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Com atuação consolidada na formação de professores e na defesa da Educação do Campo, o Programa FormaCampo, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex) da Uesb, se tornou referência tendo alcançado mais de 16 mil professores que atuam na Educação do Campo, promovendo formação continuada e apoiando a construção e reformulação de políticas públicas voltadas às comunidades rurais.
A coordenadora do Programa, professora Arlete Ramos dos Santos, destaca que o trabalho desenvolvido vai além da formação docente e contribui para assegurar direitos historicamente conquistados pelas populações do campo. “O FormaCampo se consolidou como uma importante ação extensionista porque fortalece a formação continuada dos profissionais da Educação do Campo, contribuindo para a construção de políticas educacionais que respeitam as especificidades das comunidades rurais e garantem uma educação comprometida com seus territórios e modos de vida”, pontua a coordenadora.
Mais do que um espaço de produção agrícola, o campo representa um território de vida, cultura e identidade. É nele que agricultores familiares, quilombolas, indígenas, pescadores artesanais, assentados e diversos outros povos tradicionais produzem alimentos, preservam saberes e movimentam a economia. Nesse contexto, a escola exerce papel essencial para garantir a permanência das famílias em seus territórios, respeitando os tempos da natureza, valorizando a agroecologia, a memória coletiva e os modos de produção da vida no campo.

Porém, esse direito tem sido ameaçado pelo fechamento de escolas rurais, realidade que compromete o acesso à educação e enfraquece as comunidades tradicionais. Esse novo desafio levou o programa a criar uma Frente de Combate ao Fechamento de Escolas do Campo. Com o apoio do Ministério Público, comunidades escolares e outras instituições essa frente de trabalho atua no desenvolvimento de estratégias para orientações e mobilização das comunidades, na elaboração de documentos, articulação institucional e acompanhamento dos processos que envolvem o encerramento das atividades escolares nas áreas rurais.
“O fechamento das escolas do campo representa uma grave ameaça às comunidades rurais, porque enfraquece seus aspectos culturais, sociais e econômicos. Nossa atuação busca orientar gestores, professores e comunidades para que conheçam seus direitos e tenham instrumentos para impedir que essas escolas sejam fechadas, garantindo que crianças e jovens possam estudar em suas próprias comunidades”, explica Arlete.
Os resultados desse trabalho já começam a ser percebidos em diferentes municípios baianos. A atuação conjunta tem contribuído para a reabertura e a desnucleação de escolas do campo, fortalecendo a agricultura familiar e assegurando o direito à educação próximo ao local de moradia dos estudantes. Para fortalecer e ampliar esses resultados o programa criou uma carta-compromisso, que já reúne quase três mil assinaturas de cidadãos, entidades representativas, universidades e organizações ligadas à Educação do Campo, reforçando o compromisso coletivo com a permanência das escolas rurais e com a valorização dos territórios camponeses.