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(Foto: Acervo do projeto)
Uma pesquisa desenvolvida por estudantes do curso de Odontologia da Uesb, campus de Jequié, revelou um alerta preocupante para quem vive sobre rodas: existe uma alta prevalência de perda dentária entre os caminhoneiros que transitam pelas estradas baianas. Segundo o estudo, 71% dos motoristas avaliados necessitam de tratamento protético (próteses dentárias).
O trabalho constatou que o perfil de saúde bucal da categoria é insatisfatório. A rotina intensa de trabalho, marcada por longas jornadas, pouco descanso, alimentação inadequada e o acesso restrito aos serviços de saúde, interfere diretamente no cuidado com o corpo e com a boca. Fatores como estresse, tabagismo e uso de álcool também tornam esses profissionais vulneráveis ao agravamento de problemas que poderiam ser evitados.
A pesquisa analisou questionários e exames intraorais aplicados a 93 caminhoneiros que transitaram pelo quilômetro 767 da BR-116, em Jequié. Os atendimentos ocorreram no Odontomóvel, um veículo cedido pela Prefeitura que conta com dois consultórios adaptados, durante as ações do projeto de extensão “Saúde na BR”, da Uesb. “Durante a ação, além das avaliações clínicas, também foram realizadas ações de orientação em saúde e higiene bucal”, explica Ana Lúcia Cunha, uma das pesquisadores à frente da pesquisa.

(Foto: Acervo do projeto)
Impacto social – Apesar de serem fundamentais para a economia do país, os caminhoneiros frequentemente enfrentam barreiras para cuidar da própria saúde. Sob a perspectiva científica, o estudo preenche uma lacuna importante, já que ainda existem poucas pesquisas voltadas especificamente para a saúde bucal dessa categoria.
A pesquisadora Maria Vitória Santos, também integrante da pesquisa, ressalta que o trabalho nasceu do desejo de olhar para essa população invisibilizada e que a experiência em campo vai muito além da prática profissional. “Estar em contato com os caminhoneiros, ouvir suas histórias e compreender os desafios que enfrentam diariamente me fez perceber, ainda mais, a importância de levar o cuidado em saúde a populações que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos serviços de saúde”, afirma Maria Vitória.

(Foto: Acervo do projeto)
Sobre o projeto – A pesquisa foi desenvolvida junto ao projeto “Saúde na BR”, iniciativa que existe há mais de 12 anos da Uesb e atua de forma interdisciplinar na rodovia. Sob a coordenação dos professores Norma Lopes e Sérgio Yarid, a ação oferece atendimentos gratuitos que vão além da Odontologia, incluindo Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia e Práticas Integrativas.
Ana Lúcia reforça o papel transformador da universidade pública ao ultrapassar os muros acadêmicos. “O projeto nos permite sair dos espaços tradicionais da universidade e estar mais próximos de uma população essencial e, ao mesmo tempo, tão vulnerável. Essa vivência reforça a importância da universidade estar presente na sociedade, promovendo saúde, cuidado e escuta para quem muitas vezes não consegue acessar esses serviços em sua rotina”, conclui.
O estudo reafirma o compromisso da Uesb em produzir conhecimento científico que transforma realidades, incentivando novas políticas públicas para que os motoristas das estradas brasileiras recebam um cuidado cada vez mais humano, integral e acessível. O trabalho contou, ainda, com a participação de Fabiana Paula Aderne, rendeu a premiação de Menção Honrosa no 1º Congresso de Odontologia do Interior da Bahia, além de ter sido publicado na Revista Caderno Pedagógico.