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A Uesb realizou, nos dias 28, 29 e 30 de setembro, audiências públicas nos campi de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, respectivamente, para discutir a criação do Programa de Ingresso Territorial. A proposta prevê uma nova modalidade de acesso aos cursos de graduação para estudantes da rede pública dos territórios de identidade onde a Universidade está inserida, a partir de vagas que permanecem ociosas após os processos seletivos regulares.
A iniciativa parte de um levantamento sobre as vagas que não são preenchidas pelo Vestibular e pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A ideia é que essas vagas possam ser aproveitadas por meio de uma modalidade complementar de ingresso, sem retirar vagas dos processos seletivos já existentes.
Um dos pontos que ainda está em discussão é a forma de classificação dos estudantes. A proposta considera a trajetória escolar durante o Ensino Médio, mas os critérios ainda serão definidos pelas instâncias da Universidade. Para a professora Sandra Márcia Pereira, pró-reitora de Graduação (Prograd), as audiências foram importantes para construir esse modelo com a participação da comunidade.
“Esse momento aqui da audiência pública é importante para o diálogo com a comunidade acadêmica e com a comunidade de uma forma geral, para a gente pensar essas formas de como chegar a esse estudante, divulgando a Uesb, os seus cursos e como pensar nessas formas de acesso”, afirma.

A proposta também busca ampliar a aproximação entre a Universidade e os estudantes da rede pública. Para Maria do Carmo de Jesus, estudante da licenciatura em História, a falta de informação é uma das dificuldades que podem afastar os jovens do Ensino Superior público. “Muitos jovens hoje não têm essas informações da existência de uma vaga na universidade pública, da existência da própria universidade pública, e de que esse espaço é um ambiente voltado para eles, aberto para eles, um espaço que deve ser ocupado por eles”, opina.
Para o professor Jefferson Chagas, assessor especial da Reitoria no campus de Jequié, a proposta também pode aproximar a Universidade da Educação Básica e estimular os estudantes ao longo do Ensino Médio. “É uma forma também de você incentivar a educação no nível médio, para que esses alunos possam ter oportunidade de vir à universidade e, dentro dos programas que nós já temos de permanência, poder não só entrar, mas entrar e continuar para que ele possa se formar”, explica.
Além do acesso, as audiências discutiram a permanência dos estudantes. A proposta prevê o diálogo com os municípios para a construção de mecanismos de apoio, como transporte, alimentação, material e moradia. Essa articulação já vinha sendo discutida pela Uesb em encontros realizados, em agosto, com representantes da sociedade civil, secretários municipais de Educação e gestores dos municípios dos três territórios.

No campus de Jequié, a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal do Médio Rio das Contas (SIMUC), Junicácia Lobo, destacou a possibilidade de ampliar essa articulação. Segundo ela, o consórcio reúne 14 dos 16 municípios do território e pode contribuir para levar a proposta aos gestores municipais. “Com esse canal aberto, é o consórcio, enquanto entidade que consegue atender 14 municípios, que pode levar também ao conhecimento dos prefeitos a possibilidade de trazer a população do seu município para conseguir estar ingressando na universidade”, destaca.
Os próximos passos – A construção do Programa de Ingresso Territorial também envolve a participação da comunidade acadêmica nas próximas etapas. Segundo a professora Francislene Cerqueira, vice-reitora da Uesb, as contribuições apresentadas durante as audiências serão consideradas na continuidade da proposta. “Nós vamos construir essa política juntos, como a gente já está fazendo. A partir dessas audiências, dessa escuta com a comunidade externa, com a comunidade interna também, nós vamos levar para os conselhos para que eles possam também contribuir ainda mais conosco”, pontua.
Após a etapa de escuta, a Universidade deverá consolidar a minuta da proposta e encaminhá-la para discussão nas instâncias acadêmicas competentes e, posteriormente, para apreciação do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe).

Para o reitor da Uesb, professor Robério Rodrigues, as audiências contribuíram para aperfeiçoar a proposta a partir das diferentes realidades dos territórios. “As audiências realizadas em Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista foram muito importantes porque permitiram apresentar a proposta, ouvir a comunidade e, sobretudo, aperfeiçoar o modelo a partir das diferentes realidades dos nossos territórios”, afirma.
O reitor também destacou que a ampliação do acesso precisa estar acompanhada de condições de permanência. Segundo ele, a proposta prevê uma construção compartilhada entre a Universidade e os municípios, sem transferir às prefeituras a responsabilidade pelo ingresso ou pela permanência dos estudantes. O objetivo é transformar vagas que historicamente permanecem sem ocupação em oportunidades de formação para estudantes da rede pública e fortalecer a relação da Universidade com os territórios onde está inserida.
“Espero que essa discussão nos ajude a construir uma política permanente de democratização do acesso, e não apenas mais um processo seletivo. O que estamos propondo dialoga diretamente com o ‘Cuidar para Transformar’: olhar para os dados da Universidade, identificar onde existem barreiras e construir respostas capazes de aproximar a Uesb das pessoas”, conclui.