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Nos palcos, nas telas, nas ruas. As histórias, os gestos, os silêncios, as memórias. Tudo ganha potência e revoluciona o dia a dia por meio da arte. Nesse grande universo criativo e sensível, a técnica ganhou formação de nível superior na Uesb.
Em 2010, a Instituição abriu espaço para novas dimensões formativas com as primeiras turmas de três cursos de graduação em Artes. Em Vitória da Conquista, tem início o curso de bacharelado em Cinema e Audiovisual. Já em Jequié, a Uesb inicia a licenciatura em Artes, que se tornaria, dois anos depois, os cursos de licenciatura em Dança e Teatro.
A artista e professora Adriana Amorim acompanhou de perto esse processo. Aprovada no concurso para ministrar aulas no curso de Artes, ela lembra como a contribuição de diversos profissionais, pesquisadores e projetos foi essencial nessa construção. “A gente tem sempre que celebrar as pessoas que são de outras áreas, que entendem a Universidade como algo maior que essas caixinhas e fizeram esses projetos”, destaca.
Ao longo do tempo, vieram o aprimoramento estrutural e pedagógico e a defesa pela própria existência desses cursos. Quinze anos depois, é notável o quanto as tensões provocadas foram fundamentais para o crescimento de oportunidades regionais, transformações sociopolíticas e uma intensa descoberta identitária. “A arte defende que as pessoas se encontrem e façam essa celebração de si”, defende Adriana, atualmente professora do curso de Cinema e Audiovisual.
Para Maria Marighella, presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), é importante entendermos que as universidades são instituições de cultura e a arte tem esse poder de provocação. O nascimento desses cursos, em 2010, é justamente parte de uma política de expansão universitária, “uma política cultural forte e comprometida com a territorialização das políticas públicas na Bahia”, aponta.

Resistência e transformação – O sonho de trabalhar com arte acompanhou Mylena Oliveira desde as primeiras aulas de dança e experiências em projetos sociais com teatro. Formada em 2016, a professora de Dança integrou a segunda turma do curso e, atualmente, percorre o país como pesquisadora, membro do Grupo Olaria, artista, produtora cultural e realizadora de diversos projetos de formação.
Para ela, a estrada foi feita de abrir caminhos, tanto dentro como fora da Instituição. “O entendimento da comunidade acadêmica também passou por transformações. Nos primeiros anos, muitos professores de outras áreas não valorizavam ou respeitavam nossa área como fundamental na formação da sociedade e na transformação educacional”, afirma. Ela lembra, ainda, o brilho de experimentar: “Muitos colegas estavam pisando em um palco pela primeira vez”.
Anos depois, a arte conquistou lugares e uniu novas ideias. “Nos interiores, não existem equipamentos públicos de cultura, e a Uesb estimulou esse investimento. Outro ponto fundamental é que as demandas dos cursos possibilitaram o surgimento de grupos de teatro e dança que existem desde então”, reforça.

Para além dos palcos, a formação na Uesb também abriu portas na gestão pública. Caio Braga, licenciado em Teatro, é um exemplo disso. Secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo do município de Ipiaú (BA), ele entende que a Universidade trouxe mais que uma formação técnica, ela desenvolveu uma visão crítica e sensível da arte como uma poderosa ferramenta de transformação social.
“Trago comigo essa bagagem acadêmica e prática que me ajuda a compreender melhor as demandas da classe artística, valorizar a diversidade cultural e pensar políticas públicas mais inclusivas e transformadoras”, defende.
Caio ainda afirma que os cursos de Artes tiveram um papel essencial na região onde a Uesb está inserida. “Esses cursos atraíram jovens de diferentes cidades, possibilitando intercâmbios culturais e a profissionalização de novos artistas”, opina.

No Cinema, a trajetória de criar novos cenários não é diferente. Patrícia Moreira, cineasta formada na primeira turma, lembra o quanto a implantação do curso tornou real o sonho de fazer cinema no interior baiano. “Foi um período de desafios, descobertas e aprendizados, profundamente transformador”, diz.
Atuando em diversas produções, Patrícia destaca o quanto o curso fomentou a criação de produtoras independentes e festivais, além de articular políticas públicas e desenvolver não só filmes de ficção e documentários, como produções de animação, games, ações formativas etc. “A presença do curso teve um papel determinante na consolidação de um ecossistema audiovisual da região”, afirma.
O reconhecimento vem, ainda, em premiações. Entre as diversas conquistas, o filme “Mulher Vestida de Sol”, curta-metragem de animação produzido na Uesb e dirigido por Patrícia, foi o vencedor do Prêmio Grande Otelo, uma das maiores honrarias do cinema nacional. “Esse prêmio extrapola uma distinção individual. É o reconhecimento de um cinema que nasce do coletivo, atravessado de estéticas e memórias do interior da Bahia”, celebra.
Entre aplausos e desafios, narrativas inspiradoras continuam a ser construídas no interior baiano, criando novos sonhos e abrindo espaço para que a arte encontre a liberdade de ser sempre transformadora.
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