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Você sabia que a Uesb conta, atualmente, com 28 bolsas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)? Desse total, três são da modalidade Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT), enquanto as outras 25 são de Produtividade em Pesquisa (PQ). A Universidade também conta com quatro bolsas próprias e duas concedidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
As bolsas de produtividade representam importantes mecanismos de reconhecimento da excelência científica e tecnológica, considerando a trajetória acadêmica, a relevância da produção intelectual, a formação de recursos humanos e as contribuições dos pesquisadores para o avanço do conhecimento e o desenvolvimento da sociedade.
No CNPq, a modalidade PQ é voltada ao reconhecimento de pesquisadores com destaque na produção científica. Já a DT contempla aqueles que se destacam no desenvolvimento tecnológico e na extensão inovadora. As modalidades possuem critérios específicos de avaliação e seleção, definidos conforme as características das diferentes áreas do conhecimento.
As iniciativas de apoio oferecidas pela Uesb e pela Fapesb também seguem regras próprias, estabelecidas em seus respectivos programas e editais. Além do reconhecimento individual, essas políticas contribuem para a continuidade das pesquisas, a consolidação dos grupos de pesquisa, a formação de estudantes e o fortalecimento dos programas de pós-graduação.
Esse conjunto de iniciativas dialoga com as diretrizes do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2025–2029), que destaca a importância da qualidade da formação, da redução das assimetrias regionais, da internacionalização, da inovação e da ampliação do impacto social da produção científica. Nesse contexto, o fortalecimento da pesquisa nas universidades públicas do interior assume papel estratégico na democratização da produção do conhecimento e no desenvolvimento regional.

Anderson Pereira no Seminário do Gepráxis (Foto: Arquivo pessoal)
Trajetórias de ponta – Um dos docentes contemplados nessa modalidade é Anderson Pereira, do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem (Dchel), campus de Itapetinga. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível C, o professor atua na área de Linguística Aplicada à Educação e Psicolinguística, no Comitê de Assessoramento de Letras e Linguística.
Suas pesquisas abordam temas como o analfabetismo de adultos, a educação de jovens e adultos, as relações entre oralidade e escrita e a literatura popular de cordel. Para o docente, a bolsa representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada à pesquisa e à educação, iniciada ainda na graduação. Ele define a conquista como “o coroamento de muitos anos de dedicação à pesquisa, desde a graduação, a continuidade desta trajetória para atender muitas das demandas locais da região sudoeste da Bahia”.
O professor também ressalta que o reconhecimento é uma oportunidade de ampliar a contribuição de suas pesquisas para a região e fortalecer a visibilidade da Universidade. Segundo ele, a internacionalização e a atuação em redes nacionais de pesquisa também integram as condições para o desenvolvimento do trabalho científico. Além de conquistar a bolsa, manter o reconhecimento ao longo do tempo também é um desafio. Anderson explica que a avaliação considera a quantidade e, principalmente, a qualidade da produção científica.

Cláudio Nunes (no centro, de camisa verde) em aula da Pós-Graduação em Educação (Foto: Arquivo pessoal)
Outro pesquisador contemplado é o professor Cláudio Nunes, vinculado ao Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH), campus de Vitória da Conquista. Atualmente no nível 1D da Bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq, o professor conta que precisou concorrer durante quatro anos até conseguir a primeira aprovação, em 2021. Na ocasião, recebeu a bolsa de nível 2 e, após três anos, submeteu uma nova candidatura e foi promovido ao nível 1D. “A Bolsa PQ representa uma grande conquista para qualquer docente e um reconhecimento tanto para o profissional quanto para a instituição”, comenta.
Segundo o pesquisador, a avaliação considera diferentes aspectos da trajetória acadêmica, como atuação na gestão universitária, orientações concluídas de mestrado e doutorado, produção científica, projetos de pesquisa e participação em redes e iniciativas nacionais e internacionais. Ele destaca que a inserção em projetos, associações e redes científicas, inclusive com funções de liderança, contribuiu para alcançar o reconhecimento.
Cláudio também explica que a bolsa auxilia no desenvolvimento de projetos e parcerias científicas, incluindo viagens nacionais e internacionais. Os resultados das pesquisas repercutem nas aulas da graduação e da pós-graduação, na orientação de estudantes e na produção de artigos e livros utilizados como referência por pesquisadores e instituições no Brasil e no exterior.
As trajetórias dos docentes demonstram a diversidade das contribuições científicas desenvolvidas na Uesb, tanto na produção de conhecimentos relacionados às demandas sociais e regionais quanto na inserção em redes de pesquisa nacionais e internacionais. Evidenciam, ainda, a importância da articulação entre pesquisa, ensino e formação de novos pesquisadores para a consolidação da Universidade como instituição produtora de conhecimento.

Investimento contínuo e fortalecimento da pesquisa – Para o professor Robério Rodrigues, reitor da Uesb, as bolsas de produtividade representam uma forma importante de reconhecimento da pesquisa desenvolvida na Universidade. O gestor ressalta, porém, que a qualidade da produção científica institucional não pode ser medida apenas pelo número de pesquisadores contemplados. “Nossa Universidade possui uma produção científica diversificada, que precisa ser igualmente valorizada. O objetivo é ampliar as condições para que mais pesquisadores alcancem reconhecimento e contribuam para o desenvolvimento científico e social”, afirma.
Essa perspectiva está alinhada ao Plano de Gestão “Cuidar para Transformar”, que orienta o fortalecimento das políticas institucionais de pesquisa, pós-graduação e inovação, com atenção à valorização dos pesquisadores, à ampliação das oportunidades de financiamento, à melhoria da infraestrutura científica e à integração entre as diferentes áreas do conhecimento.
Nesse sentido, o reconhecimento das trajetórias individuais deve estar associado à construção de condições institucionais que favoreçam o desenvolvimento de novos pesquisadores, a consolidação de grupos de pesquisa, a ampliação da participação de estudantes de graduação e pós-graduação e o fortalecimento de redes de cooperação científica.
O reitor também destaca iniciativas institucionais de apoio à pesquisa, como os programas AuxPPI e AuxPQ/Infra, além dos recursos provenientes de agências de fomento como Fapesb, CNPq, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Esses instrumentos integram um esforço mais amplo de fortalecimento da capacidade científica da Universidade, que envolve não apenas o financiamento de projetos, mas também a qualificação da infraestrutura de pesquisa, o apoio à formação de recursos humanos, a internacionalização, a inovação e a aproximação entre o conhecimento produzido e as necessidades da sociedade.
A valorização de todas as áreas do conhecimento, respeitando suas especificidades e diferentes formas de produção e difusão científica, constitui uma dimensão fundamental dessa política. Também é importante ampliar as oportunidades para pesquisadores em diferentes estágios da carreira, estimulando a renovação e a continuidade da atividade científica institucional.
Segundo Robério, ampliar as condições para o desenvolvimento da ciência é um compromisso da gestão. “Nosso compromisso é assegurar a continuidade e a ampliação dessas iniciativas, valorizando todas as áreas do conhecimento. Mais do que reconhecer trajetórias consolidadas, queremos criar condições para que um número cada vez maior de docentes e estudantes possa desenvolver pesquisa de qualidade, contribuindo para o fortalecimento da Uesb e para o desenvolvimento da sociedade”, finaliza.
Confira a lista atual de bolsistas de produtividade da Uesb