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No semiárido do Sudoeste da Bahia, tecida por histórias e sonhos de um sertão com mais oportunidades, surge a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em 1980. Estruturada nos municípios de Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista, a Instituição é fruto da política de interiorização da Educação Superior, do Governo do Estado da Bahia, alimentando o desejo de ampliar as possibilidades de formação e de dinamizar o cenário econômico regional.
Onde havia faculdades de formação de professores, se tornava, agora, um lugar para outros sonhos. “Ali, se fez um desenho de ter, no Sudoeste da Bahia, uma universidade que incorporasse as faculdades de formação de professores, mas que trouxesse novos cursos, áreas específicas que favorecessem o desenvolvimento dos serviços públicos nesses territórios e servissem também de dinamização econômica”, conta o professor Luiz Otávio de Magalhães, reitor da Uesb.
Marcada pela multicampia já em sua origem, a Uesb cresce cultivando o desejo de ser plural, de acolher os saberes dos seus territórios de identidade e se tornar berço de múltiplas transformações. A agropecuária, o cultivo de café, o surgimento das grandes empresas, o investimento na saúde, entre outras características foram moldando esse início, para que, mais tarde, outras aspirações fossem surgindo.
Nessa travessia de quatro décadas e meia, a Universidade se agigantou. O que eram poucos cursos de graduação, hoje somam 47 opções de licenciaturas e bacharelados. A pós-graduação chegou e cresceu. Atualmente, a Uesb conta com 25 cursos de Mestrado e 14 de Doutorado, além de oportunidades de pós-doutorado, promovendo qualificação profissional de excelência e pesquisas de alto impacto em diversas áreas do conhecimento.
“Isso dá uma dinamização para a Universidade e para a região que é incalculável. A Uesb tem criado quadros para o aprimoramento da região em vários sentidos, tanto da formação de gestores públicos como para desenvolvimento de pesquisas vinculadas ao desenvolvimento regional, desenvolvimento de políticas culturais etc.”, analisa o reitor.
Todo esse leque de possibilidades é desenvolvido por uma rede de servidores comprometidos e qualificados. Atualmente, cerca de 70% dos professores possuem doutorado e mais de 60% dos técnicos possuem pós-graduação. Além disso, a Instituição conta com mais de 270 laboratórios e centenas de ações de extensão que dialogam diretamente com a comunidade.

Diante desse cenário, o resultado não seria diferente: a Uesb é uma das melhores Instituições de Ensino Superior do Brasil. Fato que atesta, anualmente, o Ministério da Educação (MEC), com a divulgação do Índice Geral de Cursos (IGC) e as avaliações de cursos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). “Essas avaliações referendam o trabalho da Instituição e o fortalecimento da Educação Superior no interior da Bahia”, afirma o professor Reginaldo Pereira, pró-reitor de Graduação da Uesb.
Entre cidades, histórias, origens, perfis, culturas diferentes, a Universidade também é o cenário para a diversidade de pessoas. Com uma crescente política de democratização do acesso, a inclusão é marca registrada. Hoje, mais da metade dos estudantes são oriundos de escolas públicas, fruto, especialmente, da Política de Ações Afirmativas, instituída em 2009, que possibilita, ainda, o acesso de estudantes indígenas, quilombolas, com deficiência e trans.
“É necessário que a gente tenha uma sociedade que reconheça a diversidade da experiência humana, da formação das pessoas, porque a humanidade é diversa. Não podemos nos permitir estarmos em uma instituição pública, trabalhando com recursos públicos e reproduzindo preconceitos e exclusões”, defende o reitor.

A formação que transforma vidas – Na joia do sertão baiano, a Uesb conta com seu campus central, onde está reunido a maior quantidade de cursos. Ao todo, são 22 opções de formação em nível de graduação, além de 15 Programas de Pós-Graduação stricto sensu, com oferta de cursos de Mestrado e Doutorado, em diferentes áreas.
Com uma ampla estrutura de laboratórios, o campus desenvolve pesquisas de ponta, em áreas como Educação, Linguagens, Ciências Humanas, Agrárias, Biológicas, Exatas, entre outras. Além disso, o diálogo com a comunidade é intensificado diariamente, por meio de ações de extensão nos mais diferentes campos do conhecimento e da cultura.
Além do campus principal, a Universidade está presente em espaços externos, com oferta de serviços jurídicos e psicológicos especializados, por exemplo. Atividades educacionais e a difusão da memória também integram o escopo da Uesb, por meio de seus Museus. Toda essa estrutura é conduzida por mais de 1500 servidores efetivos e qualificados, entre docentes e técnicos, além de funcionários terceirizados e estagiários.
Nesse universo de realizações, sempre pautadas pela educação e pelo empoderamento coletivo, milhares de alunos estão matriculados, vindos de diversas cidades brasileiras com o sonho de transformar vidas e fazer a diferença na sociedade. Entre os jovens sonhadores que percorreram esse caminho, está Breno Assis, egresso do curso de Direito.

Ainda adolescente, Breno desejava construir uma carreira onde a justiça e a defesa dos mais vulneráveis estivessem presentes. No curso de Direito, trilhou caminhos que o fizeram sonhar com a carreira de defensor público. “A possibilidade de dar um pouco de si e receber um monte de tanta gente faz com que o trabalho atravesse um pouco a nossa vida e sejamos pessoas mais conscientes da realidade social em que estamos inseridos”, afirma.
Breno concluiu a graduação em 2022, atuou como advogado e assessor jurídico e, três anos depois, realizou um dos seus grandes sonhos: tomou posse como defensor público. “Para além da formação técnica, a Uesb proporcionou-me alcançar uma reflexão crítica e questionadora em relação aos problemas sociais”, defende.
Aos 26 anos, o defensor atua no estado de Goiás, desenvolvendo um trabalho direto com povos originários e tradicionais da região, no Núcleo Especializado de Direitos Humanos. “A experiência como defensor público, nesse contexto, é permeada por desafios e realizações. A inquietação é um combustível necessário para que não nos resignemos com as injustiças e desigualdade”, conclui.

