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Quando a linguagem é afetada por dificuldades no desenvolvimento ou condições neurológicas, o acesso a um acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença na vida de crianças, jovens e adultos. Na Uesb, o Laboratório de Pesquisa e Estudos em Neurolinguística (Lapen) une ciência, formação acadêmica e atendimento à comunidade para compreender e intervir nesses processos.
Instalado no campus de Vitória da Conquista, em 2007, o Lapen surgiu como um espaço de planejamento e acompanhamento das atividades do Grupo de Pesquisa e Estudo em Neurolinguística (Gpen), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin). Desde então, o Laboratório propicia a produção e a aplicação de conhecimento na área da Neurolinguística, resolvendo problemas concretos dentro da realidade regional e nacional.
Os estudos desenvolvidos no Lapen levaram à criação, em 2009, do Centro de Convivência e Intervenção em Neurolinguística (Cecin), que se subdivide em dois núcleos: o Espaço de Convivência entre Afásicos e Não Afásicos (Ecoa), criado em 2009; e o Espaço de Convivência e de Intervenção em Sujeitos com T21 e com TEA (ECI), fundado em 2011.
Unindo os pilares de pesquisa e extensão, o Ecoa e o ECI oferecem avaliação e acompanhamento contínuo a crianças, adolescentes e adultos que apresentam dificuldades no processo de aquisição da linguagem oral e escrita.
A coordenadora do Laboratório e idealizadora do Ecoa, professora Nirvana Ferraz, define os dois núcleos como espaços de pesquisa-ação, que oferecem possibilidades de reabilitação e, consequentemente, de inclusão. “São iniciativas que privilegiam a construção conjunta de sentidos e dão conta das múltiplas facetas da linguagem: a biológica, a interativa, a subjetiva e a social”, aponta.

Com atividades de intervenção, o Lapen contribui para o desenvolvimento da autonomia das crianças assistidas (Foto: Acervo Lapen)
Impacto na comunidade – Entre os públicos atendidos pelo Ecoa estão crianças, adolescentes e adultos que sofreram episódios neurológicos, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Cranioencefálico (TCE) e tumor no cérebro; ou que possuam condições neurodegenerativas que decorram em comprometimento da linguagem (demências). Além disso, o núcleo trabalha com crianças que receberam diagnóstico de transtornos como Dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que podem acarretar em prejuízos à linguagem e dificultar a permanência na escola.
Já o ECI realiza o acompanhamento e intervenção de crianças com condições genéticas que também comprometem o processo de aquisição da linguagem, tais como Síndrome de Down ou Trissomia do Cromossomo 21 (T21); e Transtorno de Espectro Autista (TEA).
Por meio de atendimentos individuais e em grupo, o Lapen ajuda no desenvolvimento da comunicação das pessoas atendidas, contribuindo para uma maior autonomia e melhor participação social. Além disso, familiares e cuidadores recebem orientações, fortalecendo o apoio no dia a dia e ampliando as oportunidades de interação. “Nesse sentido, o Laboratório une produção de conhecimento, formação de profissionais, atendimento especializado e apoio às famílias, gerando impacto direto na qualidade de vida das pessoas assistidas”, resume Nirvana.

Pesquisas, seminários e ações de extensão fortalecem a formação de profissionais e ampliam o debate sobre linguagem, inclusão e qualidade de vida. (Foto: Acervo Lapen)
Formação de pesquisadores – A formação de pesquisadores e profissionais qualificados é, também, uma das missões do Lapen. O espaço agrega pesquisas de alunos do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) e de estudantes de graduação integrantes do Programa de Iniciação Científica da Uesb. Os bolsistas de Iniciação Científica são, em sua maioria, graduandos em Letras Vernáculas, Letras Modernas, Pedagogia e Psicologia.
No Laboratório, os pesquisadores são estimulados a desenvolver autonomia e comprometimento com a prática profissional, domínio crítico do conhecimento científico e atitudes de investigação amparadas no conhecimento teórico, articulado aos procedimentos das ciências da linguagem que direcionam a disciplina da Neurolinguística.
“A finalidade é resolver problemas dentro da área de saber de forma ética, criando também a consciência do papel de agente inovador na visualização de resultados das pesquisas como bens sociais e públicos”, defende Nirvana Ferraz.
Como parte das atividades atreladas ao Lapen, os pesquisadores ministram palestras, cursos, oficinas e minicursos em eventos científicos e voltados para a comunidade em geral, a exemplo da Semana da Pessoa Idosa. Com nove edições realizadas, o evento busca gerar e difundir conhecimento sobre envelhecimento, ancorando-se em estudos desenvolvidos no Laboratório.

Estudos na área do envelhecimento são aplicados no atendimento de pessoas idosas (Foto: Acervo Lapen)
Outro destaque é a realização e participação em seminários sobre Síndrome de Down, com o objetivo de promover o protagonismo, autonomia e inclusão plena de pessoas com a condição, focando na vida adulta, direitos, mercado de trabalho e moradia independente. Além disso, os eventos são oportunidades para os pesquisadores apresentarem os resultados significativos de pesquisas conduzidas no Laboratório.
“As pesquisas mostram resultados positivos, especialmente na intervenção precoce com bebês com Síndrome de Down, que podem alcançar níveis de desenvolvimento semelhantes aos de outras crianças”, ressalta a coordenadora do Laboratório.
Parte das atividades desenvolvidas pelo Lapen podem ser acompanhadas nos perfis no Instagram do Ecoa e do Grupo de Pesquisa Fala Down, vinculado ao ECI.
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