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Transformar o espaço escolar em uma ambiente mais plural, receptivo e aberto à diversidade cultural. Esse é o objetivo central do “Contando Africanidades: valorizando as matrizes culturais e étnicas brasileiras por meio da contação de histórias”, projeto de extensão da Uesb, campus de Itapetinga.
Criado em 2022, a ação nasceu da necessidade de enfrentar o racismo, o preconceito étnico-racial e a invisibilização das culturas negra e indígena nos espaços escolares e na própria Universidade, campo de formação de professores. “O nosso objetivo é promover sessões de contação de histórias protagonizadas por personagens negros e também indígenas, contribuindo para a desconstrução de preconceitos e estereótipos, o fortalecimento das identidades e a valorização das matrizes culturais e étnicas brasileiras, conforme a Lei nº 11.645/2008”, explica o pedagogo e analista universitário Yure Venceslau, coordenador do projeto.
Com foco na valorização das culturas tradicionais, da ancestralidade e da diversidade étnico-racial, o projeto atua junto a crianças e adolescentes da Educação Básica das redes pública e estadual, além de educadores, gestores e a própria comunidade acadêmica da Uesb. As ações estendem-se das escolas e da Universidade a espaços comunitários como quilombos, assentamentos e comunidades campesinas.
O trabalho é estruturado a partir das demandas específicas identificadas em cada localidade, permitindo abordar temas como identidade, autoestima, memórias e relações étnico-raciais de maneira personalizada. Por meio de uma metodologia prática e interativa, a ação alia contação de histórias, mediação de debates, oficinas didáticas, cirandas formativas e exposições artísticas. As sessões de contação são realizadas, em média, duas vezes por mês, com o aumento da frequência nos meses de abril, julho e novembro. Os eventos maiores acontecem três vezes ao ano: o Julho das Pretas, o Novembro Negro e o Seminário do Contando.

Impacto social e educacional – A contação de histórias afro-brasileiras e indígenas tem promovido transformações significativas na autoestima e no sentimento de pertencimento das crianças. “Após a atuação do projeto, várias meninas quiseram assumir o seu cabelo, passaram a afirmar sua cor, decidiram que queriam e poderiam ser as princesas das histórias. Os meninos começaram a se enxergar como heróis fortes e inteligentes, como crianças queridas afetivamente e igualmente respeitadas e admiradas no ambiente escolar”, relata Yure.
Uma transformação concreta é a desconstrução do preconceito étnico-racial na realidade de crianças e educadores. “São as centenas de crianças que passaram a se olhar no espelho e se sentirem belas e belos. Que passaram a reconhecer na sua história um passado também de glória, de força e de resistência. Crianças e adultos que aprenderam que não existe lápis cor de pele, que não existe cabelo feio, que não existe ninguém que não possa ser príncipe e princesa da própria história”, afirma o coordenador.
O projeto associa-se diretamente ao contexto da Educação do Campo, por meio da vinculação ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Movimentos Sociais, Diversidade e Educação do Campo e Cidade, e já desenvolveu atividades em escolas do campo de Itapetinga, Ipiaú, Jitaúna e outras localidades, além de comunidades quilombolas e assentamentos.

Atualmente, a ação conta com uma rede de 20 colaboradores, entre coordenador, bolsistas, voluntários, docentes da Instituição e docentes de outras instituições parceiras. Além de Yure, a coordenação é assumida pela professora Letícia Azevedo, do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem (DCHEL) da Uesb.
Ao todo, já foram realizadas cerca de 100 ações entre sessões de contação, eventos e formações, abrangendo diversos territórios da Bahia. “As histórias afro-brasileiras e indígenas podem contribuir para trabalhar identidade, ancestralidade, diversidade, respeito e combate ao preconceito desde a infância. É importante que essas ações não sejam restritas a datas comemorativas, mas uma abordagem contínua, articulada ao currículo, à formação dos educadores e ao diálogo com a comunidade. Dessa forma, valorizar as matrizes africanas e indígenas significa incorporá-las de maneira permanente às práticas educativas e reconhecer a diversidade como parte constitutiva da nossa história”, reforça Yure.

Como participar – As escolas têm livre acesso ao projeto para fazer convites e solicitar parceria com realização de sessões ou, até mesmo, para participar das ações na Universidade. Além disso, a equipe do projeto organiza agendamentos e convites junto à Secretaria Municipal de Educação de diversos municípios.
Os interessados podem entrar em contato pelos e-mails contandoafricanidadesita@gmail.com e yure.venceslau@uesb.edu.br ou, ainda, pelo Instagram.