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O Laboratório Experimental de Avicultura (Labeave) da Uesb, campus de Itapetinga, realizou a doação de mais de 800 ovos de quatro genéticas de aves nativas para a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (FMVZ/Unesp). O material será utilizado em uma pesquisa de doutorado que busca desenvolver um modelo de produção de ovos para comunidades indígenas, com foco na autonomia produtiva e no aproveitamento de recursos disponíveis nos próprios territórios.
Foram doados ovos das genéticas Caneludo do Catolé, Peloco, Meia Perna e Carne Negra. Parte do material será utilizada na etapa experimental da pesquisa, desenvolvida pela doutoranda Daniela Sartori, no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Unesp, em Botucatu (SP). Outra parte será destinada à formação de núcleos de conservação dessas genéticas no estado de São Paulo.
De acordo com Daniela, a parceria com a Uesb é estratégica porque reúne a pesquisa sobre produção de ovos à conservação e ao uso sustentável da diversidade genética avícola. “Essa parceria demonstra, ainda, a importância da cooperação entre universidades públicas. A Uesb contribui com sua experiência na conservação e no estudo dessas genéticas, enquanto a Unesp oferece a estrutura experimental e o conhecimento em áreas como produção, nutrição, comportamento e bem-estar animal”, defende a pesquisadora.

Para o professor Ronaldo Vasconcelos, coordenador do Labeave, a utilização das aves em uma pesquisa desenvolvida em outro estado também evidencia o potencial das genéticas estudadas na Uesb. “Isso consolida que as nossas aves têm potencial de produção, podem ser criadas por todo o país. É o reconhecimento da sua qualidade para a produção em sistemas alternativos”, destaca.
Impacto nacional – A pesquisa de Daniela tem como território inicial a Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, onde aproximadamente 30 mulheres indígenas guajajara participarão diretamente da iniciativa. A proposta é construir, de forma participativa, um sistema de produção adequado às condições locais, articulando conhecimentos científicos e tradicionais e considerando os recursos disponíveis no território.
Um dos principais desafios identificados pela pesquisa é reduzir a dependência de insumos externos, especialmente da aquisição de ração e de aves comerciais. Por isso, além de estudar as características das genéticas nativas, o projeto também avaliará estratégias de alimentação baseadas em recursos que possam ser produzidos localmente, como mandioca, feijão-guandu, batata-doce e moringa. As aves serão avaliadas em sistemas de criação ao ar livre, considerando aspectos produtivos, comportamentais e de bem-estar.

Na comunidade indígena, inicialmente, a produção de ovos contribuirá para a segurança e a soberania alimentar das famílias, ampliando o acesso a uma fonte de proteína animal. Os excedentes também poderão ser destinados à geração de renda e, futuramente, à comercialização em mercados locais e institucionais.
Além das cerca de 30 mulheres diretamente envolvidas, a expectativa é que o benefício alcance suas famílias e comunidades, por meio da produção de alimentos e da multiplicação dos conhecimentos adquiridos. A adaptação e replicação do modelo em outras comunidades indígenas e tradicionais também fazem parte da missão do projeto. “A doação representa diversidade genética, conhecimento compartilhado e a possibilidade de contribuir para a construção de sistemas avícolas mais autônomos, resilientes e conectados aos territórios onde serão desenvolvidos”, conclui Daniela.