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A pesquisa científica ganha força quando se transforma em oportunidade de aprendizado, troca de experiências e construção de soluções para a sociedade. Foi com essa proposta que a Uesb realizou, entre os dias 21 e 23 de outubro, a 30ª edição do Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica. Promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), o evento reuniu estudantes e pesquisadores dos três campi da Universidade para compartilhar resultados, apresentar trabalhos e discutir os caminhos da produção científica.
Com três décadas de realização, o Seminário reafirma a importância da Iniciação Científica na formação acadêmica e profissional dos estudantes de graduação. Para o pró-reitor da Proppi, professor Márcio Pedreira, a Universidade é um lugar de formação, inovação e desenvolvimento, bem como espaço para o processo reflexivo e crítico. “Quando a gente faz e fala sobre isso, nós temos que entender a pesquisa também como um processo político. Porque a gente participa dos processos de problemas da sociedade para serem resolvidos”, defende o pró-reitor. Segundo ele, essa vivência também fortalece a relação entre a graduação, a pós-graduação e as demandas dos territórios onde a Universidade atua.

O evento contou com apresentações de trabalhos em diferentes áreas do conhecimento
João Victor Oliveira é estudante de Engenharia Ambiental, no campus de Itapetinga. Para ele, participar de projetos de Iniciação Científica representa uma oportunidade de aprofundar conhecimentos e transformar a maneira de compreender a própria formação. “Depois que eu entrei na Iniciação Científica, minha visão dentro da Universidade mudou, assim como a forma com que eu vejo as disciplinas e a minha formação profissional”, relatou.
Atualmente João é bolsista do Programa e desenvolve uma pesquisa sobre dialogicidade no ensino, investigando ferramentas que estimulem a interação e a participação dos alunos em sala de aula. Para ele, a pesquisa também contribui para aprimorar as práticas de ensino e favorecer a construção do conhecimento.

lA x Ciência – Nesta edição, um dos destaques das atividades foi a discussão sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na produção científica. Nos campi de Vitória da Conquista e Itapetinga, o professor Leandro Lopes, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), ministrou a palestra “Ciências x IA: é possível conciliar sem perder ‘o humano’ no processo?”.
Segundo o docente, é importante questionar os limites no uso da tecnologia, buscando compreender a diferença entre “usar a IA como uma ferramenta de apoio para as suas atividades humanas e terceirizar as suas atividades humanas para a IA executar”. Entender essa diferença é fundamental para preservar o pensamento crítico, a autonomia e a responsabilidade de quem produz conhecimento.
Em Jequié, o professor Fleming Campos também debateu o assunto, com a palestra “Inteligência Artificial nas produções científicas: desafios, responsabilidades e aplicação”. O encontro ampliou a discussão sobre os cuidados necessários no uso da tecnologia na ciência, especialmente em relação à autoria, à responsabilidade sobre as informações produzidas e à aplicação ética das ferramentas digitais.
Uma das responsabilidades, de acordo com o docente, é seguir as diretrizes dos órgãos competentes, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). “De acordo com Portarias divulgadas pelo CNPQ, o uso dessas IAs, em qualquer fase de pesquisa, deve ser declarada, deixando claro de que forma ela foi utilizada, quais são as etapas e ferramentas que foram utilizadas e para quê”, explicita.

Atualmente, os próprios estudantes possuem experiências com as novas tecnologias. Alessandra Luz, estudante do quinto semestre de Agronomia da Uesb, utiliza a IA como recurso complementar no desenvolvimento de suas pesquisas. Segundo ela, a ferramenta ajuda a identificar aspectos que podem passar despercebidos, sugerir melhorias e tornar a apresentação dos resultados mais acessível. “Eu gosto de utilizar a IA para me auxiliar e me mostrar o que eu não vi”, contou.
A estudante ressalta, no entanto, que a tecnologia não substitui o trabalho realizado no laboratório nem a análise da pesquisadora. Por isso, confere as referências bibliográficas, verifica a atualidade das informações e revisa os textos sugeridos antes de incorporá-los ao trabalho. Para Alessandra, a IA contribui para aprimorar a pesquisa, desde que seu uso seja acompanhado de senso crítico e responsabilidade.
Além das palestras, o Seminário contou com comunicações orais de pesquisas científicas e tecnológicas desenvolvidas no âmbito do Programa Interno de Iniciação Científica da Uesb (PIC/Uesb), sob orientação de professores pesquisadores da Instituição.