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A Uesb alcançou um resultado expressivo no mais recente ciclo de Bolsas de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Considerando o resultado final da Chamada CNPq nº 23/2025 e as concessões viabilizadas posteriormente pelo acordo de cooperação entre as duas instituições, no total, 19 pesquisadores vinculados à Universidade foram contemplados com bolsas de Produtividade e de Desenvolvimento Tecnológico.
Desses, 13 pesquisadores foram aprovados diretamente na Chamada e outros cinco contemplados por acordo de cooperação firmado entre a Universidade e o CNPq. O resultado alcança diferentes campos do conhecimento, com pesquisadores das áreas de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Bioquímica, Educação, Física, Linguística, Química, Zootecnia e Tecnologias Agrárias, evidenciando a diversidade da produção científica desenvolvida na Instituição.
As cinco bolsas adicionais têm uma característica importante, pois alcançam pesquisadores cujas propostas já haviam sido avaliadas pelos Comitês de Assessoramento do CNPq e reconhecidas pelo mérito científico, mas que não puderam ser financiadas originalmente em razão da disponibilidade orçamentária da chamada. Dessa forma, o mecanismo de cooperação permite que a Universidade utilize recursos próprios para ampliar o número de pesquisadores contemplados, preservando a avaliação e os critérios científicos adotados pelo Conselho.

Para financiar essas cinco bolsas, a Uesb destinou R$ 367,5 mil, com previsão de vigência entre setembro de 2026 e julho de 2029. As concessões serão equivalentes às bolsas PQ de nível C e contarão também com auxílio à pesquisa, ampliando as condições para o desenvolvimento dos projetos e a formação de estudantes.
O resultado ganha dimensão ainda maior quando observado para além dos números. As bolsas de Produtividade estão entre os principais instrumentos de reconhecimento da atividade científica brasileira. Sua concessão considera a trajetória acadêmica, a produção científica e tecnológica, a formação de recursos humanos e a capacidade do pesquisador de contribuir para o avanço de sua área. Por isso, ampliar a presença da Uesb nesse sistema significa também aumentar sua inserção nas redes nacionais de pesquisa e fortalecer grupos que produzem conhecimento a partir do interior da Bahia.
Para o reitor da Uesb, professor Robério Rodrigues, as bolsas de Produtividade estão entre os principais instrumentos de reconhecimento da atividade científica brasileira e esse avanço traduz um processo construído ao longo do tempo e que precisa continuar recebendo atenção institucional. “O número de bolsas é importante porque expressa o reconhecimento da qualidade dos nossos pesquisadores, mas o significado desse resultado é ainda maior. Cada pesquisador contemplado reúne estudantes, orientações, projetos, laboratórios e redes de colaboração. Quando ampliamos a presença da Uesb no sistema de Produtividade do CNPq, estamos fortalecendo toda uma estrutura de produção do conhecimento que foi construída no interior da Bahia e que hoje dialoga, em condições cada vez mais qualificadas, com a ciência produzida no país”, avalia.

Estratégia institucional – A participação da Uesb no acordo de cooperação com o CNPq complementa o desempenho alcançado diretamente por seus pesquisadores. A iniciativa surgiu da interlocução institucional com a direção do Conselho e da decisão da Universidade de utilizar uma oportunidade existente no sistema nacional de fomento para apoiar propostas que haviam demonstrado mérito científico.
O acordo tem justamente entre seus objetivos reduzir a distância entre o número de propostas qualificadas e a quantidade de bolsas que podem ser financiadas diretamente pelo orçamento federal, além de valorizar pesquisadores, fortalecer grupos de pesquisa e ampliar a capilaridade das políticas científicas no país.
Nesse sentido, as cinco bolsas não constituem uma ação isolada. Elas integram uma política que combina o desempenho individual dos pesquisadores nos editais nacionais com uma atuação institucional voltada à identificação de oportunidades, à captação de recursos e, quando necessário, à utilização de recursos próprios para fortalecer a pesquisa.
Essa orientação também está expressa no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2025-2029. Entre as metas estabelecidas pela Universidade, está a ampliação do número de docentes bolsistas de Produtividade do CNPq para pelo menos 50 pesquisadores até o final da vigência do Plano, além da expansão dos recursos destinados à pesquisa e do aumento da participação da Instituição em chamadas de agências nacionais e internacionais de fomento.
Segundo o reitor, a Universidade pretende assumir uma postura cada vez mais ativa nessa relação. “Não podemos tratar o apoio à pesquisa apenas como a espera pelos resultados dos grandes editais. A Universidade precisa acompanhar seus pesquisadores, dialogar com as agências e transformar as oportunidades que surgem em ações concretas. Foi isso que fizemos com o CNPq. Esse é o papel de uma gestão que compreende a pesquisa como uma política institucional”, pontua.

O professor Marciel Rodrigues é um dos pesquisadores contemplados
Ciência produzida no interior – O crescimento da presença da Uesb nas bolsas de Produtividade também se relaciona a um desafio histórico do sistema brasileiro de ciência e tecnologia: reduzir as assimetrias entre regiões e ampliar a capacidade de produção científica fora dos grandes centros.
A própria política institucional da Universidade reconhece a interiorização da ciência como parte de sua missão. Nos últimos anos, a Instituição ampliou programas próprios de apoio, como AuxPPI, AuxPPG e AuxPQInfra, fortaleceu a infraestrutura de laboratórios e aumentou a captação junto a agências de fomento. O Plano de Gestão associa esse conjunto de investimentos à formação de pesquisadores e à produção de conhecimento comprometido com o desenvolvimento científico, social e tecnológico do interior da Bahia.
Os 19 pesquisadores contemplados neste ciclo são, portanto, parte de um movimento mais amplo. O resultado reconhece trajetórias individuais de excelência, mas também evidencia o amadurecimento de grupos, programas de pós-graduação e estruturas de pesquisa construídos ao longo dos anos nos três campi da Universidade. Para o professor Benedito Eugênio, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino, “essa bolsa é mais relevante porque reconhece a carreira e o comprometimento do docente com a realização de pesquisa e a formação de pessoas na pós-graduação”.
O professor Marciel Rodrigues, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, também é um dos contemplados, pela primeira vez, nessa Chamada. Segundo ele, “a bolsa gera um estímulo a mais para continuarmos na pesquisa, além de aumentar o compromisso com a criação de mais projetos, mais orientações e pesquisas cada vez mais com qualidade”, explica.
Ao ampliar sua presença no sistema de bolsas de Produtividade do CNPq e, ao mesmo tempo, investir recursos próprios para que propostas reconhecidas pelo mérito científico possam ser desenvolvidas, a Uesb reafirma uma escolha institucional: fortalecer quem produz ciência e criar condições para que o conhecimento de excelência continue sendo produzido também a partir do interior.