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A Uesb passa a contar, pela primeira vez em sua trajetória institucional, com uma Política Geral de Pesquisa Científica e Tecnológica. Aprovada pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), em 24 de setembro, e instituída por meio da Resolução Consepe 56/2026, publicada nesta quinta-feira, 1º de outubro, a Política estabelece princípios, objetivos e diretrizes para orientar o desenvolvimento da pesquisa na Universidade.
A criação da Política representa um novo passo no processo de institucionalização da pesquisa na Uesb. Ao reunir, em um único marco normativo, diretrizes que alcançam o desenvolvimento dos projetos, o fomento, a infraestrutura, a formação de pesquisadores, a integridade científica, a produção intelectual e a relação com a inovação, a Universidade passa a dispor de uma orientação institucional abrangente para organizar, fortalecer e planejar a pesquisa à longo prazo.
A nova Política parte de uma concepção ampla de pesquisa, reconhecendo a produção de conhecimentos científicos, filosóficos, artísticos, culturais, técnicos e tecnológicos e estabelecendo sua relação indissociável com o ensino, a extensão e a inovação. O documento também vincula a atividade científica ao desenvolvimento humano, social, econômico, artístico, cultural e ambiental, considerando as escalas local, regional, nacional e internacional.
Para o reitor da Uesb, professor Robério Rodrigues, a aprovação da Política materializa uma escolha institucional de tratar a ciência como parte estruturante do projeto de Universidade. “A Uesb construiu, ao longo de sua história, uma pesquisa forte, reconhecida e profundamente vinculada aos territórios onde estamos presentes. O que ainda não tínhamos era uma política geral capaz de transformar esse acúmulo em diretrizes institucionais permanentes. Pela primeira vez, a Universidade passa a dizer, de forma sistematizada, como compreende a pesquisa, quais princípios devem orientá-la, que responsabilidades assume para fortalecê-la e, sobretudo, para que e para quem produzimos conhecimento. É um avanço que ultrapassa uma gestão, porque cria referências permanentes para o planejamento e o desenvolvimento da pesquisa”, destaca o reitor.

A medida concretiza, ainda, uma das metas previstas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2025-2029, que estabelece um Plano de Desenvolvimento da Pesquisa, Inovação e Tecnologia e prevê expressamente a regulamentação da Política de Pesquisa Científica e Tecnológica da Instituição. Entre os objetivos definidos para o período, estão ampliar o fomento, qualificar a infraestrutura laboratorial, fortalecer a iniciação científica e tecnológica, modernizar a gestão da inovação e intensificar a transferência de conhecimento e tecnologia para a sociedade.
A Política também dialoga diretamente com os compromissos assumidos no Plano de Gestão “Cuidar para Transformar”, especialmente com a defesa da ciência, o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, a ampliação do fomento institucional, a melhoria da infraestrutura científica e a utilização do planejamento e da avaliação como instrumentos para orientar as decisões da Universidade.
“Nosso Plano de Gestão parte da defesa da ciência e da compreensão de que uma universidade pública precisa planejar suas ações a partir de evidências e, ao mesmo tempo, criar condições para que o conhecimento produzido por sua comunidade contribua para transformar a realidade. Instituir a Política de Pesquisa significa dar continuidade a esse compromisso: fortalecer grupos e pesquisadores, ampliar oportunidades para nossos estudantes, cuidar da infraestrutura científica, buscar novas fontes de financiamento e aproximar cada vez mais a Universidade das necessidades dos territórios. Pesquisa não pode depender apenas de iniciativas isoladas; precisa ser uma política institucional”, afirma Robério.

Pesquisa que passa a aparecer nos dados da Universidade – Uma das mudanças trazidas pela nova Política terá impacto direto sobre a capacidade da Uesb de conhecer e dimensionar a pesquisa que efetivamente realiza. Mais de 2 mil projetos vinculados a dissertações e teses, desenvolvidos no âmbito dos Programas de Pós-Graduação, não eram cadastrados institucionalmente como projetos de pesquisa e, consequentemente, permaneciam invisibilizados nas bases e nos indicadores institucionais.
A nova regulamentação cria um fluxo simplificado para o cadastramento dessas pesquisas. Os projetos de dissertações e teses, previamente aprovados pelos Colegiados dos respectivos Programas de Pós-Graduação, poderão ser encaminhados em bloco, ficando dispensados de uma nova avaliação de mérito técnico-científico pelas áreas do conhecimento ou por pareceristas ad hoc no âmbito dos Departamentos. A medida reduz etapas desnecessárias, preserva as competências das instâncias acadêmicas e permite incorporar aos registros institucionais uma parcela expressiva da pesquisa já realizada na Universidade.
Para o reitor, a mudança demonstra como a organização normativa também pode contribuir para melhorar o planejamento institucional. “Estamos reduzindo burocracia e, ao mesmo tempo, produzindo informação qualificada para planejar, avaliar e reconhecer a dimensão real da pesquisa desenvolvida na Uesb. Não podemos planejar adequadamente aquilo que institucionalmente não conseguimos enxergar”, ressalta.

