino Fundamental. Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, mais de 70% das crianças e adolescentes no Brasil enfrentam dificuldades básicas em matemática. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional Anísio Teixeira (Inep) revela ainda que alunos do 5º ano têm desempenhos muito baixos na disciplina, em uma a cada cinco cidades brasileiras.
Pensando nesse cenário, a pesquisadora Maria Luiza Coutinho desenvolveu um aliado na superação dessas dificuldades ao elaborar seu Trabalho de Conclusão de Curso na licenciatura em Matemática da Uesb. O estudo propõe o uso de Histórias em Quadrinhos (HQs), criadas com auxílio de Inteligência Artificial (IA), para facilitar a compreensão de números naturais por alunos do Ensino Fundamental.

A iniciativa surgiu a partir da realidade observada na Escola Municipal Mozart Tanajura, em Vitória da Conquista. No espaço escolar, Maria Luiza percebeu que as dificuldades de interpretação e o distanciamento dos métodos tradicionais em relação ao cotidiano eram barreiras críticas para os estudantes do 6º ano. “Vários alunos apresentavam dificuldades em conceitos de matemática, de aritmética, como a interpretação de conteúdos relacionados a operações de números naturais. Então, a utilização de Histórias em Quadrinhos seria uma alternativa para o ensino desses objetos”, explica.
A pesquisa foi baseada na Teoria Cognitiva da Aprendizagem Multimídia, que aponta que o conhecimento é construído de forma mais significativa quando as informações combinam textos e imagens, em vez de depender de apenas um desses recursos. Com base nisso, a etapa de construção da sequência didática revelou um potencial formativo imediato.
Os elementos visuais e a estrutura narrativa das HQs demonstraram ser capazes de aumentar o engajamento dos estudantes e promover uma aprendizagem mais contextualizada. A novidade funcionou tanto como material de apoio para o professor quanto como ponto de partida para a produção autoral dos próprios alunos.

Praticidade e ludicidade auxiliam na compreensão dos estudantes
O processo de criação – O material pedagógico foi desenvolvido em três fases tecnológicas. Na primeira fase, a pesquisadora utilizou o ChatGPT para elaboração e refinamento do roteiro através de comandos específicos.
Na segunda fase, para a geração das imagens, a pesquisadora recorreu à plataforma Dasha, da Sun Studio, focada em quadrinhos, e ao Gencraft, que permitiu ajustes anatômicos e de continuidade visual dos personagens, como a alteração de braços ou expressões faciais. Na terceira e última fase, a montagem e a edição final foram realizadas no Canva, utilizando recursos avançados para garantir a qualidade estética e pedagógica das páginas.
Mesmo diante das limitações inerentes ao desenvolvimento de uma nova metodologia, o estudo reforça a versatilidade da Inteligência Artificial no contexto educacional. A integração entre a IA e as histórias em quadrinhos oferece ao docente a possibilidade de personalizar recursos e aperfeiçoar o ensino de conteúdos complexos, como a aritmética.
Ao transformar números e operações em narrativas visuais atraentes, a pesquisa sinaliza um caminho para tornar a Matemática uma disciplina mais acessível e conectada com a linguagem das novas gerações.
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