A pesquisa aplicada a serviço da região – Conhecida como a capital da pecuária, Itapetinga abriga o campus Juvino Oliveira. Assim como a cidade, que carrega em seu distintivo os ideais de trabalhar, progredir e avançar, a Universidade compartilha dessa missão. Desde a década de 1980, a Uesb contribui para o desenvolvimento do Território de Identidade do Médio Sudoeste, do qual Itapetinga faz parte.
No campus de Itapetinga, são ofertadas nove graduações, distribuídas nas áreas de Agrárias, Exatas e da Terra, Engenharias, Humanas e Saúde. Também são oferecidos programas de pós-graduação em Zootecnia, Ciências Ambientais e Engenharia e Ciência de Alimentos.
Referência em pesquisas de ponta, que impactam o dia a dia da população em diferentes frentes, o campus conta com diversos laboratórios e equipamentos. Essa estrutura ajuda a fazer ciência e a desenvolver a formação de novos cientistas. Entre essas estruturas, estão o Centro de Desenvolvimento e Difusão de Novas Tecnologias, o Centro de Estudos Bioclimáticos, o Laboratório de Nutrição Animal, o Centro de Pesquisas em Química, o Laboratório de Qualidade do Leite, entre outros.
Em 2017, a Estação Zootécnica de Itajú do Colônia chega à Uesb e amplia as possibilidades de pesquisa, fortalecendo projetos aplicados à realidade regional. Um exemplo é o Laboratório Experimental de Avicultura (Labeav), coordenado pelo professor Ronaldo Vasconcelos.

Há mais de 20 anos, o Labeav atua na conservação e melhoramento de raças de aves regionais, como a galinha peloco e o peru preto caipira. Esse trabalho fortalece a agricultura familiar e gera renda para a população, com a comercialização de ovos, frangos e reprodutores. “Percebi que temos um material valioso, desconhecido e desvalorizado. Começamos a identificar e caracterizar essas raças, entendendo seu potencial produtivo”, explica Ronaldo.
Outro destaque é o projeto “Guardiões das Aves”, em que produtores rurais recebem material genético e o repassam para suas comunidades, gerando autonomia e ampliando o alcance do projeto. “Os guardiões das aves têm o compromisso de serem repassadores dessa genética”, observa o pesquisador.
As aves do Labeav já foram repassadas para 11 estados brasileiros, ampliando o alcance do projeto para muito além do Sudoeste da Bahia. Além de contribuir para o desenvolvimento sustentável da região, o Laboratório cumpre um papel fundamental na formação de novos profissionais, com a participação ativa de estudantes de Zootecnia e Ciências Biológicas em projetos de pesquisa, estágios e iniciação científica.

Universidade e comunidade em ação – Em Jequié, conhecida como a Cidade Sol, a Uesb oferece, atualmente, 16 cursos de graduação em áreas como Saúde, Ciências Sociais, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas e Artes, além de seis programas de pós-graduação stricto sensu, abrangendo diversas linhas de pesquisa. A Instituição proporciona aos estudantes oportunidades de formação sólida, pesquisa aplicada e participação em projetos junto à comunidade, consolidando-se como uma grande referência regional.
Além de preparar profissionais em diferentes áreas, o campus se destaca pela forte atuação em extensão, construindo pontes entre a Universidade e a comunidade por meio de iniciativas que valorizam o cuidado, a solidariedade, a educação e a cidadania. Um exemplo desse compromisso é o Grupo de Ajuda Mútua (GAM), criado em 2008, pela professora Edite Lago, do Departamento de Saúde 2. O projeto nasceu com a missão de apoiar familiares e cuidadores de pessoas com Doença de Alzheimer, oferecendo conhecimento, acolhimento e a construção de redes de suporte social.
Ao longo de quase 18 anos, o GAM se consolidou como um espaço de partilha e aprendizado, onde cuidadoras encontram apoio emocional, fortalecem o autocuidado e compreendem que o ato de cuidar precisa ser compartilhado. As transformações vividas pelos participantes mostram o impacto dessa experiência, evidenciando como a extensão pode transformar vidas e manter sonhos possíveis, mesmo diante das dificuldades.

Além de Jequié, o grupo atende municípios vizinhos, como Jitaúna, Ipiaú, Dário Meira e Aiquara, promovendo encontros, oficinas e simpósios que capacitam cuidadores e profissionais da saúde. “Todo encontro do GAM deixa marcas. São relatos diários de gratidão de cuidadoras que, ao compreender a doença e como lidar com o cuidado, não desistiram da própria vida, de reservar um tempo para o autocuidado e compreender que o cuidado se tece em rede e não deve ser uma tarefa individual e adoecedora, reservada especialmente às mulheres”, destaca a professora Luana Machada, atual coordenadora do projeto.
Mais do que números, essas e outras ações mostram a capacidade da Uesb de gerar pertencimento, dignidade e esperança para milhares de pessoas, fortalecendo o tecido social da região. Ao longo de seus 45 anos, a história escrita pela Uesb é marcada pela sua contínua contribuição na formação de excelentes profissionais, na produção de conhecimento e, principalmente, na transformação de vidas, evidenciando o seu compromisso da universidade pública com a coletividade.
Confira essa e outras reportagens especiais na Revista Uesb – 45 anos