Pesquisa, formação e desenvolvimento regional – Entre os objetivos estabelecidos pela nova Política estão a promoção da equidade entre as diferentes áreas do conhecimento; o fortalecimento da iniciação científica e tecnológica e dos grupos de pesquisa; o estímulo às pesquisas relacionadas às demandas da sociedade; a ampliação da cooperação nacional e internacional; e a integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação. A norma também reconhece as especificidades epistemológicas, metodológicas, temporais e de produção e difusão do conhecimento das diferentes áreas.
A Resolução estabelece compromissos institucionais para criar condições ao desenvolvimento da pesquisa, envolvendo infraestrutura física, apoio institucional, fomento, participação e promoção de eventos, estabelecimento de parcerias e articulação com instituições de ciência, tecnologia e inovação, empresas e organizações da sociedade. Ao mesmo tempo, preserva a livre proposição temática dos projetos e estimula sua articulação com diferentes programas e oportunidades de financiamento.
Para o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, professor Márcio Pedreira, a Política permite organizar em bases permanentes uma atividade que já ocupa posição estratégica na Universidade. “A Uesb alcançou um nível de desenvolvimento científico que exige instrumentos institucionais compatíveis com essa realidade. A Política cria uma referência comum para pesquisadores, estudantes, grupos de pesquisa, programas de pós-graduação, Departamentos e órgãos de gestão. Ao mesmo tempo, reconhece a diversidade das áreas do conhecimento e estabelece condições para avançarmos no fomento, na infraestrutura, na iniciação científica e tecnológica, na cooperação, na integridade científica e na difusão dos resultados da pesquisa. Isso traz maior clareza, segurança institucional e capacidade de planejamento”, ressalta.
Segundo o pró-reitor, o novo fluxo para as pesquisas desenvolvidas na pós-graduação também permitirá corrigir uma lacuna histórica dos registros institucionais. “A simplificação do cadastramento dos projetos de dissertações e teses é um exemplo concreto do alcance da Política. Vamos incorporar aos registros institucionais mais de 2 mil pesquisas que já são desenvolvidas nos nossos Programas de Pós-Graduação, mas que não estavam contabilizadas como projetos de pesquisa da Universidade. Isso melhora a qualidade dos nossos dados, permite dimensionar com maior precisão a atividade científica da Uesb e amplia nossa capacidade de planejamento, avaliação e busca de financiamento.”

Outro marco da nova Política é o compromisso com a Ciência Aberta
Fomento e condições para fazer pesquisa – A Política prevê diferentes mecanismos de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico, observadas a disponibilidade orçamentária e financeira e a legislação aplicável. Entre eles estão bolsas de iniciação científica e tecnológica e de apoio à formação em graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado; apoio à qualificação de docentes, técnicos e analistas universitários; aquisição, modernização e manutenção de equipamentos e infraestrutura; apoio financeiro à execução de projetos; participação de pesquisadores em eventos; fortalecimento dos grupos de pesquisa; cooperação nacional e internacional; proteção da propriedade intelectual; além de ações destinadas à promoção da equidade, diversidade, inclusão e acessibilidade na pesquisa.
Outro aspecto incorporado ao novo marco é o compromisso com a Ciência Aberta e com a ampliação do acesso à produção resultante das pesquisas, respeitados os limites relacionados à ética, à proteção de dados pessoais, à propriedade intelectual e ao sigilo. A Política também estabelece princípios para a utilização de sistemas e ferramentas de inteligência artificial nas atividades de pesquisa, com atenção à autoria, à transparência, à confiabilidade dos resultados e à responsabilidade dos pesquisadores.
“Mais do que regulamentar procedimentos, a Política nos permite pensar a pesquisa de maneira integrada e estratégica. Temos agora uma base para aperfeiçoar normas específicas, fortalecer nossas estruturas de apoio, ampliar a captação de recursos, estimular redes de cooperação e criar melhores condições para que pesquisadores e estudantes desenvolvam seus trabalhos. O desafio seguinte é fazer com que essa Política se traduza, cada vez mais, em oportunidades concretas para a comunidade acadêmica e em conhecimento capaz de produzir impacto científico e social”, conclui o pró-reitor.