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A Uesb deu mais um passo na organização de seus processos de gestão com a instituição de uma sistemática permanente de planejamento, monitoramento e avaliação das ações acadêmicas e administrativas. Estabelecida pela Portaria 647/2026, a iniciativa busca consolidar uma cultura de gestão orientada por objetivos, metas, indicadores e resultados, fortalecendo a integração entre as diferentes áreas da Universidade e qualificando os processos de tomada de decisão.
A proposta parte da compreensão de que administrar uma instituição pública, multicampi e com a complexidade da Uesb exige mais do que responder às demandas cotidianas. É necessário estabelecer prioridades, acompanhar sistematicamente aquilo que foi planejado, identificar dificuldades durante a execução e criar condições para corrigir os rumos sempre que necessário. Nesse sentido, planejamento, monitoramento e avaliação passam a ser tratados como partes de um mesmo processo, e não como atividades isoladas ou realizadas apenas ao final de determinado período.
A nova sistemática estabelece reuniões mensais da equipe de gestão, formada pelo reitor, vice-reitora, pró-reitores, chefe de Gabinete, assessores especiais e assessores acadêmicos dos campi. Os encontros serão destinados ao acompanhamento das prioridades institucionais, das metas e indicadores do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), dos compromissos assumidos no Plano de Gestão “Cuidar para Transformar” e das questões que demandem atuação articulada entre diferentes setores da Universidade.
Para o reitor da Uesb, professor Robério Rodrigues, a medida procura incorporar ao cotidiano da Administração uma forma mais organizada e responsável de conduzir as políticas institucionais. “Uma universidade com a dimensão e a responsabilidade social da Uesb não pode trabalhar apenas reagindo aos problemas à medida que eles aparecem. Precisamos saber onde queremos chegar, estabelecer prioridades, acompanhar o que está sendo realizado e avaliar permanentemente os resultados. Planejar é importante, mas o planejamento somente ganha sentido quando conseguimos transformá-lo em ação e acompanhar, com responsabilidade, aquilo que nos comprometemos a realizar”, destaca.
Um dos princípios da nova sistemática é o fortalecimento de uma gestão orientada por evidências. As reuniões deverão privilegiar a análise de resultados, prioridades e questões que demandem decisão ou articulação, evitando que se transformem apenas em espaços de apresentação das atividades rotineiras dos setores. Sempre que possível, as informações deverão estar associadas a indicadores, metas, prazos e outros elementos que permitam acompanhar a evolução das ações.
Segundo o reitor, trabalhar com evidências não significa reduzir a Universidade a números. “Os indicadores são instrumentos para compreender a realidade e tomar decisões melhores, não um fim em si mesmos. Em uma universidade pública, precisamos considerar resultados acadêmicos, administrativos e também o impacto social das nossas políticas. Há dimensões que podem ser quantificadas e outras que precisam ser avaliadas qualitativamente. O importante é que as decisões sejam cada vez menos baseadas em percepções isoladas e cada vez mais sustentadas pelo conhecimento da realidade institucional”, explica.
Essa perspectiva está expressamente incorporada à Portaria, que determina que a avaliação considere as especificidades das diferentes áreas acadêmicas e administrativas e não se restrinja aos indicadores quantitativos, contemplando também aspectos qualitativos, impactos acadêmicos e sociais e a efetividade das políticas desenvolvidas.
Além do acompanhamento mensal, a cada 100 dias será realizada uma reunião ampliada de avaliação e planejamento. Nesses momentos, cada área deverá apresentar seus principais avanços, as dificuldades e questões que ainda precisam de encaminhamento e as prioridades para o período seguinte. A proposta é permitir uma leitura integrada da Universidade, superando a fragmentação dos balanços setoriais e identificando problemas e objetivos que dependam da atuação conjunta de diferentes áreas.

A chefia de Gabinete terá papel importante na organização desse processo, sendo responsável por estruturar as pautas, reunir previamente informações e indicadores, registrar decisões e encaminhamentos, sistematizar responsabilidades e prazos e acompanhar as providências definidas nas reuniões.
Para o chefe de Gabinete da Reitoria, Roberto Gondim, essa organização permitirá que as reuniões de gestão tenham continuidade e que as decisões tomadas coletivamente possam ser efetivamente acompanhadas. “Uma gestão organizada precisa construir memória sobre suas próprias decisões. Não basta identificar um problema e definir um encaminhamento; é preciso registrar quem ficou responsável, quais são os prazos, acompanhar o que avançou e compreender as razões quando determinada ação não conseguiu avançar. Esse acompanhamento permite que cada reunião dialogue com a anterior e que a gestão tenha uma visão mais clara do caminho que está percorrendo”, afirma.
A sistematização das informações também deverá contribuir para o acompanhamento do PDI e do Plano de Gestão, para a elaboração dos relatórios institucionais e para o fortalecimento dos mecanismos de transparência e prestação de contas à comunidade universitária e à sociedade. A perspectiva é que, progressivamente, instrumentos e tecnologias sejam incorporados ao processo para facilitar o acompanhamento de metas, indicadores, resultados, responsabilidades e prazos.
Para Robério, a iniciativa também reforça a responsabilidade assumida pela atual gestão de transformar o planejamento em instrumento efetivo de condução da Universidade. “O nosso Plano de Gestão se chama ‘Cuidar para Transformar’, e cuidar da Universidade também significa organizar a gestão, utilizar bem as informações, reconhecer aquilo que está funcionando, enfrentar com transparência aquilo que ainda não avançou e ter capacidade de rever decisões quando a realidade demonstrar essa necessidade. Avaliar não é procurar culpados. É aprender com o percurso para fazer melhor”, ressalta.
Ao estabelecer uma rotina permanente de planejamento, acompanhamento e avaliação, a Uesb busca fortalecer uma concepção de gestão na qual resultados não sejam observados apenas ao final de um mandato ou de um exercício administrativo. A proposta é acompanhar continuamente o percurso, identificar avanços e dificuldades enquanto as políticas estão sendo executadas e fazer com que as informações produzidas pela própria Universidade contribuam para escolhas mais qualificadas.
“Uma instituição pública precisa prestar contas não apenas dos recursos que utiliza, mas também dos resultados que produz para a sociedade. Quando planejamos, acompanhamos e avaliamos de forma sistemática, criamos melhores condições para utilizar os recursos públicos com responsabilidade, estabelecer prioridades e assegurar que nossas decisões estejam conectadas à missão da Universidade. É uma mudança que se constrói no cotidiano e que depende do envolvimento de toda a equipe”, conclui o reitor.