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A Uesb deu início a uma profunda reestruturação, com a proposta oficial da Reforma Administrativa, elaborada por uma comissão composta por docentes, servidores técnico-administrativos e discentes de graduação e pós-graduação. A Comissão foi instituída pela Portaria 495/2026 e tem por finalidade elaborar um projeto que visa adequar a arquitetura organizacional da Instituição ao seu atual porte e complexidade.
Nas últimas três décadas, a Uesb expandiu de forma expressiva sua atuação, alcançando a marca de 53 cursos de graduação, 26 programas de pós-graduação, sendo 26 mestrados e 14 doutorados, e mais de 12,5 mil estudantes matriculados em seus três campi, localizados em Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista. Conforme o tempo foi passando, essa expansão explicitou a necessidade de uma reorganização da estrutura de gestão, que ainda reflete o modelo concebido nos anos 1990.
O diagnóstico conduzido pela Comissão revelou a necessidade de uma Reforma Administrativa com o propósito de criar políticas institucionais permanentes, diretrizes claras, governança estruturada e orçamento adequado para atender a toda a comunidade acadêmica. “A reforma visa reafirmar a autonomia universitária e preparar a Uesb para o século 21, garantindo capacidade gerencial, celeridade e resposta rápida aos desafios regionais”, destaca o professor Elinaldo Leal, assessor de Planejamento, Desenvolvimento e Avaliação.

A proposta desenha um novo organograma que inclui a criação de Pró-Reitorias temáticas especializadas. Entre as novas unidades previstas estão a Pró-Reitoria de Arte e Cultura; a Pró-Reitoria de Sustentabilidade Socioambiental e Desenvolvimento Territorial; a Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Avaliação Institucional; a Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas, Inclusão e Enfrentamento às Violências; e a Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas.
“Uma estrutura administrativa não existe para si mesma, mas para garantir que a Universidade cumpra suas finalidades acadêmicas e sociais. Reorganizar a gestão não é mudar organogramas, é ter a capacidade de transformar a instituição para atender ao que a sociedade espera dela”, destaca o reitor da Uesb, professor Robério Rodrigues.
O projeto inclui ainda uma Ouvidoria Feminina Especializada, integrada à Ouvidoria Geral, oferecendo um canal seguro e qualificado para o acolhimento e a escuta de manifestações relativas a violências de gênero. “A Uesb já desenvolve ações afirmativas, mas a realidade exige tratar essas questões de maneira articulada e permanente. Promover equidade significa reconhecer que as desigualdades produzem condições distintas de acesso e que a universidade pública tem a responsabilidade de construir respostas para essas diferenças”, destaca a professora Francislene Cerqueira, vice-reitora da Uesb e Presidenta da Comissão da Reforma Administrativa.

Outro pilar central da reorganização é a descentralização da gestão administrativa por meio da criação das Pró-Reitorias de Campus nos municípios de Itapetinga e Jequié. A medida pretende aproximar os processos decisórios do cotidiano de cada comunidade acadêmica, garantindo maior agilidade no atendimento às demandas locais e reduzindo trâmites burocráticos sem romper com a unidade institucional da Uesb. Aliado a isso, o projeto propõe a reestruturação de cargos, abrindo espaço efetivo para que analistas e técnicos universitários assumam posições de coordenação e liderança, valorizando o quadro permanente de servidores e profissionalizando a administração pública universitária.
O projeto segue um rito democrático que atualmente está na fase de consulta pública, canal aberto para que toda a comunidade acadêmica apresente sugestões ao texto inicial. O cronograma prevê também a realização de uma audiência pública virtual, no dia 15 de setembro, para o debate direto sobre a proposta. Após a sistematização das contribuições recebidas, a minuta final será submetida à apreciação e deliberação do Conselho Universitário (Consu).
Uma vez aprovada internamente, com as devidas adequações no Estatuto e no Regimento Geral, a implementação efetiva dependerá de encaminhamento ao Governo do Estado e da aprovação de projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia para a criação formal dos novos cargos, assegurando a sustentabilidade orçamentária e a viabilidade legal da reforma.
Confira a Circular da Reitoria sobre a Reforma Administrativa