Assessoria de Comunicação da UESB - tel:77 3424.8645

Em um ambiente onde decisões precisam ser tomadas rapidamente com atenção e precisão, cuidar de quem cuida também é uma questão de saúde. Onde a pressão e a responsabilidade fazem parte da rotina, o equilíbrio emocional da equipe pode refletir diretamente na assistência oferecida aos pacientes. Foi com esse olhar que o pesquisador Jorge Luiz Rubho desenvolveu, no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGES) da Uesb, uma pesquisa sobre a saúde mental e a espiritualidade de profissionais que atuam em hospitais.
O estudo buscou compreender como o estresse, os transtornos mentais comuns e a espiritualidade se relacionam no cotidiano de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Entre os profissionais participantes, os resultados apontam que quase 36% apresentaram suspeita de transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão, sendo mais frequente em homens.
Ao mesmo tempo, a pesquisa trouxe um dado importante: a espiritualidade aparece como um fator de proteção para o estresse, pois contribui para a construção de relações de apoio mais fortalecidas entre os colegas. “Ela ajuda o profissional a ter uma percepção maior de controle sobre seu trabalho e funciona como um escudo contra o estresse”, diz o pesquisador
De acordo o pesquisador, a ideia surgiu a partir da percepção de que o centro cirúrgico reúne condições capazes de gerar sobrecarga física e emocional e da dúvida se realmente a espiritualidade poderia ajudar os profissionais diante dessas dificuldades. Nesse processo, o trabalho foi orientado pelo professor Sérgio Yraid, contribuindo com a discussão sobre o cuidado integral de quem atua na área da Saúde.

O estudo e seus impactos – Para realizar o estudo, Jorge Luiz avaliou 106 profissionais que trabalhavam há pelo menos seis meses em um centro cirúrgico de um hospital público da Bahia. Médicos, enfermeiros e técnicos responderam a questionários cientificamente validados, utilizados para identificar níveis de estresse, possíveis transtornos mentais comuns e aspectos relacionados à espiritualidade. Depois, os dados foram analisados por meio de modelagem estatística, permitindo observar as relações entre esses diferentes fatores e compreender melhor a realidade vivenciada pela equipe.
Segundo Jorge, o principal impacto do estudo é mostrar que olhar para as questões espirituais e emocionais desses profissionais resulta em equipes mais saudáveis e equilibradas. “Para a sociedade, isso se traduz em uma assistência hospitalar muito mais segura e eficiente, pois profissionais com a saúde mental fortalecida conseguem enfrentar os desafios e a pressão de salvar vidas com mais empatia e foco”, defende o pesquisador.
A pesquisa também abre caminhos para outras ações. Entre as recomendações apontadas pelo trabalho, está a criação de estratégias com objetivo de trazer bem-estar para as equipes para que, consequentemente, as instituições e gestores também consigam oferecer um suporte social no ambiente de trabalho.
Confira outras pesquisas no site do “Ciência na Uesb”