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Até o dia 26 de setembro, a professora, pesquisadora e artista da dança Vânia Oliveira representa a Uesb em uma missão artístico-acadêmica na cidade de Maputo, em Moçambique. A viagem integra o projeto “Deixa a gira girar!”, idealizado e articulado por ela com o propósito de colocar a produção de conhecimento da Universidade em diálogo direto com instituições, artistas, estudantes e comunidades moçambicanas. As atividades ocorrem por meio de uma parceria da Uesb com a Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA/UEM), o Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) e outras instituições culturais locais.
O projeto nasceu da trajetória de Vânia como artista de dança, professora e pesquisadora das Dança(s) de Blocos Afro. O nome “Deixa a Gira Girar!” foi idealizado por ela a partir da necessidade de transmitir a ancestralidade e de criar espaços onde novos conhecimentos pudessem ser construídos coletivamente. “Não se tratava apenas de apresentar nossas danças e musicalidades, mas de construir uma gira de trocas, escutas, aprendizados e reconhecimento entre povos negros cujas histórias são atravessadas pelo Atlântico”, explica a professora.

A missão internacional é fruto de parceria da Uesb com instituições de ensino de Moçambique
No ISArC, foram realizadas atividades voltadas às Dança(s) de Blocos Afro e às musicalidades afro-baianas, em diálogo com estudantes, docentes e artistas moçambicanos. A passagem pelo Instituto possibilitou a realização das atividades artísticas e pedagógicas, bem como o fortalecimento da parceria entre a Instituição com a Uesb. “A comunidade do ISArC demonstrou grande interesse pela continuidade das trocas, pela pesquisa que desenvolvo e pelas possibilidades de novas ações envolvendo as duas instituições”, conta Vânia.
Já na ECA/UEM, foram desenvolvidas oficinas de dança e música, conferências e atividades que abordaram temas como ancestralidade, tecnologias de movimento, sambas da Bahia, música afro-baiana e a potência do corpo negro feminino. O intercâmbio também alcançou outros públicos para além das atividades presenciais do projeto, por meio da participação nos programas “Primeira Página”, da TV Moçambique, e “Manhãs Alegres”, da STV.

Apresentação do projeto em programas de TV moçambicanos
De acordo com Vânia, a missão artístico-acadêmica tem proporcionado trocas culturais profundas, revelando tanto as conexões quanto as particularidades de cada povo. “Desde os primeiros encontros, compreendi que não estávamos chegando apenas para ensinar ou apresentar algo. Chegamos também para ouvir, aprender e reconhecer gestualidades, sonoridades, histórias e modos de existir que dialogam com aquilo que construímos na Bahia”, destaca a pesquisadora, que completa: “O intercâmbio não buscou afirmar que Bahia e Moçambique são iguais, mas perceber como nossas histórias se aproximam, se cruzam e, ao mesmo tempo, preservam suas singularidades”.
Uesb no mundo – A iniciativa integra o Plano de Internacionalização da Uesb ao conectar instituições comprometidas com o ensino, a pesquisa e a criação artística. O projeto viabiliza a troca de metodologias, repertórios e saberes, pavimentando o caminho para futuras parcerias entre docentes, estudantes, grupos de pesquisa e ações de extensão.
Com isso, a Universidade fortalece sua presença internacional e reafirma o papel estratégico da cooperação na construção do conhecimento. “Como professora efetiva da licenciatura em Dança da Uesb, minha atuação durante o intercâmbio também contribuiu para tornar essa relação mais próxima e concreta, por meio do encontro com docentes, estudantes, artistas e dirigentes da instituição”, destaca Vânia.
De acordo com a pesquisadora, essa vivência amplia as referências dos alunos sobre a África e a diáspora a partir de perspectivas negras contemporâneas. Além disso, demonstra como os saberes gestados na Bahia, seja nas universidades, nos blocos afro, nos terreiros ou nas comunidades, possuem alcance global, contribuindo para redes acadêmicas mais inclusivas e voltadas à cooperação entre os países do Sul Global.