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Caneludo do Catolé
As pesquisas genéticas desenvolvidas pelo Laboratório Experimental de Avicultura (Labeave) da Uesb, campus de Itapetinga, alcançaram um importante reconhecimento. A Lei Municipal nº 1.736, de 12 de junho de 2026, passou a reconhecer, como patrimônio genético, histórico, cultural e agropecuário de Itapetinga, as raças Caneludo do Catolé, Carne Negra, Peru Preto Caipira e Pato Catolé. As aves são estudadas e preservadas pelo laboratório, sob a coordenação do professor Ronaldo Vasconcelos, há mais de duas décadas.
Segundo o vereador Jean Doriel, autor da proposta, a legislação representa o reconhecimento da tradição avícola do município e do trabalho desenvolvido pela Universidade na preservação e no melhoramento genético dessas aves. O projeto foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal e a lei sancionada pela Prefeitura. “Valorizar esse trabalho da Uesb é, acima de tudo, garantir que a nossa história continue sendo escrita com qualidade, tecnologia e, principalmente, com o respeito que os nossos produtores merecem”, destacou o vereador.

Pato Catolé
De acordo com Jean, a valorização dessas raças contribui para o desenvolvimento econômico e social do município. Adaptadas ao sistema de criação caipira, elas demandam menor investimento em insumos e representam uma alternativa para pequenos criadores, fortalecendo a agricultura familiar e a economia local. “É o conhecimento prático mantendo viva uma tradição que é, ao mesmo tempo, economicamente inteligente e socialmente justa para a nossa cidade”, salientou.
O vereador também destacou que a nova legislação fortalece a proteção e a valorização do patrimônio genético desenvolvido a partir das pesquisas conduzidas pela Uesb. Para ele, a iniciativa “representa um marco na convergência entre o conhecimento acadêmico e o desenvolvimento social de Itapetinga”.

O Peru Preto Caipira faz parte das aves estudadas há mais de 20 anos no Labeave
Para Ronaldo, o reconhecimento poderá ampliar as possibilidades de inserção das raças estudadas pela Uesb em editais do Governo da Bahia voltados à agricultura familiar e ao incentivo à produção, fortalecendo a produção de ovos e a geração de renda. “O Estado da Bahia lançou vários editais para pequenos produtores voltados à produção de ovos. A Bahia tem urgência em alcançar maior independência nesse setor. Como temos raças nativas aqui, elas também podem fazer parte desse processo de forma regular”, afirma.
O professor também ressalta o potencial genético de outros animais da região, como caprinos, ovinos e equinos. Além disso, chama atenção para os registros de uma raça bovina conhecida como Junqueira, que desapareceu da região e possui relevante valor genético. Atualmente, o Laboratório busca levantar informações históricas que possam contribuir para o resgate e a preservação desse material genético.

Encontro dos “Guardiões das Aves” em Itapetinga
Mais de duas décadas de pesquisa genética – O material genético pesquisado no Labeave é resultado de mais de 20 anos de trabalho voltado à preservação de aves adaptadas às condições locais. Parte desse material foi obtida em propriedades rurais da microrregião de Itapetinga, o que torna a região uma importante referência para a conservação dessas linhagens. “Nós temos, aqui no campus de Itapetinga, o maior centro de conservação de raças nativas de galinhas do Norte e Nordeste”, destacou o professor.
Segundo ele, as aves já conquistaram o reconhecimento de criadores em diversas regiões do país e estão presentes em 22 estados brasileiros. O Labeave também coordena o projeto “Guardiões das Aves”. A iniciativa busca fortalecer a criação de galinhas nativas e ampliar a distribuição do material genético desenvolvido pela Universidade. O projeto oferece capacitação para criadores, com orientações sobre manejo dos plantéis e comercialização da produção.
Para conhecer mais sobre as aves e seu potencial produtivo, acesse gratuitamente o e-book “Manual de Raças”, que reúne informações sobre as características morfológicas e o desempenho produtivo das espécies. Para mais informações, entre em contato com o Labeave pelo telefone (77) 3261-8694.